Endividamento das famílias compromete quase 50% da renda em fevereiro
Alta pressiona orçamentos, enquanto crédito livre alcança 62% ao ano, diz BC
Banco Central do Brasil informou, nesta segunda-feira (30), em Brasília (DF), que a taxa de juros do crédito para famílias subiu em fevereiro, puxada pelo cartão rotativo, que atingiu 435,9% ao ano. O dado consta nas Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo órgão.
RESUMO
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O Banco Central informou que a taxa de juros do crédito para famílias subiu em fevereiro, com o cartão rotativo atingindo 435,9% ao ano. A taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 62% ao ano. A inadimplência subiu para 4,3%, e o endividamento das famílias atingiu 49,7% da renda. O estoque total de crédito chegou a R$ 7,145 trilhões, alta de 0,4% em relação a janeiro.
A taxa média do crédito livre para pessoas físicas avançou 1 ponto percentual no mês e 5,4 pontos em 12 meses, chegando a 62% ao ano. O principal impacto veio do cartão rotativo, que registrou alta de 11,4 pontos percentuais em fevereiro.
Mesmo com a limitação de cobrança em vigor desde janeiro de 2024, os juros do rotativo seguem elevados. A regra busca reduzir o endividamento, mas não altera a taxa definida no momento da contratação. Em 12 meses, houve recuo de 16,7 pontos percentuais nessa modalidade.
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga apenas parte da fatura. Após 30 dias, a dívida é parcelada pelas instituições financeiras. No cartão parcelado, os juros subiram 5,3 pontos no mês e 16,9 pontos em um ano, chegando a 200,2% ao ano.
Para empresas, a taxa média de juros nas novas contratações caiu 0,1 ponto no mês, mas subiu 1,1 ponto em 12 meses, alcançando 24,9% ao ano. O destaque foi a redução no capital de giro com prazo de até 365 dias, que recuou 3,1 pontos e fechou em 22,5% ao ano.
No crédito direcionado, com regras definidas pelo governo, a taxa para pessoas físicas ficou em 10,8% ao ano em fevereiro. Para empresas, chegou a 13,2% ao ano, com alta de 0,2 ponto no mês.
Considerando todas as modalidades, a taxa média de juros subiu 0,3 ponto percentual em fevereiro e 2,6 pontos em 12 meses, atingindo 33% ao ano. O movimento acompanha a taxa básica de juros, Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), definida em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária.
Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa de juros básicos da economia sete vezes entre setembro de 2024 e junho de 2025 e manteve o índice estável nas reuniões seguintes. Neste mês, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, mas não descarta rever o ciclo diante de incertezas no cenário externo.
O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação e o valor cobrado dos clientes, subiu 0,5 ponto no mês e 2,8 pontos em 12 meses.
Em fevereiro, as concessões de crédito somaram R$ 602,3 bilhões. O volume caiu 0,5% no mês, com recuo nas operações com empresas e leve alta para famílias. Em 12 meses, houve crescimento de 8,2%.
O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,145 trilhões, com alta de 0,4% em relação a janeiro. Já o crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,043 trilhões, com avanço de 1,1% no mês e 11,8% em 12 meses.
A inadimplência subiu para 4,3% em fevereiro, com alta de 0,2 ponto no mês. Entre famílias, o índice chegou a 5,2%. Entre empresas, ficou em 2,6%.
O endividamento das famílias atingiu 49,7% da renda acumulada em 12 meses em janeiro. Sem o crédito imobiliário, o índice ficou em 31,3%. Já o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,3%, com aumento no mês e no acumulado anual.


