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Comportamento

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique

Zootecnista iniciou transformando restos de comida em adubo e hoje cultiva milhares de espécies na Capital

Por Amanda Ferreira | 06/11/2026 05:10
Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Henrique começou criando minhocas há 12 anos para transformar restos de alimentos em adubo natural (Foto: Amanda Ferreira)

De um lado, minhocas gigantes africanas que parecem macarrão. Do outro, plantas raras, folhas com desenhos que lembram pinturas e orquídeas que são símbolo de Campo Grande. É nesse universo que Henrique Azevedo, de 41 anos, passa boa parte dos dias. Zootecnista de formação, ele começou criando minhocas para transformar restos de alimentos em adubo e acabou construindo um negócio que reúne cerca de 17 mil plantas e vasos, além da produção de minhocas.

A história começou há 12 anos, quando Henrique decidiu encontrar uma maneira de aproveitar os resíduos produzidos dentro de casa. Cascas de frutas, restos de verduras, legumes, erva de tereré e borra de café, que normalmente iriam para o lixo, passaram a ter outro destino.

 “Eu não me conformava que a gente produzia resíduos em casa e tinha que colocar para o caminhão da coleta levar todos os dias”, relembra.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Minhocas gigantes africanas criadas por Henrique são utilizadas na produção de adubo natural e vendidas como iscas para pescaria (Foto: Amanda Ferreira)

Foi assim que as minhocas entraram na história. Henrique começou a trabalhar com vermicompostagem, técnica que utiliza esses animais para transformar resíduos orgânicos em húmus, um adubo natural usado no cultivo de plantas.

“Nós utilizamos uma técnica que tem a minhoca como protagonista. Elas consomem esse material e produzem um húmus de minhoca”, explica.

Hoje, a criação continua sendo uma das atividades do empreendimento. Entre as espécies estão a vermelha da Califórnia e a gigante africana, que chama a atenção pelo tamanho. Além da produção de adubo, o local também comercializa as minhocas como iscas vivas para pescadores.

“Essa minhoca produz um húmus de alta qualidade, mas é muito procurada por pescadores para isca viva”, conta Henrique, enquanto apresenta os animais.

Mas o trabalho não fica restrito à criação. Henrique também leva o conhecimento para escolas, onde ensina crianças a aproveitar os resíduos orgânicos por meio da compostagem doméstica.

A ideia é mostrar que aquilo que costuma ir para o lixo pode ganhar outra utilidade. “A gente tem uma preocupação em levar esse conhecimento para as pessoas darem o destino correto para os seus resíduos”, afirma.

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A paixão pelas plantas veio junto com a criação de minhocas. Formado em Zootecnia pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em 2008, Henrique sempre gostou de cultivar espécies ornamentais. Há cerca de 8 anos, começou a comprar orquídeas para a própria coleção, mas o hobby cresceu.

“Sempre gostei muito de plantas, a vida inteira. Comecei a comprar uma ou outra orquídea para colecionar, para cultivar em casa. E aí o negócio foi tomando uma proporção”, relembra.

Com o aumento da produção, surgiu a necessidade de reunir tudo em um único espaço. Assim nasceu o Garden Azevedo, que concentra o orquidário, a comercialização de plantas ornamentais e o trabalho com paisagismo.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Monstera Thai Constellation chama a atenção pelas manchas brancas nas folhas e é muito procurada por colecionadores (Foto: Amanda Ferreira)

Segundo Henrique, são aproximadamente 10 mil plantas no orquidário e mais de 7 mil vasos na loja. Parte das espécies é produzida por ele, enquanto outras precisam ser multiplicadas em laboratórios especializados.

Pelo Jardim - Entre as plantas que mais chamam a atenção está a Monstera Thai Constellation, uma variedade de costela-de-adão com manchas claras espalhadas pelas folhas verdes. A aparência diferente faz dela uma das queridinhas dos colecionadores.

“Ela tem essa variegação, essas cores brancas nas folhas, que fazem dela uma planta diferenciada e muito buscada por colecionadores”, explica Henrique.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Orelha-de-elefante variegata é uma das plantas raras cultivadas por Henrique, conhecida pelo tamanho e pelas cores das folhas (Foto: Amanda Ferreira)

Outra raridade é a orelha-de-elefante variegata, conhecida pelas folhas grandes e pela mistura de cores. O nome vem justamente do formato da folhagem, que lembra a orelha do animal. No mesmo espaço, Henrique cultiva pelo menos 15 variedades de colocácias, incluindo a máscara de faraó, com nervuras escuras que parecem saltar das folhas.

“É como se fosse um 3D. É uma planta ornamental que a gente pode ter em casa, em vasos, muito fácil de cuidar”, descreve.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Colocácia máscara de faraó chama a atenção pelas nervuras escuras e pelo efeito em 3D nas folhas, que parecem ter sido desenhadas à mão (Foto: Amanda Ferreira)

As colocácias também incluem a variedade Redemption, que apresenta uma coloração avermelhada nas folhas. Já os caládios chamam a atenção pela variedade de tons e desenhos. Henrique lembra que essas plantas eram comuns nos quintais das avós, mas ganharam novas aparências com cruzamentos e técnicas de melhoramento.

“A gente consegue chegar a essa variedade incrível de cores, tonalidades e formatos, cada uma com sua peculiaridade”, destaca.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Colocácias de folhas escuras, quase pretas, estão entre as variedades ornamentais cultivadas por Henrique no Garden Azevedo (Foto: Amanda Ferreira)

As orquídeas também ocupam um lugar especial na história do empreendimento. Entre elas está a Cattleya nobilior, considerada a flor simbólica de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Henrique cultiva a espécie e promove uma exposição anual em agosto, período de floração. “A gente faz uma exposição aqui uma vez por ano para comemorar a época de floração dessas orquídeas”, explica.

Para manter tantas espécies, o trabalho vai muito além de regar os vasos. Henrique precisa acompanhar a produção, atender clientes, elaborar projetos de paisagismo e buscar novas variedades. Algumas plantas são tão difíceis de encontrar que precisam ser produzidas em laboratórios de São Paulo.

Minhocas gigantes são só o começo das surpresas no jardim de Henrique
Algumas das plantas comercializadas por Henrique precisam ser produzidas em laboratórios especializados devido à dificuldade de multiplicação (Foto: Amanda Ferreira)

“A gente tem plantas que são difíceis de encontrar em outros locais. Algumas nós produzimos para que o pessoal de Campo Grande não precise comprar de fora”, conta.

Além das plantas ornamentais, Henrique também aposta no cultivo de guavira, fruta típica do Cerrado e muito conhecida em Mato Grosso do Sul. Neste ano, o Garden Azevedo está produzindo cerca de 3 mil mudas, vendidas a R$ 48 cada. A procura é tanta que clientes de São Paulo já compraram 12 delas.

“Era uma frutífera comum no Cerrado, mas, com o avanço das cidades e das monoculturas, essas plantas nativas estão se perdendo”, explica. Para ele, produzir as mudas também é uma forma de valorizar a espécie. “O pessoal fica doido por guavira”, conta.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho de Henrique pode acompanhar os perfis no Instagram: @gardenazevedo, @orquidarioazevedo e @minhocarioazevedo. O Garden está localizado na Rua do Marco, nº 777, Bairro Vilas Boas.

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