Com R$ 12,8 bilhões liberados, BNDES ajuda a financiar boom econômico de MS
Infraestrutura e indústria puxam alta do crédito e mudam perfil do desenvolvimento do Estado

O BNDES desembolsou mais da metade do montante de recursos aprovados para Mato Grosso do Sul desde 2023, distribuídos em obras de infraestrutura, projetos industriais, agropecuária e comércio e serviços. Os dados mostram que o ciclo de industrialização vivido pelo Estado já aparece nos números do banco de fomento.
RESUMO
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O BNDES desembolsou R$ 12,8 bilhões em Mato Grosso do Sul entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026, superando em 207% o valor aprovado entre 2019 e 2022. Infraestrutura liderou os repasses, com alta de 821% em cinco anos. A Fiems avalia que os recursos sustentaram a transformação econômica do Estado, mas negocia com o banco para se tornar hub de crédito regional e atender à demanda reprimida por financiamentos com juros mais baixos.
Conforme dados da plataforma do BNDES compilados pelo Campo Grande News, os desembolsos somaram uma cifra inédita de R$ 12,8 bilhões entre 2023 e o primeiro trimestre deste ano, mais da metade do total de R$ 20,5 bilhões aprovados no período. O número supera em 207,4% o valor aprovado no período imediatamente anterior, entre 2019 e 2022, quando alcançou R$ 6,67 bilhões.
Os volumes permaneceram robustos no início deste ano principalmente para os setores de infraestrutura e indústria. No primeiro trimestre de 2026, os recursos desembolsados somaram R$ 1,05 bilhão, aumento de 346,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para especialistas da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), a robustez do crédito do banco de fomento contribuiu para a transformação econômica do Estado, embora ainda seja insuficiente para atender à demanda reprimida por financiamentos com taxas de juros mais atrativas em meio ao elevado juro básico da economia, a taxa Selic.
“Os desembolsos do BNDES foram muito fortes e ajudaram a sustentar a transformação econômica de Mato Grosso do Sul. Entretanto, a busca por novas linhas de crédito indica que o setor produtivo ainda tem espaço e necessidade de ampliar a oferta de financiamento para acompanhar o ciclo de investimentos que o Estado está vivendo”, destaca Renata Farias, consultora e gestora da Fiems Conecta, agência de desenvolvimento e fomento regional da federação.
Infraestrutura como alavanca
Levantamento setorial realizado pela Fiems Conecta entre 2021 e 2025, com base nos dados do BNDES, mostra que os recursos desembolsados nos últimos cinco anos cresceram 329,5%.
No topo desses financiamentos, os projetos de infraestrutura registraram alta de 821%, passando de R$ 419 milhões, em 2021, para R$ 3,86 bilhões no ano passado. Os desembolsos para o segmento responderam por 55,1% do total de 2025, que alcançou o recorde de R$ 7 bilhões.
O crédito destinado à agropecuária aumentou 47,6% em cinco anos, saindo de R$ 786 milhões, em 2021, para R$ 1,16 bilhão em 2025, quando respondeu por 16,5% do total.
Em termos proporcionais, o setor industrial se destacou com avanço de 500% nos desembolsos do BNDES em cinco anos. O valor passou de R$ 185 milhões, em 2021, para R$ 1,11 bilhão em 2025, o equivalente a 15,8% do total do ano. Os maiores desembolsos no ano passado atenderam a indústria de material de transporte (63,2%) e de alimentos e bebidas (25,2%). Em 2021, as liberações de crédito estavam concentradas na indústria de celulose e papel (51%) e de alimentos e bebidas (31%).
O crédito para a área de comércio e serviços cresceu 263%, passando de R$ 243 milhões para R$ 882 milhões no ano passado, quando respondeu por uma fatia de 12,6% dos desembolsos concedidos.
Nova pauta
Na avaliação da consultora da Fiems, os desembolsos são coerentes com o movimento de grandes investimentos privados em andamento no Estado, principalmente da indústria da celulose, além dos setores de logística, energia e biocombustíveis. Ela ressalta ainda a construção de infraestrutura associada à Rota Bioceânica, corredor rodoviário de integração de aproximadamente 2.400 quilômetros que, do lado brasileiro, ligará Mato Grosso do Sul aos oceanos Atlântico e Pacífico.
“A Fiems tem destacado que 2025 foi um ano de recorde de exportações industriais, expansão do emprego industrial, atração de investimentos e fortalecimento da competitividade do Estado”, analisa Renata Farias.
Hub de crédito
Diante desse cenário e de demanda reprimida por financiamentos com taxas de juros mais atrativas frente à elevada taxa básica de juros da economia, a Selic, a Fiems iniciou, em maio deste ano, negociações com o BNDES para se tornar “o hub de conexão da instituição financeira em Mato Grosso do Sul, com condições diferenciadas para a indústria”, segundo disse.
“Apesar do crescimento dos desembolsos, a federação entende que ainda existe demanda reprimida por financiamento. Embora haja recursos disponíveis, muitos empreendimentos ainda não conseguem acessar crédito com taxas de juros reduzidas.”
Sob essa ótica, a especialista destaca a importância desses avanços para assegurar a competitividade do setor produtivo no longo prazo.
“Quando o crédito migra de uma predominância agropecuária para infraestrutura e indústria, normalmente estamos diante de uma economia que está se sofisticando”, destaca. “Mato Grosso do Sul está vivendo um ciclo de investimentos nesses setores. Por isso, a demanda continua crescente”, acrescenta.
O entendimento é de que as necessidades de inovação tecnológica, eficiência energética e sustentabilidade da indústria aumentam e aceleram a demanda por financiamento mesmo em um cenário de juros elevados. “Por isso, linhas do BNDES com taxas reduzidas são tão atrativas”.


