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Economia

Comida, peças e itens de limpeza: veja quais preços podem disparar com a guerra

Cada item pode sofrer impacto conforme o contexto do dólar, demanda interna, exportação e importação

Por Izabela Cavalcanti e Geniffer Valeriano | 31/03/2026 12:12
Comida, peças e itens de limpeza: veja quais preços podem disparar com a guerra
Foto geral de supermercado mostra bebidas e frutas (Foto: Osmar Veiga)

Os reflexos do conflito no Oriente Médio já começam a atravessar continentes e devem chegar com força ao carrinho de compras. Na prática, a alta nos custos logísticos e de produção pode encarecer uma série de produtos do dia a dia.

RESUMO

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O conflito no Oriente Médio provoca alta nos custos logísticos e de produção, encarecendo produtos como alimentos, higiene, fertilizantes e combustíveis. A valorização do dólar e o reajuste do diesel pressionam o frete e os preços finais. Em Mato Grosso do Sul, o governo reduziu o ICMS do diesel para conter danos econômicos. Além disso, o aumento das exportações agrícolas para a região e a alta nos insumos químicos industriais podem gerar desabastecimento e inflação no mercado interno.

Entre os itens estão: fertilizantes, máquinas agrícolas, embalagens, roupas, brinquedos, carrinhos de bebê, ferro, aço e peças automotivas.

Em outro contexto, também podem ser afetados alimentos básicos e industrializados, como milho, carne, óleo e açúcar. Também entram na lista produtos de higiene, limpeza, como fraldas, papel higiênico, sabões e cosméticos.

Tudo é um contexto de cenário: dólar, demanda interna, transporte. Na segunda-feira (30), o dólar fechou em alta de 0,12%, sendo cotado a R$ 5,24, justamente puxado pela alta do petróleo e pela tensão no Oriente Médio.

Um dos principais motores desse encarecimento é o diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias.

Em Mato Grosso do Sul, o aumento já é significativo: o reajuste médio chegou a 21% desde o início do ano. Para tentar conter os efeitos dessa alta, o governador Eduardo Riedel anunciou a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel por um período de dois meses. A medida deve gerar um impacto estimado de R$ 60 milhões aos cofres públicos.

Outro item que preocupa é o gás de cozinha. De acordo com o Sinergás ((Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste), o botijão de 13 quilos pode ter aumento entre R$ 5 e R$ 8 já a partir desta terça-feira (31), pressionando ainda mais o orçamento das famílias.

A empresa Moeve, multinacional espanhola de insumos químicos, informou aos fabricantes brasileiros que o preço do ácido sulfônico linear vai aumentar em US$ 915, o que representa R$ 4.812 a tonelada a partir de abril. O produto é o componente-base na fabricação de detergentes, sabão em pó e limpadores multiuso.

Comida, peças e itens de limpeza: veja quais preços podem disparar com a guerra
Arte: Peterson Couto

Análise - Segundo o economista Márcio Coutinho, o equilíbrio entre oferta e demanda é o principal fator que determina se um produto ficará mais caro ou mais barato.

“O que faz um determinado ativo subir ou cair de preço é a procura e a oferta; o excesso de procura faz o preço do produto subir, e a escassez de oferta também faz o preço do produto subir”, pontuou.

Outro ponto importante está relacionado ao câmbio. A valorização do dólar, comum em cenários de instabilidade internacional, impacta diretamente o custo de produtos que vêm de fora.

“Com relação às importações, se o dólar for influenciado para cima, o dólar ficar mais caro, obviamente os produtos importados ficarão mais caros para quem está importando. Com o lado das exportações, o dólar alto beneficia os exportadores”, completou.

Os efeitos já começam a ser sentidos no dia a dia, especialmente no preço dos combustíveis, que têm influência direta do cenário externo. “Uma coisa que a gente já consegue perceber é o preço do combustível, já está subindo, e vai impactar toda a cadeia de escoamento de produção. Em nossos produtos, a principal base de escoamento é através do modal rodoviário, ou seja, combustível mais caro, frete vai ficar mais caro e a tendência é passar para o preço final do produto que o consumidor vai encontrar nos supermercados, por exemplo”.

Por fim, o economista chama atenção para o efeito das exportações no abastecimento interno. A busca por melhores preços no mercado internacional pode influenciar diretamente o que chega às prateleiras brasileiras.

“Com relação aos produtos exportados, se por acaso tiver uma redução nas exportações, isso pode abastecer o mercado interno, ou seja, quem está exportado vai sempre procurar o melhor preço. A ideia é se exportar mais coisas, vai faltar aqui para nós? Esse é o questionamento, o que vai acontecer com o mercado interno. Se aumentar, a ponto de influenciar o mercado interno, obviamente o preço internamente que vai subir”, finalizou.

Na prática, em outras palavras, isso significa que quando outros países começam a comprar mais produtos do Brasil, pode sobrar menos desses itens para o mercado interno e isso pode fazer os preços subirem.

Dados da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) mostram que em comparação a 2024, MS exportou mais milho (485,08%), mais carne suína (67,29%), outras carnes e miudezas comestíveis (199,49%).

No dia a dia - Nas prateleiras dos supermercados, alguns já percebem mudanças no valor dos alimentos, outros ainda sentem os efeitos de forma mais indireta.

