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Economia

Mesmo com 'boom' no plantio, escassez de madeira ameaça produção de MS

Na última aferição divulgada pelo IBGE, em 2019, Mato Grosso do Sul possuia 1.128 mil hectares plantados

Por Nyelder Rodrigues | 17/03/2021 17:31
Imagem mostra máquinas trabalhando em plantação de eucalipto em Mato Grosso do Sul (Foto: Ascom)
Imagem mostra máquinas trabalhando em plantação de eucalipto em Mato Grosso do Sul (Foto: Ascom)

Uma demanda que fez o plantio de eucalipto bater a marca de 1,1 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul em 2017 e transformou o cenário rural, principalmente de quem passa pelas estradas da porção leste do Estado. A cadeia produtiva da celulose veio para ficar e mudou o panorama econômico de vários municípios.

Três Lagoas - localizado a 338 km de Campo Grande - foi o principal 'alvo' da mudança, abrigando duas as maiores indústrias do setor no mundo, Suzano e Eldorado, e também vasta plantação da madeira usada por elas. Municípios vizinhos, como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Brasilândia e Selvíria estão entre os 10 maiores produtores do país.

Somando esses cinco locais, se chega ao número de 824,4 mil hectares plantados. O maior dele, Três Lagoas, possuía 245 mil hectares com eucalipto em 2017 - os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O 'boom' na produção acabou criando uma sobra de produção, conforme trouxe em reportagem o jornal Valor Econômico nesta quarta-feira (17). Em Mato Grosso do Sul, segundo a Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), sobram 250 mil hectares.

Contudo, uma alta na demanda pode reverter essa situação, conforme aponta a publicação nacional. Tudo por que duas indústrias, Klabin e Bracell, monitoram o mercado local para uma possível instalação aqui. Além disso, há ainda a Paracel, que vai se instalar no Paraguai e deve procurar suprir sua demanda com madeira sul-mato-grossense.

Marcelo Schmid, sócio diretor do Grupo Indez e da Forest2Market do Brasil, empresas que atuam no setor da cadeia de produção florestal, frisa ao Valor Econômico que a demanda atual é de 18 milhões de toneladas anualmente em Mato Grosso do Sul - sendo 17 milhões de toneladas destinadas à produção da celulose.

Contudo, na visão dele, as fábricas que devem se instalar no Estado farão a demanda subir consideravelmente, chegando a marca de 35 milhões de toneladas - além das novas fábricas, também existe a possibilidade de expansão da Eldorado.

Eucaliptos ainda pequenos e em fase de crescimento - que demora até 7 anos em MS (Foto: Semagro/Arquivo)
Eucaliptos ainda pequenos e em fase de crescimento - que demora até 7 anos em MS (Foto: Semagro/Arquivo)

Mais rápido - Diferente de outros países e locais onde o eucalipto pode demorar até duas décadas para crescer e evoluir suficientemente, em Mato Grosso do Sul o produto começou a ser plantado nos anos 70 e, desde então, foi percebido que ali a árvore se desenvolve mais rápido, em até sete anos - atraindo a atenção das indústrias.

Além disso, pode faltar terra para suprir a nova demanda, já que o aumento do preço da arroba do boi fez o produto subir para a casa dos R$ 300, fazendo com que aumentasse também o interesse dos produtores rurais pela pecuária.

A bovinocultura e outras demandas agrárias acabam competindo com a silvicultura, fazendo com que falte espaço para o plantio e atendimento da possível demanda de madeira que é projetada para Mato Grosso do Sul em um futuro breve.

A elevação exponencial da produção sul-mato-grossense do 'ouro verde' fez com que o Estado saltasse dos 291 mil hectares plantados em 2009, ano que a Suzano chegou à Três Lagoas, para 378 mil hectares em 2010, quando se instalou a Eldorado na cidade.

Contudo, quase uma década depois, os números ficam mais surpreendentes ainda. Nova pesquisa do IBGE, de 2019, indica que Mato Grosso do Sul possuía 1,12 milhão de hectares plantados de madeira, nas espécies eucalipto e pinus (essa em pequena proporção).

Maior crescimento - Segundo pesquisa Cobertura e Uso da Terra, feita pelo mesmo IBGE e divulgado hoje (17), a silvicultura cresceu 7.545 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul entre os anos de 2000 e 2018, o maior do Brasil. Minas Gerais ficou em segundo, com 7 milhões de hectares registrados no mesmo período.

Em 2018, Minas Gerais apresentava a maior área de silvicultura, representando 22,97% do total do território nacional ocupado por essa classe de atividade. Já Mato Grosso do Sul abrangeu 12,47% da área de silvicultura do Brasil, ficando em segundo.

A mesma pesquisa traz dados adicionais sobre a expansão da área agrícola em todos os estados, ficando Mato Grosso do Sul com o quinto maior aumento de 2000 a 2018. O crescimento foi de 16.829 milhões de hectares, enquanto o líder Mato Grosso ampliou incríveis 50.616 milhões de hectares de área agrícola.

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