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Economia

Empresa de energia solar aposta na formação de alunos de Ensino Médio em MS

Casa dos Ventos investe até R$ 400 mil por turma para qualificar estudantes e garantir mão de obra

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 16/04/2026 16:07
Empresa de energia solar aposta na formação de alunos de Ensino Médio em MS
Exemplo de complexo solar a ser instalado em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)

Em um cenário de forte disputa por mão de obra, puxada por setores como celulose e construção civil, a Casa dos Ventos, uma das principais produtoras de energia renovável de Mato Grosso do Sul, passou a investir na formação de novos trabalhadores para garantir a oferta futura de profissionais em Mato Grosso do Sul. Os investimentos da companhia no Estado somam R$ 5,2 bilhões até o fim de 2027.

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A Casa dos Ventos, uma das maiores produtoras de energia renovável de Mato Grosso do Sul, lançou programa de capacitação para jovens do ensino médio em Paraíso das Águas, onde instalará complexo solar de 640 MW a partir de 2027. Com investimentos de R$ 5,2 bilhões no estado até 2027, a empresa enfrenta escassez de mão de obra qualificada e busca formar cerca de 40 alunos inicialmente, com apoio do Senai e secretarias de Educação locais.

A empresa prepara programas de capacitação voltados a jovens do ensino médio de comunidades próximas ao município de Paraíso das Águas, onde começa a operar, a partir de 2027, um complexo solar com capacidade de 640 MW. Em algumas etapas, a iniciativa contará com parcerias do Senai e de secretarias de Educação locais.

“A ideia é pegar o jovem que está saindo da escola e dar a ele uma base sobre como funciona o mundo do trabalho. A partir disso, prepará-lo para outras ações de qualificação profissional que também pretendemos desenvolver, para que, no futuro, ele esteja apto a trabalhar com a gente aqui em Mato Grosso do Sul”, afirma José Borges, gerente de ESG da empresa, ao Campo Grande News.

Empresa de energia solar aposta na formação de alunos de Ensino Médio em MS
José Borges, gerente de ESG da Casa dos Ventos (Foto: Divulgação)

Batizado de Energia que Transforma: Semeando os Profissionais do Futuro, o projeto piloto prevê formar, inicialmente, cerca de 40 alunos no Estado a partir de maio, após a formalização de acordos com a Secretaria de Educação, que deverá indicar uma escola participante no município.

A seleção será feita por pré-inscrição, com base no interesse dos estudantes e em parceria com a escola, sem prejuízo à rotina escolar e com autorização dos responsáveis.

Segundo o executivo, programas de qualificação são estratégicos em municípios onde a atividade ainda não está consolidada. “Estamos chegando a localidades em que faltam profissionais nessa área. Nesse caso, precisamos trazer mão de obra de fora ou investir na formação local.”

Com vocação econômica pautada na agropecuária, Paraíso das Águas, no nordeste do Estado, com cerca de 5,5 mil habitantes, está entre os municípios mais ricos de Mato Grosso do Sul. Ocupa a segunda posição no ranking de PIB per capita (R$ 252,2 mil), acima das médias estadual (R$ 66,8 mil) e nacional (R$ 51,6 mil), segundo dados oficiais.

Programas customizados

Os programas são adaptados à realidade de cada região. No caso de Mato Grosso do Sul, a iniciativa será replicada a partir da experiência no Piauí, onde a primeira fase ocorre entre 22 de abril e 17 de junho, com 41 alunos divididos em duas turmas, em formato híbrido.

No Estado, o curso inicial terá duração de cerca de dois meses e meio. Na sequência, a empresa pretende firmar parceria com o Senai para formação em operação e manutenção de parques eólicos e solares, com duração de seis a oito meses. Também estão previstos cursos mais curtos, de até três meses, voltados à montagem de painéis fotovoltaicos.

Para uma turma de aproximadamente 40 alunos, o investimento varia entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, incluindo material didático, professores, infraestrutura, insumos e alimentação.

Atualmente, a empresa mantém cerca de 20 funcionários diretos no Estado, número que pode chegar a 1.500 trabalhadores durante a fase de implantação dos projetos, por meio de empresas parceiras, orientadas a priorizar a contratação local.

A fase de construção, que dura até dois anos e reúne profissionais de diferentes áreas, concentra a maior demanda por mão de obra. Na operação, o quadro é reduzido para cerca de 20 a 25 funcionários por unidade, mais qualificados, com apoio de parceiros. A dinâmica reforça a estratégia de formação contínua para atender tanto aos projetos atuais como os futuros.

Investimentos em andamento 

A empresa possui outros projetos no Estado. Dois devem entrar em operação ainda este ano. Um é complexo solar Rio Brilhante, com capacidade instalada de 491 MW; outro é o Complexo Solar Seriemas, em Paranaíba, com 400 MW. Trata-se dos maiores empreendimentos solares em desenvolvimento no Centro-Oeste.

Liderada pelos investimentos em Mato Grosso do Sul até 2027, a capacidade instalada deve passar de 3,3 GW para 6,4 GW, consolidando o Estado como polo de energia renovável e grande fornecedor de energia solar. Até lá, a expectativa é de geração de cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos no Estado, conforme informou o Campo Grande News. Os aportes representam quase metade dos R$ 12 bilhões que a empresa pretende investir no Brasil até 2030, com meta de alcançar 11,5 GW de capacidade instalada.

Gargalos na mão de obra 

O executivo da Casa dos Ventos admite dificuldade para contração de profissionais no Estado diante da concorrência acirrada de outros setores, como a indústria de celulose e a construção civil, na esteira de um mercado extremamente aquecido.

“Há uma alta demanda por profissionais, não apenas no setor de energia renovável, mas em diversas áreas que recebem investimentos no Estado”, afirma Borges.

Mato Grosso do Sul vive um cenário próximo do pleno emprego, com cerca de 24 mil vagas abertas, impulsionado pelo avanço dos setores de celulose, construção civil, logística e, mais recentemente, pela produção de energia renovável, o que tem acentuado o déficit de mão de obra qualificada. Em 2025, o Estado registrou a menor taxa anual de desemprego da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, ao encerrar o ano com 3% de desocupação, queda de 0,9 ponto percentual em relação aos 3,9% de 2024, até então o menor nível da última década, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Diante desse cenário, a estratégia passa por atuar na base. “É preciso ir além da simples oferta de emprego e criar outros atrativos. Esses programas surgem justamente para conectar os jovens no início da trajetória profissional, especialmente aqueles que estão saindo do ensino médio e iniciando uma formação técnica ou graduação.”

A Casa dos Ventos também prioriza a contratação de trabalhadores das regiões onde atua, combinando geração de emprego local com capacitação técnica. Já foram realizados cursos voltados a públicos específicos, como formação exclusiva para mulheres, turmas mistas e capacitação em operação e manutenção.

Agora, o foco se amplia. “Identificamos que há uma etapa anterior que precisa ser trabalhada, o jovem que ainda está no ensino médio ou técnico, sem experiência, mas que precisa se preparar para o mercado.”

O objetivo, nesse caso, é capacitar esses jovens com conteúdo que varia “da elaboração de currículo até preparação para entrevistas, comunicação em processos seletivos e orientação de carreira”.