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Economia

Grupo Pão de Açúcar entra com pedido de recuperação extrajudicial

Com unidade na Via Parque, em Campo Grande, grupo tem de renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

Por Ângela Kempfer | 10/03/2026 10:18
Grupo Pão de Açúcar entra com pedido de recuperação extrajudicial
Movimento na inauguração do Pão de Açúcar em 2014, na Via Parque (Foto: arquivo)

O GPA (Grupo Pão de Açúcar), que mantém uma loja há 12 anos na Via Parque, no Bairro Polonês, em Campo Grande, anunciou nesta terça-feira (10) acordo com parte de seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. A rede também já operou outra unidade na Capital, na Rua Maracaju, no Centro, após assumir o antigo supermercado Extra instalado no local.

RESUMO

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O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou acordo com credores para apresentar plano de recuperação extrajudicial, envolvendo aproximadamente R$ 4,5 bilhões em obrigações financeiras sem garantia. O acordo foi firmado com detentores de cerca de 46% dos créditos, totalizando R$ 2,1 bilhões. A empresa garantiu que pagamentos a fornecedores, parceiros comerciais, clientes e trabalhadores não serão afetados. O GPA enfrenta pressão financeira, com dívidas de R$ 1,7 bilhão com vencimento em 2026 e capital de giro líquido negativo de R$ 1,2 bilhão, além de disputas tributárias que somam R$ 16 bilhões.

Segundo fato relevante divulgado pela companhia, o plano envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em obrigações financeiras sem garantia, referentes a dívidas que não fazem parte das despesas operacionais da empresa.

O acordo foi firmado com credores que concentram aproximadamente 46% dos créditos incluídos no plano, o equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões. O percentual supera o mínimo exigido pela legislação para a apresentação desse tipo de reestruturação.

De acordo com o GPA, obrigações correntes não fazem parte da renegociação. A empresa afirmou que pagamentos a fornecedores, parceiros comerciais, clientes e trabalhadores seguem normalmente. “Ficam expressamente excluídas obrigações correntes junto a fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas”, informou a companhia.

A decisão foi aprovada de forma unânime pelo conselho de administração e prevê suspensão temporária das cobranças dos credores incluídos no plano por 90 dias. Nesse período, a varejista pretende ampliar a adesão ao acordo e negociar uma solução definitiva para reorganizar seu endividamento.

Segundo o grupo, o objetivo da reestruturação é fortalecer o balanço e melhorar a sustentabilidade financeira no longo prazo. A empresa também afirmou que as negociações vêm sendo conduzidas em diálogo com bancos e investidores.

O que é recuperação extrajudicial

O mecanismo usado pelo GPA é previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o modelo extrajudicial permite que empresas negociem diretamente com credores e levem o acordo posteriormente para homologação da Justiça, desde que seja atingido o quórum mínimo de adesão.

A companhia afirmou que as lojas seguem funcionando normalmente e que o abastecimento não será afetado.

Pressão financeira

A decisão ocorre após semanas de preocupação no mercado com a situação financeira da empresa. No início de março, a agência Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do GPA de “A” para “CCC”, classificação que indica risco elevado de inadimplência.

O grupo possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento em 2026 e encerrou o último trimestre com capital de giro líquido negativo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. O endividamento total da companhia gira em torno de R$ 4 bilhões.

Além disso, o GPA informou em seu balanço a existência de cerca de R$ 16 bilhões em disputas tributárias classificadas como perdas possíveis, valores que ainda não estão provisionados, mas que representam risco potencial.

Relatórios de auditoria também apontaram incerteza relevante sobre a continuidade operacional da empresa, caso o endividamento não seja reduzido.

Desde maio do ano passado, o GPA passou a ter como principais acionistas a família Coelho Diniz, que assumiu o controle da companhia após a saída do grupo francês Casino, responsável pela rede entre 2012 e 2023.