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Economia

Cesta básica em Campo Grande chega a R$ 841 e é a 8ª mais cara do Brasil

Apesar da queda na carne, café e banana, aumentos da batata, tomate e feijão elevaram o custo em 1,73%

Por Jhefferson Gamarra | 11/06/2026 13:48
Cesta básica em Campo Grande chega a R$ 841 e é a 8ª mais cara do Brasil
Consumidora aguardando em fila de açougue da Capital (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A cesta básica ficou mais cara em todas as 27 capitais brasileiras pesquisadas em maio de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O levantamento mostra que os preços do conjunto dos alimentos básicos registraram aumento generalizado no país, refletindo a pressão exercida principalmente por produtos como batata, tomate, feijão e carne bovina.

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A cesta básica ficou mais cara em todas as 27 capitais brasileiras em maio de 2026, segundo o Dieese e a Conab. Em Campo Grande, o aumento foi de 1,73%, com custo médio de R$ 841,19, 8ª mais cara do país. Batata (46,71%), tomate (21,37%) e feijão (8,37%) puxaram a alta. O trabalhador local precisa de 114 horas de trabalho para comprar a cesta, que consome 56,10% do salário mínimo líquido.

Entre abril e maio de 2026, as maiores altas foram registradas em Recife (8,05%), Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%), Porto Alegre (7,24%), Maceió (6,68%), João Pessoa (6,22%), Natal (6,18%), Curitiba (5,91%), Aracaju (5,39%), Teresina (5,36%), Cuiabá (5,16%) e São Paulo (5,08%).

A capital paulista continuou registrando a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 952,20. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 925,49), Rio de Janeiro (R$ 914,48) e Florianópolis (R$ 913,43).

Em Campo Grande, a cesta básica passou de abril para maio com aumento de 1,73%, alcançando custo médio de R$ 841,19. O valor coloca a Capital de Mato Grosso do Sul entre as cidades com as cestas mais caras do país, ocupando a oitava posição no ranking nacional e ficando acima de capitais como Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Salvador.

Cesta básica em Campo Grande chega a R$ 841 e é a 8ª mais cara do Brasil

Na comparação com maio de 2025, a cesta básica em Campo Grande acumulou alta de 6,56%. Já no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o aumento foi de 8,41%.

Dos 13 produtos que compõem a cesta básica pesquisada na Capital, apenas três registraram aumento de preços entre abril e maio: batata (46,71%), tomate (21,37%) e feijão carioca (8,37%).

Por outro lado, dez itens apresentaram redução nos preços médios: banana (-10,84%), café em pó (-7,86%), açúcar cristal (-4,35%), manteiga (-2,23%), óleo de soja (-1,35%), leite integral (-1,32%), carne bovina de primeira (-1,11%), farinha de trigo (-0,91%), pão francês (-0,55%) e arroz agulhinha (-0,24%).

Entre os produtos que mais pesaram no aumento mensal da cesta em Campo Grande estão justamente a batata e o tomate, itens que tiveram forte valorização em diversas regiões do país devido à redução da oferta. No caso da batata, o encerramento da safra das águas e o início da colheita da safra de inverno contribuíram para a elevação dos preços. Já o tomate foi impactado pela menor oferta provocada pelo clima mais frio e pela incidência de pragas em algumas regiões produtoras.

Outro destaque na Capital foi a queda de 7,86% no preço do café em pó, a maior redução registrada entre as capitais brasileiras para esse produto no mês. Segundo o DIEESE, o avanço da colheita e as perspectivas favoráveis para a safra brasileira contribuíram para a redução dos preços.

Campo Grande também foi a única capital do país a registrar queda no preço da carne bovina de primeira em maio, com recuo de 1,11%. Nas demais cidades pesquisadas houve aumento do produto, impulsionado pela demanda externa aquecida e pela oferta restrita de animais prontos para abate.

No acumulado de 12 meses, os maiores aumentos em Campo Grande foram observados no feijão carioca (46,62%), tomate (29,93%) e batata (29,86%). Já as maiores reduções ocorreram no açúcar cristal (-22,81%), arroz agulhinha (-20,27%) e café em pó (-12,15%).

Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, os produtos que mais subiram na Capital foram tomate (92,64%), batata (80,15%) e feijão carioca (47,05%), demonstrando a forte pressão exercida pelos hortifrutigranjeiros e pelos grãos sobre o orçamento das famílias.

O impacto sobre a renda do trabalhador também foi significativo. Em maio, um trabalhador de Campo Grande remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 114 horas e 10 minutos para adquirir a cesta básica. Em abril, eram necessárias 112 horas e 13 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, a compra da cesta comprometeu 56,10% da renda mensal do trabalhador campo-grandense em maio. O percentual é superior à média nacional de 52,01% e mostra que mais da metade dos rendimentos do trabalhador que recebe o piso salarial é destinada apenas à aquisição dos alimentos básicos.

Os dados revelam que, embora a alta registrada em Campo Grande tenha sido menor do que a observada em diversas capitais brasileiras no mês de maio, o custo da alimentação segue elevado e continua consumindo parcela significativa do orçamento das famílias da Capital.