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Direto das Ruas

Com 30 mil visitantes esperados, cemitério tem filas de carros em Finados

Fim da manhã foi marcado por espera de até 30 minutos para estacionar; missa reuniu cerca de mil pessoas

Por Guilherme Cavalcante e Geniffer Valeriano | 02/11/2026 12:51

O movimento de Dia de Finados provocou congestionamento no acesso ao estacionamento do Cemitério Jardim das Palmeiras, na região da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), em Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (2). Motoristas relataram até 30 minutos de espera e a formação de seis filas de veículos.

RESUMO

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O encerramento da missa de Finados no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande, reuniu cerca de mil pessoas e provocou congestionamento no acesso ao estacionamento. Motoristas relataram até 30 minutos de espera e falta de coordenação das filas. Apesar do tumulto, famílias visitaram túmulos, fizeram orações e destacaram a importância de manter a tradição e transmitir às crianças a memória dos parentes.

Segundo a administração, a expectativa é de aproximadamente 30 mil visitantes entre sexta-feira (30) e esta segunda-feira, quando se concentra o maior fluxo de pessoas. A lentidão, no caso, coincidiu com o encerramento de uma missa que reuniu cerca de mil pessoas, conforme estimativa da organização.

Assim, enquanto parte dos fiéis deixava o local, outros visitantes tentavam entrar no estacionamento para prestar homenagens aos familiares.

Por meio do canal Direto das Ruas, a estudante Bruna Melo, que seguia para o cemitério pela Avenida Tamandaré, contou ao Campo Grande News que o número de filas aumentou rapidamente enquanto aguardava passagem.

“Tem três filas de carro e não tem ninguém coordenando. Estou indo para 20 minutos aqui parada”, relatou. Pouco depois, Bruna atualizou a situação e informou que o número de filas havia dobrado. “E o pior é que o estacionamento tem dois lados. Do lado que eu tava tinha seis filas já”, contou.

O congestionamento também foi enfrentado pelo aposentado Antônio Gomes Flores, de 83 anos, que visitou o cemitério para homenagear a sogra, irmãos e cunhados. Antes de chegar ao Jardim das Palmeiras, ele já havia passado por outro cemitério.

“Muito difícil, né? Porque o trânsito estava muito violento, muito carregado, mas, enfim, chegamos. Estamos aqui, cumprimos nossa missão e agora é rezar um pouco por eles”, afirmou.

Antônio contou que havia se programado para fazer as visitas e não chegou a participar da missa nem da soltura de balões. Para ele, o esforço de enfrentar o trânsito faz parte de um compromisso que se renova a cada ano.

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“Essa é uma obrigação de todos nós, principalmente nós que somos cristãos. Temos que render homenagem às pessoas que um dia também passaram por aqui, viveram aqui. Hoje estão vivendo em outro mundo, em outro lugar, mas nunca são esquecidas”, declarou.

Apesar da tristeza provocada pelas lembranças, o aposentado considera a data uma oportunidade de agradecer pela convivência com aqueles que partiram. “É triste a gente relembrar das pessoas, dos amigos, dos parentes que já foram, mas são pessoas que sempre deixaram marcas na vida da gente. Então, é como uma retribuição a tudo isso”, disse.

Organização do trânsito – A diretora administrativo-financeira do Cemitério Jardim das Palmeiras, Alessandra Ribeiro, explicou que a administração mantém equipes de plantonistas e seguranças para orientar os visitantes e organizar a circulação dentro da propriedade. Já o controle do trânsito nas vias externas, segundo ela, é responsabilidade do poder público.

Alessandra destacou que a colaboração dos órgãos municipais é importante diante do aumento do fluxo de veículos durante o feriado. “Porque você ficar parado no trânsito não tem nada de agradável”, comentou.

A diretora estima que aproximadamente 30 mil pessoas passem pelo cemitério ao longo dos quatro dias de programação, iniciada na sexta-feira. O maior movimento é esperado nesta segunda-feira, data dedicada às homenagens aos mortos.

De geração em geração – Neste ano, o cemitério adotou o tema “De geração em geração, o amor continua”, que orientou a preparação dos espaços e as atividades voltadas às famílias. Segundo Alessandra, a proposta é valorizar a memória dos entes queridos e o costume de transmitir as homenagens entre pais, filhos e netos.

“Esse amor vem passando de geração em geração e hoje estou aqui em respeito e vou passar isso para os meus filhos, que depois eles vão estar aqui me visitando também”, explicou.

A diretora afirmou que os funcionários são orientados a cuidar das flores, da ornamentação e dos espaços de visitação com a mesma atenção que dedicariam ao túmulo de um familiar. “O sentimento primordial é o amor”, resumiu.

Com 30 mil visitantes esperados, cemitério tem filas de carros em Finados
Na família de Kamila, tradição por visitas em Finados começou antes de familiares partirem (Foto: Geniffer Valeriano)

A proposta de preservar as lembranças entre gerações também aparece na rotina das famílias que visitam o cemitério.

A comerciante Kamila Fernandes, de 39 anos, chegou acompanhada do marido, dos três filhos e da mãe para visitar os túmulos do pai e do avô do esposo. A tradição começou antes mesmo da morte dos parentes mais próximos.

“Nós viemos todos os anos. É comum. E até antes de ter falecido mesmo, nós já vínhamos porque tinha conhecidos aqui”, contou. Para Kamila, o Dia de Finados não é a única ocasião em que os familiares são lembrados, mas representa um momento especial de oração. “É um momento de relembrar. Não que a gente não lembre, né? A gente lembra todos os dias da pessoa, mas hoje é um dia de rezar um pouco mais por eles, acender uma vela”, explicou.

A comerciante conta que a família costuma participar da missa e acompanhar a soltura de balões, especialmente por causa das crianças. Neste ano, como já haviam participado de uma celebração no domingo, a visita seria mais rápida. Mesmo assim, Kamila fez questão de envolver os filhos na homenagem. “Eu falei ali para o meu filho: ‘Reza também, meu filho’”, relatou.

O construtor Walfrido Manoel da Silva Júnior, de 47 anos, também levou a filha pequena para visitar os túmulos de familiares, entre eles um sobrinho, um cunhado, tios e uma prima.

“A gente vem rezar por todas as almas, para que elas encontrem a paz, para que Deus tenha misericórdia de todos e acolha no seu reino”, afirmou. Católico, Walfrido considera importante ensinar à filha, desde cedo, o significado da data. “Desde nova a gente tem que ensinar os pequenos, né? Para que continue nossa caminhada”, disse.

Com 30 mil visitantes esperados, cemitério tem filas de carros em Finados
Walfrido defende ensinar a tradição de Finados às novas gerações (Foto: Geniffer Valeriano)

Ele também encontrou movimento intenso na chegada ao cemitério, mas conseguiu acessar o local. “Foi bom, um pouco tumultuado, porque a gente chegou perto da hora que estava tendo a celebração. Então, estava um pouco tumultuado, mas conseguimos chegar normalmente”, relatou.

A família havia participado de uma missa às 6h, na Paróquia Cristo dos Povos, antes de seguir para o Jardim das Palmeiras. Quando chegou ao cemitério, a celebração já estava terminando.

Entre o congestionamento no estacionamento e as homenagens diante dos túmulos, o Dia de Finados reuniu famílias que mantêm viva a tradição de recordar os parentes e transmitir aos mais jovens o respeito por aqueles que partiram.

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