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Economia

Carne bovina deve ficar mais barata com suspensão das exportações para a China

Com diminuição na arroba do boi, empresários já estão comprando a proteína em um valor mais barato na Capital

Por Jhefferson Gamarra e Ana Beatriz Rodrigues | 27/10/2021 17:36
Carne bovina sendo comercializada em um supermercado da Capital. (Foto: Paulo Francis)
Carne bovina sendo comercializada em um supermercado da Capital. (Foto: Paulo Francis)

A decisão do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) emitida no dia 19 de setembro, que determinou que frigoríficos suspendam a exportação de carne bovina destinada à China, tem trazido reflexos positivos para a mesa do brasileiro e a previsão é que o valor pago pela proteína bovina diminua nos próximos dias.

A determinação da pasta foi tomada após identificação de dois casos de encefalopatia espongiforme bovina, conhecido como “mal da vaca louca”, em produtos exportados por frigoríficos de Mato Grosso e Minas Gerais.

De acordo com o IBGE, a carne bovina ficou mais barata pela primeira vez em 17 meses. (Foto: Paulo Francis)
De acordo com o IBGE, a carne bovina ficou mais barata pela primeira vez em 17 meses. (Foto: Paulo Francis)

Com o mercado chinês fechado, o mercado interno acabou sendo impactado e os estoques de carne nos frigoríficos causaram a maior queda do ano do preço da arroba do boi. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a carne vermelha ficou mais barata pela primeira vez em 17 meses, com uma queda de 0,31% no preço da proteína em outubro.

Dados do boletim da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) apontam que em agosto de 2021, quando os embarques para a China foram paralisados, a arroba do boi custava R$ 311 em Mato Grosso do Sul. Agora, após mais de 50 dias de bloqueio nos embarques para os chineses, a arroba do boi no Estado é encontrada pelo valor de R$ 262.

Com este cenário, a dúvida da população era se a queda de valores no produto chegaria às prateleiras. Em alguns comércios de Campo Grande, a queda no valor da arroba está animando os empresários, que garantem que a carne ficará mais barata para os consumidores.

“Na realidade, o que aconteceu é que durante os preços altos, os fornecedores estavam praticamente ‘leiloando a vaca’, o revendedor que pagasse mais ficava com o produto, e como estava caro, era inevitável repassar para os clientes”, explica Nimivy Mattos, 26 anos, proprietária de um supermercado na Avenida Guaicurus.

No momento em que falava com a reportagem, a empresária havia acabado de receber a nova tabela de preços do revendedor, e se deparou com uma diminuição de até 10% no valor dos cortes. “A picanha estava R$ 59,99 e agora está R$ 49,90, as carnes de segunda que beiravam os R$ 40, agora deve voltar para a casa dos vinte e poucos”, adiante Nimivy.

Gerente de supermercado sentiu a diminuição no valor da tabela dos cortes bovinos. (Foto: Paulo Francis)
Gerente de supermercado sentiu a diminuição no valor da tabela dos cortes bovinos. (Foto: Paulo Francis)

Em uma unidade da Rede Pires, o gerente Diego de Oliveira Rocha também notou uma diferença animadora no preço da proteína. “Teve um reajuste da tabela no início desta semana, mais precisamente no domingo, com uma redução de 3 a 5%. Em uma das lojas, por exemplo, a costela passou de R$ 23,90 para R$ 14,99”, exemplifica o gestor.

Apesar do preço dos cortes nas alturas, o açougueiro Alex Dias, 39 anos, garante que as pessoas não abriram mão do tradicional churrasquinho de domingo. “A tática dos consumidores era comprar a maior parte em carne de segunda, mas mesmo assim, em menor quantidade, eles levavam picanha, uma ponta de costela. Mas nas vendas em geral, as pessoas deixaram de comprar muita carne e trocou por frango”, diz o profissional.

Os embarques da carne bovina brasileira para a China ainda não tem uma data específica para serem retomados. Mas vale ressaltar que o País continua autorizado a vender a carne para outros países.

Apesar da suspensão de embarques para o País asiático refletir positivamente nos preços praticados no mercado interno, o Mapa também autorizou que os frigoríficos estoquem o produto parado em contêineres refrigerados pelo período de 60 dias.

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