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Economia

“Adianta fechar o Centro e os bairros ficarem lotados?”, questionam comerciantes

Eles reclamam que os bairros vão continuar cheios, com gente aglomerando, fazendo churrasco e tomando tereré

Por Viviane Oliveira e Bruna Marques | 19/03/2021 12:04
Armando disse que está sofrendo muito com o fechamento do comércio (Foto: Henrique Kawaminami)
Armando disse que está sofrendo muito com o fechamento do comércio (Foto: Henrique Kawaminami)

A antecipação de  cinco feriados anunciada pela prefeitura de Campo Grande, como forma de estancar a alta dos casos de covid-19, desagradou comerciantes de Campo Grande.  Um dos entendimentos mais expressados à reportagem é de que "não adianta fechar e fiscalizar apenas a área central se os bairros continuam com gente aglomerando o tempo todo, fazendo churrasco e tomando tereré".

Existem até opiniões apontado a medida como antidemocrática, arbitrária e inconstitucional.

Comerciante há 15 anos na Rua Barão do Rio branco, Armando Omais, 62 anos, disse que está sofrendo muito com o fechamento, mas irá cumprir o que for decidido. “O que decidirem nós teremos que fazer, mas estamos sofrendo muito. Primeiro foram as obras do Reviva Campo Grande que duraram 2 anos, depois veio essa pandemia. Não adianta fechar o Centro e os bairros ficarem lotados”, lamentou.

Segundo Armando, para conseguir manter as contas em dia teve que demitir dois funcionários porque as vendas caíram muito. “Eu acho que essa medida não vai resolver nada.  A primeira coisa a ser feita é eliminar bares e restaurantes que são locais onde as pessoas se aglomeram. No comércio em si, você não vê aglomerações”, afirma.

Para Francisco, o decreto é insconstitucional (Foto: Henrique Kawaminami)
Para Francisco, o decreto é insconstitucional (Foto: Henrique Kawaminami)

Para Francisco de Assis Teodoro Soares, 47 anos, dono de uma loja de roupas há 19 anos no Centro, a medida é antidemocrática, arbitrária e inconstitucional. Conforme ele, a doença existe, mas ela está politizada demais. “E os quase 20 bilhões que pegaram da mão do governo federal? Cadê? Porque diante de toda essa situação, é o comércio que vai pagar a conta?  Nós estamos sendo engolidos e passados para trás”, reclamou.

Indagado se a medida vai ajudar, Francisco responde de forma irônica. “Sim. Vai ajudar bastante. Vai aumentar os casos de covid, porque nos bairros todo mundo vai tomar tereré e fazer churrasco. Vai aumentar também o número de inadimplentes porque as pessoas não terão dinheiro para pagar as contas. E "nós" estamos caminhando firme para que as famílias passem fome”, desabafou.

A gerente de um loja de cosméticos na Rua 14 de Julho, Sirley Mariotti, 48 anos, acredita que a medida vai ser eficaz, mas garante que o comércio não é o responsável por disseminar o vírus. “O vírus é disseminado em bares e festas, onde as pessoas não usam máscaras, fumam narguilé, dividem copo de cerveja”, disse.

Ela acredita que se todos tivessem consciência dessa doença, não seriam necessárias a aplicação de medidas tão drásticas. “Essas medidas vão prejudicar bastante o comércio, porque ninguém estava esperando. Só vai ser um pouco melhor porque vamos poder trabalhar nos próximos feriados. Se liberar o delivery já ajuda muito. Nesta pandemia o delivery foi nosso forte. As entregas dobraram”.

O morador do residencial Betaville, o editor Felipe Ribeiro, 23 anos, não se importa em ficar uns dias em casa, recluso, mas acredita que tudo deve ser pensado de forma equilibrada para que as medidas sejam cumpridas sem prejudicar o comércio. “Sempre que posso eu mantenho o distanciamento, uso máscara e higienizo as mãos”.

Felipe disse que sempre quando pode mantém o distanciamento e usa máscara para evitar disseminação do vírus (Foto: Henrique Kawaminami)
Felipe disse que sempre quando pode mantém o distanciamento e usa máscara para evitar disseminação do vírus (Foto: Henrique Kawaminami)

Para a autônoma Camila Kaaravassilakis, 27 anos, moradora do município de Taquarussu, “o fecha tudo” não vai adiantar nada. “Sabe porque? O que adianta fechar tudo para quem trabalha para sobreviver, enquanto o povo fica fazendo festa. O comércio abrindo ou não vai ter aglomeração do mesmo jeito. Com mais tempo em casa as pessoas vão fazer mais festas e aglomerar mais. Infelizmente, ninguém está nem aí”.

Segundo ela, a fiscalização tinha que ser mais rígida com quem aglomera e não com quem está na luta para ganhar o pão de cada dia. “No meu ponto de vista, essa situação só vai piorar. O que podia ser feito, já está sendo feito, como por exemplo, o toque de recolher. Eles deveriam ser mais rígidos com as pessoas que fazem festas clandestinas. Elas deveriam ser presas e pagar multa”.

Rosa está preocupada com o seus sustento e de seus funcionários (Foto: Henrique Kawaminami)
Rosa está preocupada com o seus sustento e de seus funcionários (Foto: Henrique Kawaminami)

Por um lado, a cabeleireira Rosa Senne Bedoia, 45 anos, acredita que o decreto vai ser bom, até acalmar tudo isso. Mas também fica preocupada com as pessoas que precisam trabalhar. “Tenho quatro funcionários e eles dependem do atendimento para se sustentarem, mas se for para o bem o que nós podemos fazer? Não é o comércio que atrapalha, o que pega são as reuniões em bares e festas clandestinas. Quem está trabalhando está se protegendo, trabalhando com segurança, usando máscaras e passando álcool gel. “A nossa preocupação é de como vamos tirar nosso sustento, pagar aluguel, sobreviver e sustentar os filhos”. O problema, afirma Rosa, é o fim de semana.

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