De olho no futuro, empresários de MS vão à China atrás de tecnologia e negócios
Soja, celulose e carne bovina lideram exportações para o país asiático
Empresários de Mato Grosso do Sul vão à China e à Coreia do Sul em busca de soluções que possam ser aplicadas diretamente nas indústrias do Estado. A intenção é encontrar equipamentos, matérias-primas, tecnologias e novos fornecedores capazes de melhorar processos industriais, além de criar conexões que ajudem a ampliar as importações e preparar empresas para aumentar as exportações.
RESUMO
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Uma delegação de 50 empresários de Mato Grosso do Sul, coordenada pela Fiems, visitará a China e a Coreia do Sul entre 14 e 24 de outubro. A missão busca modernizar a indústria estadual por meio de novas tecnologias, equipamentos e parcerias comerciais. O roteiro inclui a feira Canton Fair e visitas a polos de inovação e varejo. O objetivo é aumentar a competitividade e ampliar as relações com a China, principal destino das exportações de soja, celulose e carne bovina do Estado.
A missão internacional, coordenada pela Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) e com parceria do Sebrae, terá 50 participantes e será realizada entre os dias 14 e 24 de outubro. A delegação reúne empresários de diversos setores, como metal, têxtil, gráfico, alimentos, tecnologia, laticínio e construção civil.
Na China, a programação inclui a feira Canton Fair, em Guangzhou, com foco na aproximação dos empresários com mercados que exercem influência direta sobre a indústria, o comércio e a inovação em escala global.
O responsável pelas Relações Internacionais da Fiems, Aurélio Rocha, explica a importância da missão empresarial.
“Como a feira é muito setorial acaba atendendo a demanda da indústria de Mato Grosso do Sul. Vamos levar os nossos empresários, delegação de 50 pessoas para visitar os estandes e fazer negócios”, pontuou.
Além da busca por novos negócios, a viagem tem como objetivo apresentar aos empresários, experiências que já resultaram em mudanças nos processos produtivos.
“Temos vários cases de sucesso de empresários que importaram equipamentos, que melhoraram seus processos. Além de ir para a feira, vamos visitar empresas que são referência no mundo”, destacou.
A modernização também é colocada como uma necessidade diante do cenário de maior competitividade enfrentado pelas empresas. Para a indústria, conhecer tecnologias e processos utilizados em mercados mais avançados pode ajudar na busca por produtividade e redução de custos.
“O mundo está muito mais competitivo, o empresário para conseguir competir com juros altos, com todas as dificuldades, precisa se posicionar mais, que ele enxergue essa feira como oportunidade para ganhar eficiência”, destacou.
A aproximação comercial também será formalizada durante a viagem. Está prevista a assinatura de um protocolo de intenções entre a Fiems e a Federação de Guangzhou, visando estreitar o relacionamento entre as instituições e criar novas oportunidades para a realização de negócios.
Depois da China, a delegação segue para a Coreia do Sul. A agenda no país será voltada a pesquisa, tecnologia, design e gestão em produtos, marcas e empresas de alcance mundial.
A escolha do destino está relacionada principalmente à busca por referências em inovação e às tendências utilizadas no varejo. A ideia é observar modelos e tecnologias que estão na ponta e avaliar como esse conhecimento pode ser levado para as empresas de Mato Grosso do Sul.
“Vamos visitar a Coreia do Sul, porque a Coreia do Sul é um dos maiores polos de inovação do planeta, escolhemos por uma questão de varejo, é o país mais avançado em tendências de varejo. Nós queremos mostrar a ponta”.
Para os empresários que participam da missão, a experiência internacional também representa uma oportunidade de enxergar novas possibilidades para os próprios negócios. É o caso de Silvana Gasparini, proprietária da Imbaúba, do setor de laticínio.
A empresária considera que a participação em uma missão internacional pode transformar o contato com outros mercados em oportunidades concretas para a indústria.
“Participar de uma missão como indústria é transformar uma viagem em uma oportunidade de negócios. Vamos buscas conexões, novas oportunidades, conhecer um mundo que está bem mais desenvolvido que o nosso para ter visão de futuro”, destacou.
Para ela, o contato com novas tecnologias, processos e mercados pode contribuir para o desenvolvimento da indústria sul-mato-grossense de maneira mais ampla.
“Vejo isso não como um bem para a minha empresa, mas para a indústria de Mato Grosso do Sul como um todo. É um passo importante que a gente dá, mesmo para quem não vai começar a exportar agora é um passo que dá em direção ao crescimento”, disparou.
Segundo Silvana, a variedade de soluções disponíveis no mercado chinês pode atender desde necessidades específicas de uma indústria até projetos de preparação para futuras exportações.
“A China trabalha com tudo, ela faz até robô, pronto para customizar a sua empresa, a sua indústria, e aí pode ver também a possibilidade de compra de matéria-prima, no caso de peças de equipamentos, matéria prima que. E também preparar a indústria para poder exportar para a China em um futuro bem próximo”, finalizou.
China já é um dos principais mercados de MS
A busca por novos negócios ocorre em uma relação comercial que já movimenta bilhões de dólares entre Mato Grosso do Sul e a China. Conforme informações da Fiems, o Estado é o 9º brasileiro que mais exporta para o país asiático.
No ano passado, as exportações de Mato Grosso do Sul para a China somaram US$ 4,78 bilhões, valor equivalente a 5% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado chinês.
A soja lidera as vendas, com US$ 2,1 bilhões, o equivalente a 44% das exportações sul-mato-grossenses para o mercado chinês.
Na sequência está a celulose semibranqueada ou branqueada, com US$ 1,74 bilhão, representando 36% das exportações de MS. Na prática, quase metade de toda a celulose desse tipo que o Brasil vende para a China tem origem em Mato Grosso do Sul.
A carne bovina desossada e congelada alcançou US$ 785 milhões, equivalentes a 16% das vendas de MS para a China.
Além de exportar para o mercado chinês, Mato Grosso do Sul também possui uma relação significativa de importação com o país asiático. O Estado é o 15º brasileiro que mais importa da China, respondendo por 28% de tudo que o Estado importa.
Em 2025, as importações sul-mato-grossenses provenientes da China somaram US$ 746,5 milhões.
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