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Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

29/08/2019 12:36

São Bento vende prédio, mas dinheiro é retido e ex-funcionários não recebem

A empresa está em recuperação judicial desde 2015, medida legal para evitar a falência

Aline dos Santos
Farmácia na Rua 14 de Julho foi vendida por R$ 807 mil e dinheiro está depositado em juízo. (Foto: Kisie Ainoã)Farmácia na Rua 14 de Julho foi vendida por R$ 807 mil e dinheiro está depositado em juízo. (Foto: Kisie Ainoã)

A rede de farmácias São Bento tem a perspectiva de oxigenar o caixa com a venda de imóvel na Rua 14 de Julho, Centro de Campo Grande, por R$ 807 mil. Contudo, aguarda que a Justiça autorize o uso do dinheiro. O plano é destinar o valor para fluxo de caixa, mercadorias e pagamentos trabalhistas.

Ex-funcionários acionaram a Justiça do Trabalho para cobrar as verbas rescisórias. Ontem (dia 28), a audiência de conciliação terminou sem acordo por falta de dinheiro.

Com uma história que começou em 1978, quando o patriarca Adib Assef Buainain fundou a primeira farmácia São Bento em Campo Grande, a empresa está em recuperação judicial desde 2015, medida legal para evitar a falência.

De acordo com o advogado Thiago de Almeida Inácio, que atua no processo de recuperação judicial, em trâmite na Vara de Falências, Recuperações, Insolvências e Cartas Precatórias Cíveis de Campo Grande, o imóvel na Rua 14 de Julho foi vendido em pregão presencial realizado em 18 de julho.

Primeiro, a proposta foi de pagamento parcelado, que precisaria de autorização da administradora judicial e do MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) contudo, na sequência, o comprador fez o pagamento à vista.

“O valor está depositado nos autos da recuperação judicial, mas não foi liberado pelo juiz ainda. Há diligências para ser cumpridas, como ouvir o administrador judicial. Não recebemos o dinheiro da venda, por isso não foi feita proposta de acordo e os trabalhadores demitidos não foram pagos”, afirma o advogado.

A Real Brasil, administradora judicial, é contra a liberação dos recursos porque a São Bento não tem fornecido os documentos necessários.

O Campo Grande News apurou que são 50 ex-funcionários. Advogado de 15 demitidos, Bruno Luiz de Souza Nabarrete afirma que como não houve acordo, o processo segue concluso para sentença da Justiça do Trabalho. “Por se tratar de matéria de direito, que não depende de provas, o processo vai concluso para sentença. Depois, vai ter que habilitar esse crédito na recuperação judicial”, diz.

Os demitidos trabalhavam em farmácias que foram fechadas. “De fato, houve fechamento de algumas lojas no intuito de manter a saúde financeira da rede. São lojas que não tinham retorno e foram fechadas para que pudessem ajudar no funcionamento das demais”, afirma Thiago de Almeida Inácio.

Em 2015, ao pedir recuperação judicial, o Grupo Buainain informou dívidas de R$ 73,9 milhões. O valor atualizado do débito não foi divulgado porque o plano de recuperação não foi homologado, devido a um recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O Campo Grande News também pediu posicionamento do setor de marketing da São Bento, sem retorno até a publicação da matéria. 

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