A comerciante Renata Oliveira, de 50 anos, dona de uma marmitaria, relata que o custo dos ingredientes já subiu de forma significativa. “Subiu arroz, feijão, teve coisa que teve alta de mais de 5, de 6 reais”, disse.

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Renata falando sobre aumento no preço dos alimentos (Foto: Osmar Veiga)

Mesmo diante do aumento, ela ainda tenta evitar repassar os custos aos clientes. “Estou dando uma segurada ainda, mas vai chegar um limite que vai ter que repassar”, completou.

Ela também percebe mudanças no comportamento dos clientes, que já estão consumindo menos. “Geralmente dão uma afastada, uma sumida aqueles que era semanal que compra frango assado, já é uma vez no mês, já começaram a sumir.”

Já a professora Kelly Viana, de 43 anos, ainda não percebeu aumento direto nos alimentos. "Por enquanto, pelo que eu estou sabendo, é só a gasolina mesmo".

Comida, peças e itens de limpeza: veja quais preços podem disparar com a guerra
Kelly dando entrevista enquanto segura produto de limpeza (Foto: Osmar Veiga)

Apesar disso, ela reconhece que os preços já estão elevados há algum tempo. “Já está tudo caro mesmo por causa da inflação e agora falam que tal produto vai subir por causa da importação, porque vai fechar, os navios não vão poder passar e os alimentos não vão poder nem ir e nem vir", ressaltou.

Para tentar se prevenir, Kelly já pensa em estratégias de economia doméstica.
 "Armazenamento. Comprar tipo se compra três fardos de arroz. Tem que comprar uns dois a mais."

Entre os empresários, a expectativa também é de aumento generalizado. Gildvan de Jesus, de 55 anos, acredita que os reajustes devem atingir diversos itens da cesta básica. "Acho que quase todas as coisas da cesta básica, porque isso tudo depende do frete."

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Gildvan saindo do supermercado com três sacolas de compras (Foto: Osmar Veiga)

No setor em que atua, ele já recebeu avisos de fornecedores sobre reajustes iminentes. "Todos os nossos fornecedores já estão mandando avisar que vai subir os preços das rações, dos acessórios, tudo vai subir por causa da guerra”, comentou.

No dia a dia, a alternativa tem sido buscar promoções e diz já observar aumentos expressivos em alguns produtos. “Carne, ovo. O ovo que a gente pagava 17, está pagando quase 30 reais na cartela, 20 e pouco, 21, 22 reais."

Exportações X importações - Ainda conforme dados da Semadesc, entre os 10 principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul ao Oriente Médio no ano passado, estão: milho não moído, com US$ 186,85 milhões exportados; carne bovina fresca, US$ 153,29 milhões; celulose, US$ 109,69 milhões; carnes de ave, US$ 68,10 milhões; carne suína, US$ 7,89 milhões; outras carnes e miudezas comestíveis, US$ 3,58 milhões; soja, US$ 53,05; açúcares e melaços, US$ 45,37; farelos de soja e outros alimentos para animais, US$ 2,32; e óleos e gorduras animais, US$ 0,81.

Do lado das importações estão: adubos ou fertilizantes químicos, com volume de US$ 1,85 milhão; polímeros de estireno, US$ 850 mil; motores e máquinas não elétricos e suas partes, US$ 420 mil; produtos residuais de petróleo e materiais relacionados, US$ 230 mil; outras matérias plásticas em formas primárias, US$ 160 mil; veios de transmissão e manivelas, engrenagens, rodas de fricção, volantes, polias, embreagens, elos articulados e suas partes, US$ 120 mil; máquinas agrícolas (com exceção dos tratores) e suas partes, US$ 120 mil; tecidos de malha, US$ 80 mil; carrinhos de bebê, brinquedos, jogos e artigos esportivos, US$ 40 mil; obras de ferro ou aço e outros artigos de metais comuns, US$ 30 mil.

Em geral, as exportações de Mato Grosso do Sul para o Oriente Médio atingiram o valor de US$ 632,26 milhões em 2025, valor 11,71% superior ao registrado em 2024, quando foram exportados US$ 565,98 milhões.

O ano de maior valor exportado para o Oriente Médio foi o de 2022, com valor igual a US$ 717,40 milhões. Já o ano de menor valor exportado foi 1997, com valor igual a US$ 271,99 mil.

Em relação aos 2 primeiros meses deste ano, as exportações de Mato Grosso do Sul para o Oriente Médio foram US$ 114,18 milhões.

Já sobre as importações de Mato Grosso do Sul originadas no Oriente Médio, o valor atingiu US$ 4,01 milhões, 94,32% inferior ao registrado em 2024 (US$ 70,76 milhões).

O ano de maior valor importado do Oriente Médio foi o de 2022, com valor igual a US$ 71,69. Já o ano de menor valor importado foi 1999, com valor igual a US$ 175,72 mil. Entre janeiro e fevereiro, as importações de Mato Grosso do Sul chegaram a US$ 22,91 mil.

No ano passado, o Oriente Médio foi responsável por absorver 5,24% das exportações do Estado, sendo o 6º principal bloco econômico de destino das exportações.

Comida, peças e itens de limpeza: veja quais preços podem disparar com a guerra
Corredor de estabelecimento com produtos de limpeza (Foto: Paulo Francis)

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