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Esportes

“Preto safado”: árbitro relata injúria contra colega que pegou arma durante jogo

Súmula detalha xingamentos, invasão e versão da arbitragem para uso de arma durante jogo do sub-12

Por Gabriel Neris e Izabela Cavalcanti | 28/09/2026 11:27


RESUMO

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Um árbitro auxiliar de futsal sub-12 sacou uma arma de fogo durante partida da II Copa ABC, em Campo Grande, após ser alvo de ofensa racista e sentir-se ameaçado por homens que invadiram a quadra, segundo a súmula do jogo. O árbitro Genésio Bonfim, que também é policial militar, foi afastado do torneio. A organização decidiu proibir a presença de torcedores nos jogos seguintes.

A confusão que terminou com arma de fogo em punho durante partida de futsal sub-12, em Campo Grande, começou com xingamentos da arquibancada e incluiu uma ofensa racista contra um dos árbitros, segundo relato registrado na súmula da partida. O documento detalha a versão da equipe de arbitragem para os momentos que antecederam a invasão da quadra e o momento em que o árbitro auxiliar Genésio Bonfim, que também é policial militar, buscou uma arma em sua mochila.

O episódio ocorreu na manhã de sábado (26), durante a partida entre Mussi Sports e Escola Batista, pela II Copa ABC de Futsal, no ginásio do Colégio ABC. O jogo estava 1 a 0 para o Batista quando foi interrompido. Depois da confusão, a organização decidiu realizar o restante da competição com portões fechados e afastar Genésio da arbitragem do torneio.

A súmula é assinada pelo árbitro principal Gabriel Augusto Afonso Cantero. Segundo ele, aos 9 minutos e 12 segundos da segunda etapa, paralisou a partida depois de ouvir da torcida do Mussi xingamentos como “juiz ladrão”, “juiz babaca” e “juiz filho da puta”.

O organizador foi chamado e pediu que os envolvidos deixassem a arquibancada. Conforme o documento, eles se recusaram, apontaram o dedo para o rosto do coordenador e afirmaram que não sairiam da quadra, provocando “um tumulto”.

Foi neste momento, segundo o relato, que a discussão passou a envolver diretamente Genésio. O árbitro principal afirma que o pai de um atleta começou a ofender o auxiliar, chamando-o de “preto safado” e “ladrão”. Diante das ofensas, Genésio teria condicionado a retomada da partida à retirada dos envolvidos.

A súmula prossegue afirmando que, posteriormente, o mesmo pai e outros dois homens invadiram a quadra e partiram em direção ao árbitro auxiliar. Segundo Gabriel, a intenção seria agredi-lo. Um deles vestia uma camisa do São Paulo.

É nesse trecho que o árbitro principal explica como a arma apareceu. Genésio teria percebido que um dos homens mantinha uma das mãos na cintura e, acreditando que ele poderia estar armado, correu até sua mochila e pegou uma pistola. De acordo com a súmula, ele ficou com a arma nas mãos, “de prontidão”, para se proteger diante da aproximação dos homens.

“Preto safado”: árbitro relata injúria contra colega que pegou arma durante jogo

O documento ressalta que, segundo a versão da arbitragem, a arma não foi apontada para ninguém e nenhum disparo foi efetuado. Gabriel afirma ainda que Genésio teria usado a pistola como meio de segurança para impedir uma agressão contra ele próprio ou contra os demais integrantes da equipe de arbitragem.

A PM (Polícia Militar) foi acionada e compareceu ao ginásio. Ainda conforme a súmula, o técnico do Mussi Sports informou aos policiais que um dos pais colocava repetidamente a mão na cintura, dando a entender que poderia estar armado. O treinador foi qualificado como testemunha da ocorrência.

O relato da arbitragem acrescenta elementos à versão inicialmente registrada no boletim de ocorrência. Conforme noticiado pelo Campo Grande News no sábado, representantes ligados à equipe relataram à polícia que Genésio teria sacado a arma após manifestações contra a marcação de um pênalti. Segundo essa versão, o árbitro também teria xingado pais de atletas, feito gestos simulando socos e provocado temor entre crianças e adultos ao retirar a arma.

As primeiras informações colhidas no ginásio também indicavam que um torcedor poderia ter puxado uma arma contra Genésio. O responsável pelo espaço, porém, disse não saber se o homem realmente estava armado ou apenas colocava a mão na cintura durante a discussão.

A súmula apresentada posteriormente sustenta outra sequência para esse ponto: afirma que Genésio viu um homem levando repetidamente a mão à cintura, interpretou o gesto como possível ameaça e então buscou sua própria arma.

Após o episódio, a organização da II Copa ABC decidiu que pais, familiares e demais torcedores não poderão acompanhar os próximos jogos nas arquibancadas. O acesso ficará restrito a atletas, comissões técnicas, arbitragem e pessoas autorizadas. A organização também informou que Genésio será afastado das atividades de arbitragem na competição e que pediu a apuração do caso.