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Economia

Mato Grosso do Sul tem o maior investimento per capita do país

Obras trazem benefícios diretos à população e favorecem geração de oportunidades

Por Angela Kempfer | 30/11/2020 06:03
Estrada Ecológica entre Palmeiras e Piraputanga foi entregue em 2019 (Foto: Chico Ribeiro)
Estrada Ecológica entre Palmeiras e Piraputanga foi entregue em 2019 (Foto: Chico Ribeiro)

Além de ter obras em todos os municípios, Mato Grosso do Sul é o estado com mais investimentos por habitante. Em 2019, foram investidos R$ 1,016 bilhão na unidade federativa, o que representa relação per capita superior a R$ 360 - 41% mais do que o segundo colocado.

Segundo o governador Reinaldo Azambuja, o resultado só foi possível graças a três reformas estruturantes: administrativa (reduzindo de 17 para nove as secretarias); implantação de teto de gastos para todos os poderes; e previdenciária, que teve início em 2017 e foi consolidada no ano passado.

“Nos últimos quatro anos (2016-2019), o Estado investiu R$ 4,115 bilhões. Somos o maior  investimento per capita com R$ 365,60, enquanto o segundo estado é o Espírito Santo, com R$ 257,80”, explica Reinaldo Azambuja. Os valores aplicados por cada um dos estados estão no Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais, publicados pelo Tesouro Nacional no mês passado.

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Investimentos públicos estaduais estão no asfalto das rodovias e das ruas e avenidas, nas casas novas, escolas reformadas e até mesmo onde não é possível ver a olho nu, como no caso das obras de saneamento básico.

Entre as obras entregues em 2019, um dos destaques é o asfalto de 18,7 quilômetros da MS-450, a Estrada Ecológica entre os distritos de Palmeiras e Piraputanga, transformando a pista de terra sinuosa e estreita entre morros em uma estrada larga e com segurança, após investimento de R$ 21,2 milhões.

Público e privado

Reinaldo Azambuja e secretário Jaime Verruck participam de videoconferência com diretores da Amcor, que vai dobrar capacidade de produção em Três Lagoas (Foto: Chico Ribeiro)
Reinaldo Azambuja e secretário Jaime Verruck participam de videoconferência com diretores da Amcor, que vai dobrar capacidade de produção em Três Lagoas (Foto: Chico Ribeiro)

O secretário Jaime Verruck (Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) explica que os investimentos públicos e privados são fatores importantes no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e que muitas vezes eles caminham juntos, permitindo a geração de empregos e renda.

“O investimento público é fundamental para dar essa competitividade. É o caso do acesso ao frigorífico para que ele consiga exportar. A perspectiva do Estado é de em 2020 e 2021 aplicar com o Fundersul R$ 2 bilhões em pontes, novas estradas e acessos a rodovias. São investimentos possíveis dado o equilíbrio fiscal do Estado”, disse.

Economista Paulo Ponzini (Foto: Saul Schramm)
Economista Paulo Ponzini (Foto: Saul Schramm)

O economista Paulo Salvatore Ponzini destaca que as ações do Estado ajudam a criar um ambiente favorável de negócios para atração de empresas. “Tudo que puder simplificar e agregar é importante. Os incentivos fiscais vão acabar e é preciso ter alternativas, ambiente propício para o desenvolvimento, com capacitação de mão de obra, boas estradas para o escoamento da produção e linhas de crédito com juros adequados”, disse.

Entre as iniciativas positivas destacadas por ele está a desburocratização da Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul) para a abertura de empresas, que agora pode ser feita de forma ágil e digital.

Com 250 funcionários, fábrica da cervejaria Bamboa fica em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)
Com 250 funcionários, fábrica da cervejaria Bamboa fica em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)

Para o CEO da Cervejaria Bamboa, Marcio Mendes, as condições das rodovias fazem muita diferença para levar os produtos aos clientes do Brasil e do exterior. “Estamos presentes em 15 estados do Brasil e três países da América Latina. Produzimos cervejas, energéticos, refrigerantes e água. A  conservação das rodovias é algo fundamental para o escoamento dos produtos”. A empresa possui 250 funcionários em Mato Grosso do Sul.

CervejariaBamboa (Foto: Saul Schramm)
CervejariaBamboa (Foto: Saul Schramm)
Mestre cervejeiro Lincon Jones é o responsável pela qualidade do produto (Foto: Saul Schramm)
Mestre cervejeiro Lincon Jones é o responsável pela qualidade do produto (Foto: Saul Schramm)

Atraído pela política de incentivos fiscais e pela localização geográfica, a empresa RCM, que hoje produz 100 toneladas por mês de perfis de alumínio para esquadrias, se instalou há cerca de dois anos em Selvíria, na região do Bolsão sul-mato-grossense, e hoje conta com 30 funcionários. “Nosso transporte é feito por rodovias, com uma frota própria, e posso dizer que um modal precário inviabilizaria a atividade. É muito importante quando podemos contar com boas rodovias para escoar nossa produção”, conta o diretor Flávio Pereira de Oliveira.

Rota Bioceânica

A geração de oportunidades também está na diversificação de modais de transporte e em caminhos alternativos para o escoamento da produção. Mato Grosso do Sul encabeça o projeto de implantação da Rota Bioceânica, que irá reduzir em 17 dias o transporte dos produtos ao mercado asiático - destino de metade das riquezas exportadas pelo Estado.

Com localização privilegiada dentro da Rota Bioceânica entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o município de Porto Murtinho deve se transformar nos próximos anos em um grande hub (centro) logístico da América do Sul.

Impulsionada por investimentos privados e públicos, Porto Murtinho está se transformando em grande hub logístico (Foto: Chico Ribeiro)
Impulsionada por investimentos privados e públicos, Porto Murtinho está se transformando em grande hub logístico (Foto: Chico Ribeiro)

O principal projeto para a efetivação da rota é a construção da ponte de aproximadamente 680 metros sobre o Rio Paraguai, que liga o Brasil ao País vizinho pelas cidades de Porto Murtinho e Carmelo Peralta. A travessia será construída com recursos da usina hidrelétrica Itaipu Binacional e a estimativa é de que sejam investidos US$ 75 milhões na obra, que deve iniciar em 2021 e terminar em 2023.

Do lado brasileiro, governos estadual e federal agilizam obras para estruturar Porto Murtinho dentro da Rota Bioceânica. Com R$ 25,2 milhões de recursos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul), o Estado pavimenta o acesso à região portuária da cidade, onde já existe dois portos em operação e outros dois serão construídos por empresas argentinas.

Ferrovia

Outro projeto de destaque é a construção do Corredor Oeste de Exportação - Nova Ferroeste, com 1.370 quilômetros ligando por via ferroviária Mato Grosso do Sul ao porto de Paranaguá. A intenção é a construção de uma nova ferrovia entre Maracaju e Cascavel (PR), revitalização do trecho ferroviário de Cascavel a Guarapuava (PR) e construções de uma nova ferrovia entre Guarapuava e Paranaguá (PR) e de um ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu (PR).

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