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Economia

Fique em casa e ensine a família a fazer economia doméstica

Quarentena pode ser momento para mudar estilo de vida economizar água, luz reaproveitar comida e preservar o planeta

Por Rosana Siqueira e Liniker Ribeiro | 24/03/2020 16:25
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

A quarentena pode ser um momento maravilhoso para a família inteira rever seu estilo de vida e seus hábitos de consumo de água, energia e comida.

Com as compras restritas ao mercado, shoppings e comércio fechados, e a convivência diária e uso majorado de água e luz, as noções de economia doméstica precisam virar matéria de estudo dento das casas, para evitar quebradeira nas suas finanças. E mais aproveite para ensinar os seus filhos e de quebra aprenda com algumas sobre como gastar menos dentro da sua casa.

Fazer cardápios, estipular tempo para banhos e uso de equipamentos eletrônicos, reaproveitar melhor as sobras e rever receitas, usar os produtos de limpeza com parcimônia, fazer lista de compras se for ao mercado (apenas um se for meramente essencial) são dicas preciosas.

Mesmo assim, consumidores que estavam hoje fazendo compras na rua ou mesmo em casa, ainda não conseguem ver qual será o rombo nas contas por causa da quarentena.

O casal Fernando e Valéria fieram compra maior para ficar em casa. (Kisie Ainõa)
O casal Fernando e Valéria fieram compra maior para ficar em casa. (Kisie Ainõa)

O casal Fernando Henrique, piscineiro de 33 anos, e Valéria de Jesus, de 30 anos, que trabalha em um call center disse que sempre comeram fora de casa. Mas com os novos tempos hoje estavam fazendo compras em um supermercado.

Fernando conta que agora estão ficando mais em casa precisavam de mantimentos. Diante disso ele espera aumento nos gastos. “Fiz uma compra maior porque não tem jeito, a gente gasta mais ficando em casa”, frisou.

Ele aponta para o carrinho de supermercado e reforça que jamais comprariam tanta coisa. “Nunca imaginei que faríamos tudo isso. Compramos arroz feijão sal leite alguns itens em maior quantidade porque vamos ficar em casa”, salientou.

A esposa Valéria reforça ainda que o peso das contas só devem ser sentidas mais a frente. “Na energia, por exemplo, ainda não sentimos o impacto, mas deve vir na próxima conta”, destaca.

Constâncio Sanches, 60 anos, está em férias coletivas com a família. (Kisie Ainõa)
Constâncio Sanches, 60 anos, está em férias coletivas com a família. (Kisie Ainõa)

Já o mecânico Constância Sanches, de 60 anos, já estima um gasto maior. Ele diz que tem uma casa e uma edícula onde moram 8 pessoas, sendo 4 adultos e 4 crianças. Deste total dois adultos trabalham normalmente. Com a quarentena está todo mundo em casa. “Por conta do coronavírus me deram férias coletivas. E o fato de ficar em casa a gente só come e gasta até o que não tem”, aponta.

Com relação a energia o temor é maior ainda. “Não tenho ar, mas tem ventilador e fica ligado o tempo todo com o calor’, afirma frisou contabilizando e pensando que o vai ver o alto gasto no próximo mês. ”Vamos ver quando chegar a próxima fatura”, concluiu o mecânico.

Mudanças -  De acordo com o economista Hudson Garcia da Silva, que é conselheiro do Conselho Regional de Economia de MS (CORECON MS), a melhor atitude neste momento é reavaliar o seu estilo de vida e tentar reduzir todo tipo de despesa nesse momento difícil o qual o país atravessa. “Como toda a família estará reunida em casa, chame-os para essa campanha de conscientização de que todos, além de lutar contra o COVID19 também precisam lutar contra um inimigo que aflige toda a família, o desperdício”, salientou o economista.

Isso significa, segundo ele, que toda a família deve cuidar para que as luzes não fiquem acesas, o banho não seja demorado, principalmente no chuveiro quente. “Estabeleça um ou no máximo dois dias da semana para passar roupa, use e abuse da criatividade no momento que estiver cozinhando, busque pratos práticos, com frutas e legumes da estação para formar uma salada e doces saborosos e baratos. Busque variar na compra de proteínas animais, existem pratos feitos com frango, suíno e miúdos de gado que são maravilhosos e ainda estão na promoção”, lembrou Silva.

Como tempo não é mais um empecilho, a dica do economista é montar seu cardápio. “Monte seu cardápio, como se estivesse em um restaurante requintado, pegando receitas em sites ou redes sociais”, recomendou.

Sem grana - No entanto, se você é um profissional autônomo e fez sua planilha orçamentária do mês e viu que o salário não será suficiente, não se desespere. Os empréstimos ficam resignados apenas a segundo plano. Por mais tentador que seja o momento, é preciso avaliar com muita cautela as ofertas de crédito que estão sendo oferecidas agora.

 “Primeiro, é importante que todos saibam que o momento é difícil, mas que vamos superar. Comece ligando para os seus fornecedores, aqueles que você tem boleto sabe! E peça mais um prazo, sem juros para você pagar, aproveite que nesse momento bancos, empresas de abastecimento e energia elétrica estão postergando os pagamentos, mas realmente faça isso apenas se você precisar, não use a PANDEMIA como desculpa para não pagar suas contas”, afirmou ele.

Mas se mesmo assim, sua vida não tiver jeito, busque um empréstimo pessoal, mas pesquise bem, avalie principalmente, o que realmente você precisa para cobrir suas despesas. “Veja e calcule bem as taxas de juros praticadas e o número de parcelas que você irá pagar. Quanto mais parcelas, mais juros você irá pagar”, alertou.

Estratégia de guerra - Faça uma estratégica de guerra para reduzir suas despesas e fazer com que aquela parcela caiba no seu orçamento. “Não desvie do seu foco de gerar caixa, seja criativo para criar novas formas de se relacionar e desenvolva o hábito saudável de economizar, quem sabe, passado esse momento difícil você consiga pelos próximos anos, mudar seu status de emprestador para investidor”, finalizou.

(Arte: Guilherme Correia)
(Arte: Guilherme Correia)