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Economia

Credores aprovam plano de R$ 40 milhões para livrar São Bento da falência

Rede vai usar imóveis para quitar dívidas em plano de recuperação judicial

Por Aline dos Santos | 16/06/2021 11:17
Farmácia São Bento na Rua Ceará, em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)
Farmácia São Bento na Rua Ceará, em Campo Grande. (Foto: Henrique Kawaminami)

Medida para salvar a rede São Bento, o plano de recuperação judicial foi aprovado ontem (dia 15) na assembleia geral de credores do Grupo Buainain. Em 2015, ano do pedido de recuperação, a dívida era de R$ 73,9 milhões. Contudo, o valor aprovado na reunião foi de R$ 40 milhões.

Realizada da forma virtual, sob a coordenação da administradora judicial Real Brasil Consultoria, a reunião contou com 304 representantes de credores aptos a votar.   Deste total, 288 aprovaram, 16 rejeitaram a proposta e um se absteve de votar.

"São 1359 credores, que poderão receber seus créditos”, anota o advogado Felipe Gonçalves Calvoso. um dos representantes legais da São Bento.

Definição - Os votantes são representantes de quatro classes: trabalhistas, garantia real, quirografários (sem garantia e no fim da lista de recebimento) e micro e pequena empresa.

Durante a assembleia, o plano de recuperação foi apresentado como legal, equitativo e viável para a maioria dos credores. “Sendo que a não aprovação do plano culminará fatalmente na falência das empresas”.

Atualmente, o grupo tem duas farmácias em atividade, sem condições de sanar as obrigações com recursos financeiros. Desta forma, vai disponibilizar imóveis (ativo patrimonial) para atender os credores.  Imóveis eventualmente ocupados serão liberados em no máximo 30 dias para efetivar o pagamento.

Resultado da votação do plano de recuperação, aprovado ontem por credores. (Foto: Reprodução)
Resultado da votação do plano de recuperação, aprovado ontem por credores. (Foto: Reprodução)

A rede de farmácias foi fundada em 1978, quando abriu a primeira loja em Campo Grande. Em 2015, quando recorreu à recuperação judicial, o grupo tinha 1,2 mil funcionários em 80 lojas.

De acordo com Fernando Abrahão, representante da administradora judicial nomeada Real Brasil Consultoria, a proposta aprovada é um contrato entre credores e devedor para o pagamento da dívida. A próxima etapa é submeter o plano de recuperação ao juiz da Vara de Falências e Recuperações de Campo Grande. Após prazo para recursos, o plano deve ser cumprido.

“Na sequência, caberá às empresas do Grupo São Bento cumprirem rigorosamente o plano sob pena de ser decretada a falência na forma da lei. E já não era sem tempo. Essa recuperação  se delonga há quase seis anos. Como administrador judicial e fiscal, manterei a rígida fiscalização ao cumprimento até que todos os credores sejam satisfeitos no limite do que foi deliberado em assembleia”, diz Fernando Abrahão.

Sobre a diferença entre o valor da dívida em 2015 e o aprovado ontem, o representante da administradora judicial informa que na ata só constam os créditos que se habilitaram para votar.

“Infelizmente, numa recuperação tão longa como essa é natural que credores, desacreditados com a solução da dívida, percam o interesse em deliberar sobre seus crédito, seja pelo valor envolvido, seja pela por não acreditar numa solução”, diz.

Carlos Almeida, outro advogado da São Bento, informou que após levantamento preliminar da situação, percebeu-se a necessidade de um novo plano de recuperação.

“Decidimos interpor pela empresa São Bento novo Plano de Recuperação Judicial, disponibilizando o patrimônio da empresa e bens dos sócios a fim de honrar com os credores, resguardar o fisco e os demais credores extraconcursais”, declarou em nota à imprensa.

Para Luiz Fernando Buainain,  executivo do grupo farmacêutico, “essa decisão de ontem prova que a empresa sempre fez questão que fosse aprovado o plano para honrar com seus credores, haja vista que são credores de um bom relacionamento há muito tempo e queríamos a solução”.

(Matéria editada às 13h02 para acréscimo do posicionamento da São Bento)

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