Tradição de ir ao cemitério entra na vida dos jovens quando a perda chega
Essa é forma encontrada para homenagear os familiares e amigos

A tradição de visitar o cemitério no Dia de Finados entrou cedo na vida do auxiliar mecânico Enzo Almeida, de 16 anos. Apesar de católico, ele não tinha o costume de visitar o cemitério no Dia de Finados e criou esse hábito depois da morte de um amigo em um acidente de bicicleta.
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O Dia de Finados levou jovens aos cemitérios para prestar homenagens a entes queridos e amigos falecidos recentemente. O auxiliar mecanico Enzo Almeida, de 16 anos, adotou a tradicao de visitar o tumulo apos a morte de um amigo de infancia em um acidente de bicicleta. De forma semelhante, as irmas Sara Isabel e Karen Priscila visitaram o cemiterio pela primeira vez para honrar a memoria da avó Conceicao, mantendo viva a trajetoria de dedicacao familiar aos entes queridos neste dia.
Enzo lembra que o acidente aconteceu em um domingo, quando um grupo de amigos seguia de bicicleta para um encontro. Apesar de ter sido socorrido e levado de ambulância ao hospital, o amigo não resistiu aos ferimentos e morreu na quinta-feira seguinte.

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"A gente sempre foi muito grudado, a gente morou um do lado do outro. A gente se conhece desde os 6 anos de idade. E até hoje eu não acredito. Ele me mandava mensagem todo dia. Quando ele faleceu, eu não acreditava. Fico vendo as nossas fotos, nossa, choro muito", relatou. Enzo fez questão de visitar o túmulo sozinho durante a manhã, mas vai voltar para a homenagem com outros amigos.
As irmãs Sara Isabel Ferreira Silva Santos, de 21 anos, e Karen Priscila Ferreira Silva Santos, de 19 anos, cresceram vendo a avó Conceição percorrer cemitérios para homenagear os familiares e amigos que já se foram no Dia de Finados. A tradição não tinha entrado na vida delas até este ano.

Em setembro, a avó faleceu e as duas fizeram questão de ir ao Cemitério Memorial Park na manhã desta segunda-feira (2) para homenageá-la. "Acho que, depois que a gente perde alguém que ama, deixa de ser assustador. A gente deixa de ter aquele medo de criança de vir no cemitério. É como se estivesse mais perto. É o [plano] material mais próximo que a gente tem dela", justifica Sara.
A neta lembra que a avó sempre homenageou os amigos. "Ela sempre se fez presente quando precisavam nestes momentos também. Então a gente está aqui por ela, para continuar na tradição dela", completou.
A estudante Isabela Milhomem, de 19 anos, e o namorado Ezio Pridier Araujo, 21 anos, foram ao cemitério para visitar o amigo que faleceu em outubro do ano passado. "A gente veio visitar o Gustavo, que era um menino que fazia academia com a gente. Acho que é importante ir na missa num dia assim que nem hoje", afirmou a estudante Isabela.
Para Enzio, a missa tem um significado especial hoje. "Quando você vem na missa e ouve o padre falando, ou o bispo, como foi hoje, tem um significado diferente no Dia dos Finados. Porque muitas das vezes a gente só vem aqui com a intenção de olhar alguém que a gente conhece, mas a religião que a gente pratica, que é o catolicismo, prega que a gente não tem só que orar por quem a gente conhece, mas por todas as almas que estão no purgatório", disse.
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