Odete começou buscando renda extra e hoje vendas superam salário
Semijoias de Neilce Scalon ganham espaço em Terenos com mulheres que buscam novas oportunidades

O que começou como uma tentativa de ganhar um dinheiro a mais virou uma renda maior que a do próprio emprego. Em menos de um ano, Odete Maria de Jesus, de 43 anos, descobriu nas semijoias da Neilce Scalon uma oportunidade que mudou não apenas a sua vida financeira, mas também a forma como enxerga o próprio potencial.
Moradora de Terenos, Odete trabalha como auxiliar de farmácia e não abandonou a profissão. Mas aquilo que deveria apenas complementar o salário cresceu. Hoje, o valor que consegue movimentar com as vendas das semijoias de Neilce Scalon já supera o que recebe no trabalho fixo.
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A transformação começou quase por acaso. Em novembro do ano passado, enquanto passava o tempo nas redes sociais, Odete encontrou uma reportagem do Campo Grande News sobre Neilce. Ela já tinha experiência vendendo semijoias mais simples, mas procurava algo que pudesse conciliar com o emprego e que trouxesse um retorno financeiro maior.
“Eu queria conciliar alguma coisa que me desse uma renda melhor. Vi a publicação e me encantei pelas semijoias e também pela Neilce. Pensei: ‘Nossa, que mulher’. Você olha e percebe que existe uma história, que ela passou por muita coisa para chegar até onde chegou”, lembra.
Odete decidiu entrar em contato. A resposta veio da própria Neilce e, junto dela, apareceu aquele frio na barriga de quem percebe que uma simples mensagem pode estar abrindo uma porta importante.
O medo antes da primeira maleta - Quando chegou para conhecer o negócio, Odete poderia ter saído dali já com a primeira maleta. Mas a insegurança falou mais alto. Antes de decidir, voltou para Terenos, conversou com o marido, Júlio César, e buscou na fé a segurança que ainda faltava.
“Cheguei em casa e pensei: ‘E agora, o que eu faço?’. Conversei com meu esposo, orei e falei: ‘Senhor, o que eu faço?’. Aí decidi tentar.”
A primeira maleta veio no dia 5 de novembro. E o resultado apareceu rapidamente.
“No primeiro mês foi ótimo. Depois fui conquistando novas clientes, uma foi falando para outra e fui crescendo”, conta.
Mas não foi apenas a possibilidade de vender que fez Odete continuar. Ela destaca o suporte recebido e os treinamentos oferecidos às revendedoras como fundamentais para profissionalizar algo que, inicialmente, seria apenas uma atividade paralela.
“Os treinamentos foram um divisor de águas na minha vida. Não é somente ensinar a vender e receber. Tem educação financeira também. Vai muito além do retorno financeiro.”

Em Terenos, cliente virou amiga - Odete encontrou seu próprio jeito de vender. Embora utilize as redes sociais para mostrar as peças, é no contato pessoal que ela se sente em casa.
Ela visita clientes, conversa, apresenta as semijoias e deixa o boca a boca fazer o restante do trabalho. Aos poucos, a carteira aumentou e muitas compradoras deixaram de ser apenas clientes.
“Eu conquistei clientes e amigas. Não é somente sobre vendas. A gente conversa, faz amizade, às vezes a pessoa desabafa. Tem momentos em que você percebe que aquela conversa era justamente o que ela estava precisando.”
Hoje, a maior parte das clientes de Odete é de Terenos. E ela própria acabou virando uma espécie de vitrine do que vende.
“Comecei a usar mais as semijoias e as pessoas falavam: ‘Nossa, Odete, como você está bonita’. Eu brincava: ‘Gente, eu vendo semijoia, tenho que apresentar minhas peças’”, conta, rindo.
Além do resultado financeiro, ela diz que o trabalho mexeu com sua autoestima e trouxe uma nova percepção sobre si mesma.
“Você se rejuvenesce, começa a se cuidar mais, a dar valor às peças. Mudou muita coisa na minha vida.”
A renda extra cresceu - Talvez o maior sinal dessa mudança esteja justamente nos números da vida cotidiana de Odete. Ela continua trabalhando como auxiliar de farmácia, mas a venda das semijoias, que começou com a intenção de ser uma renda extra, passou a proporcionar um retorno superior ao salário do emprego.
O dinheiro abriu espaço para novos investimentos e planos da família, mas também trouxe a sensação de que esforço e autonomia podem caminhar juntos.
“É muito bom ver a gente conquistando as coisas e conseguindo alcançar nossos sonhos com o nosso trabalho. Quero mostrar para outras mulheres que a gente pode trabalhar, cuidar da casa e também ter a nossa renda. É só querer e correr atrás.”
E nessa rotina ela não está sozinha.
Casada há 24 anos com Júlio César, Odete conta com a participação do marido até na logística das vendas. Empresário do ramo de alimentação, ele busca peças, ajuda nas entregas e entra na brincadeira quando a agenda da esposa aperta.
“Meu esposo me ajuda muito. Às vezes preciso pegar uma peça para uma cliente e ele vem buscar. Eu até falo que ele é meu funcionário”, diverte-se.
“Uma cidade pequena também tem grandes oportunidades”
Para Neilce Scalon, a trajetória de Odete representa justamente uma mensagem que ela deseja levar a outras mulheres que vivem fora dos grandes centros: o tamanho da cidade não determina o tamanho da oportunidade.
“Às vezes, a mulher olha para uma cidade menor e pensa que não existe mercado suficiente para crescer. A Odete mostra exatamente o contrário. Ela começou conciliando as vendas com o trabalho, construiu uma clientela em Terenos e transformou o que seria uma renda extra em algo muito maior. Quando existe dedicação, relacionamento com as clientes e vontade de crescer, há espaço para construir uma história”, afirma Neilce.
A empresária também destaca que o suporte após a venda é parte importante dessa relação. Entre os diferenciais citados por Odete está o banho vitalício das peças e o atendimento oferecido quando alguma cliente precisa de manutenção. Para quem começou com medo até de levar a primeira maleta para casa, os últimos meses trouxeram uma resposta.
Hoje, Odete olha para trás e agradece a decisão que tomou, o apoio de Júlio César e, principalmente, as mulheres que confiaram em seu trabalho.
“Primeiramente agradeço a Deus pela oportunidade, à Neilce, que é maravilhosa não somente como fornecedora, mas como pessoa, e às minhas clientes, que se tornaram amigas. Tenho clientes fiéis, amigas que vêm comigo e me ajudam. Sou muito grata por tudo o que está acontecendo e por tudo de melhor que ainda vai acontecer”, finaliza.
Em menos de um ano, a mulher que chegou insegura para buscar a primeira maleta passou a enxergar nas vendas uma nova fonte de sonhos. E fez tudo isso sem precisar deixar Terenos para trás.
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