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Economia

Cota uruguaia pode ampliar espaço para carne de MS chegar à China

Brasil já esgotou limite de 2026 e uso do saldo ainda depende de aval chinês

Por Gustavo Bonotto | 21/09/2026 20:30
Cota uruguaia pode ampliar espaço para carne de MS chegar à China
Rebanho bovino produto de cruzamento indusrial, criado a pasto em fazenda de Miranda. (Foto: Arquivo/Embrapa)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Uruguai autorizou o Brasil a usar parte do saldo de sua cota de exportação de carne bovina para a China. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (21) depois de uma reunião com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York (EUA), durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

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Lula anunciou nesta segunda-feira (21), após reunião com o presidente uruguaio Yamandú Orsi em Nova York, que o Uruguai autorizou o Brasil a usar parte de sua cota de exportação de carne bovina para a China. A medida pode beneficiar frigoríficos de Mato Grosso do Sul, cujas exportações ao país asiático caíram 78,4% entre julho e agosto. O aproveitamento depende da aprovação chinesa e o impacto em 2026 deve ser limitado, segundo a Abiec.

A alternativa pode ampliar os embarques brasileiros, inclusive de frigoríficos de Mato Grosso do Sul, que reduziram as vendas ao mercado chinês nos últimos meses.

O Brasil já consumiu a cota de 1,106 milhão de toneladas reservada ao país para 2026. A China aplica uma tarifa adicional de 55% sobre a carne que ultrapassa o limite, o que reduziu a competitividade dos embarques fora da cota. O aproveitamento do volume ainda disponível ao Uruguai, porém, depende da concordância do governo chinês e não teve quantidade divulgada.

A restrição atingiu diretamente o mercado sul-mato-grossense. As exportações de carne bovina do Estado para a China caíram 78,4% em volume entre julho e agosto, de 11,29 mil para 2,43 mil toneladas. No mesmo intervalo, todos os embarques do produto recuaram 27,3%, de 30,25 mil para 21,98 mil toneladas.

Os efeitos apareceram antes mesmo de o Brasil alcançar o teto anual. Em julho, quando o país havia utilizado cerca de 80% da cota, a Iguatemi Beef, em Iguatemi, e uma unidade da JBS em Campo Grande adotaram férias coletivas diante da redução no ritmo de produção. O Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul) confirmou na época o impacto da limitação sobre frigoríficos instalados no Estado.

Apesar da possibilidade de aproveitar o saldo uruguaio, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) prevê efeito limitado ainda em 2026. Segundo a entidade, a negociação com a China e o tempo necessário para preparar, embarcar e transportar a mercadoria reduzem a janela disponível até o fim do ano. A associação considera a medida mais relevante para manter alternativas de acesso ao principal comprador da carne brasileira.

A preocupação já se estende a 2027, quando o Brasil terá direito a uma cota de 1,128 milhão de toneladas. A Abiec avalia que, mantido o atual ritmo de vendas, esse volume poderá ser consumido nos primeiros meses do próximo ano. Por isso, o setor defende mecanismos que permitam distribuir os embarques ao longo do período e evitem uma nova interrupção no fluxo comercial.