Do vinil ao shopping, Grupo Acaba mostra sua história à nova geração
Há 60 anos, a banda transforma o folclore sul-mato-grossense em música e preserva a memória do Pantanal
RESUMO
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Por seis décadas, o Grupo Acaba transformou o folclore, a cultura e as paisagens de Mato Grosso do Sul em palavras, versos e música. Para celebrar os 60 anos de trajetória e os 10 anos do documentário Canta Dores do Pantanal, o grupo realizou uma apresentação especial no Shopping Norte Sul Plaza.
Formado atualmente por Carlinhos Batera, na percussão; Moacir Lacerda, fundador; Fábio Kaida, na harpa; Luiz Sayd, no violão; Tião César, no acordeão e Zezé Mauro violÕo de set o grupo levou ao público canções como Gaivota Pantaneira, Ciranda Pantaneira e Última Cheia.
Durante a apresentação, o shopping, um dos espaços mais associados ao consumo e à vida urbana contemporânea, ganhou outro significado ao ser ocupado pelos versos, sons e histórias que ajudam a construir a identidade sul-mato-grossense. A celebração também abriu espaço para uma reflexão sobre o futuro: como uma música criada há décadas continua dialogando com as novas gerações e o que o Grupo Acaba espera deixar como legado para quem ainda vai ouvir e cantar essas canções.
Para o fundador do Grupo Acaba, Moacir Lacerda, cantar o Pantanal nem sempre foi motivo de orgulho. No início da trajetória do grupo, falar sobre a região e seus modos de vida podia ser visto de forma pejorativa. Com o passar dos anos, porém, a identidade pantaneira ganhou espaço na música e passou a ser reconhecida como parte da cultura sul-mato-grossense.
“Hoje nós cantamos com naturalidade a nossa influência e o nosso modo de vida e, de certa maneira, ajudamos a construir uma cultura do próprio Estado. Quando cantamos o Pantanal, não olhamos só para a beleza, mas também para a degradação, os incêndios, as enchentes e o sofrimento do homem pantaneiro. Tudo isso também precisa ser expressado através da nossa música”.

Para Fábio Kaida, o legado do Grupo Acaba ultrapassa as seis décadas de música e representa uma forma de preservar a identidade de Mato Grosso do Sul. Ao falar do Pantanal, da fauna, da flora e das comunidades indígenas, o grupo ajuda a manter vivas histórias e referências que podem ser levadas para as novas gerações.
“O Grupo Acaba é parte da história de Mato Grosso do Sul e defende o Pantanal há 60 anos. A música e a arte conseguem conscientizar e atravessar fronteiras. Cabe a nós manter esse legado vivo e fazer com que os jovens conheçam essa riqueza cultural e levem esse DNA para o futuro.”
Para quem passeia entre os corredores do shopping e é da geração Z e talvez não conheça o grupo, Moacir acredita que a porta de entrada pode estar justamente nas músicas que contam histórias. Ao longo de seis décadas, o grupo transformou episódios da formação do Estado, a cultura pantaneira e a presença dos povos originários em canções que aproximam passado e presente.
“Para essa nova geração, eu recomendaria conhecer nossas músicas pela história. Temos mais de 30 composições sobre a Guerra do Paraguai e também o álbum Mato Grosso do Sul 500 Anos. É uma maneira de conhecer o Estado pela música. Sou grato por poder registrar essas histórias em discos e livros e deixar esse material para quem vem depois”.
Nova geração - Entre o público que acompanhou a apresentação estava Karine Chicacho, de 15 anos, estudante do segundo ano do ensino médio. Para ela, o encontro com o Grupo Acaba mostrou que a cultura sul-mato-grossense também pode chegar aos jovens por meio da música e da arte.

“Eu acho muito importante o trabalho do Grupo Acaba porque a gente precisa valorizar mais a cultura do nosso Estado. Eles mostram o Pantanal, a flora, a fauna e todas essas riquezas de uma forma artística. Acho importante eles se apresentarem em lugares como o shopping, onde muitos jovens estão, porque assim conseguem alcançar esse público e fazer com que a gente reconheça a beleza do nosso Estado e passe essa herança para gerações como a minha”.
Entre o público estava Jânio Fagundes Borges, engenheiro agrônomo aposentado e ativista cultural, que acompanha a trajetória do Grupo Acaba e levou ao encontro um antigo disco, Los Caminantes Internacional, de Raul Barbosa e Bartolomé Palermo. A raridade, guardada há anos, foi entregue a Moacir, como um gesto de amizade e de preservação da memória musical.

“Eu garimpei esse disco nas minhas gavetas porque já tinha prometido levar para o Moacir. O Grupo Acaba é icônico, é a cultura raiz de Mato Grosso do Sul. Músicas como La Última Cheia e Sinfonia do Boi são marcantes. A produção musical deles é imensa e precisa chegar às novas gerações. A juventude conhece pouco essa história, e o legado do grupo é justamente manter essas raízes vivas por meio da música”.
No final do show, o público acompanhou a exibição especial do documentário Canta Dores do Pantanal, que celebra os 10 anos do filme e os 60 anos do Grupo Acaba. A sessão foi realizada às 19h, no Cinépolis.
Hoje (25) tem mais uma exibição, às 19h.
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