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Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

24/09/2019 15:15

Com índice negativo, inflação medida pelo IPC foi a menor em 2 anos

Resultado foi o mais baixo desde julho de 2017; combustíveis e cesta básica colaboraram em queda do percentual

Humberto Marques
Preço da gasolina em agosto foi um dos fatores a pressionar inflação para baixo. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)Preço da gasolina em agosto foi um dos fatores a pressionar inflação para baixo. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

A Capital registrou em agosto inflação negativa (deflação) de -0,25%, conforme apurado pelo Nepes (Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais) da Uniderp. O IPC-CG (Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande) foi o menor deste ano e o mais baixo desde julho de 2017, quando marcou -0,27%. Os preços dos combustíveis e de itens da cesta básica, assim como despesas com Educação e Saúde, empurraram a inflação para baixo.

O índice vai ao encontro do que havia sido indicado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês, divulgado no início de setembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

A queda, embora expressiva na comparação com outros meses, não surpreendeu. “Em 2019, a inflação tem sido muito baixa e modo geral, o que justifica o resultado. O comportamento deu um alívio financeiro aos consumidores, principalmente para aqueles que priorizam a cesta básica em suas compras”, afirmou Celso Correia de Souza, coordenador do Nepes.

O IPC-CG é composto por sete grupos, sendo que quatro registraram deflação em agosto: Alimentação (-1,58%), Transportes (-1,14%), Educação (-0,52%) e Saúde (-0,04%). Tais fatores sugerem um custo de vida menor em agosto, segundo o Nepes, que relacionou os dez itens que mais colaboraram para a deflação no mês.

Integrante do grupo Transportes, a gasolina teve a maior contribuição isolada, com queda de -3,59 e peso de -0,13% no índice. A maior queda proporcional em preços, porém, coube ao tomate (Alimentação), que teve queda de -30,77% no preço e colaborou com -0,07% na inflação.

Itens de papelaria (participação de -0,05%), camisa masculina (-0,04%), batata (queda de -10,23% e contribuição de 0,03%), short masculino (-0,03% de colaboração) e automóvel novo (-0,03%) também influenciaram o índice para baixo. Três cortes de carnes aparecem na sequência, com peso de -0,02% na inflação: alcatra, costela e contrafilé.

Choque – O Nepes listou outros dez vilões da inflação em agosto, colaborando para pressionar o índice para cima. A energia elétrica representou inflação de 3,3% e contribuição de 0,18%, graças à instituição da bandeira vermelha-patamar 1 pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nas tarifas.

O dispositivo prevê um custo extra de R$ 4 a cada 100 kWh gastos pelos consumidores, sendo adotado diante do tempo seco e das poucas chuvas, reduzindo o nível de reservatórios de hidrelétricas e forçando o acionamento de termelétricas a gás (cuja energia é mais cara).

Outros itens que pressionaram a inflação foram vestidos, com 0,02%; e cebola, maçã, calça feminina, sandália e chinelos masculinos, arroz, pão francês, sabonete e biscoito, todos com peso de 0,01% no índice.

De janeiro a agosto, a inflação acumulada foi de 2,37%, registrando recuo. Na comparação dos últimos 12 meses, também houve queda, de 3,64%, abaixo da meta de inflação de 4,25% para o ano, estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Setorizado – O Nepes também mediu a inflação a partir dos grupos. No caso da Habitação, que tem o maior peso no cálculo mensal, houve alta de 0,35%, graças ao custo mais caro da energia e de produtos de limpeza como saponáceo (1,75%) e desinfetante (1,7%). Houve quedas no álcool de limpeza (-3,26%), limpa vidros (-1,26%) e sabão em pó (-0,79%).

Na Alimentação, com segundo maior peso na formação do IPC, a deflação foi de -1,58%, graças à queda considerável em itens da cesta básica. “Alguns desses produtos aumentam de preços devido ao término das safras. Outros, diminuem. Quando o clima é desfavorável, há elevações de preços”, disse Correia. Além do tomate, o pão integral (-24,23%) e a beterraba (-20,9%) colaboraram na queda da inflação, enquanto o limão (20,18%), cebola e manga (15,26%) elevaram o percentual.

Oito dos 15 cortes de carnes pesquisados aumentaram de preço: fígado (3,13%), cupim (2,46%), vísceras (2,09%), coxão mole (1,26%), acém (0,62%), peito (0,30%), patinho (0,195) e filé mignon (0,04%). Picanha (-5,08%), contrafilé (-4,02%), costela (-3,93%), lagarto (-3,67%), alcatra (-1,8%), paleta (-0,31%) e músculo (-0,11%) ficaram mais baratos. Da carne suína, aumentaram a a bisteca (5,09%) e costeleta (0,15%), e o pernil caiu -3,82%. O frango resfriado caiu -1,85% e os miúdos de frango, -0,13%.

O grupo Transportes caiu -1,14% por conta da baixa do preço da gasolina, do automóvel 0km (-1,22%) e do diesel (-0,33%). O etanol subiu 0,02%. Educação caiu -0,52% e Saúde ficou negativo em -0,04%.

Despesas Pessoais subiram 0,04%, com altas nos preços de absorvente higiênico e produtos para limpeza de pele (2,07% cada) e baixa no creme dental (-5,22%) e fio dental (-3,37%). O grupo Vestuário também apontou alta moderada, de 0,16%, com aumento nos preços de short e bermuda feminino (3,39%), saia (2,13%) e camiseta masculina (2,02%). Camisa masculina (-4,73%), short e bermuda masculina (-4,06%) e sandália e chinelo femininos (-3,9%) tiveram as baixas mais expressivas.

O IPC-CG mede o nível da variação dos preços mensais de bens e serviços de famílias com renda de um a 40 salários-mínimos.

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