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Economia

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço

Apesar da alta procura pela tradição religiosa, as peixarias reforçaram o estoque para dar conta da demanda

Por Jhefferson Gamarra e Geniffer Valeriano | 03/04/2026 09:34
Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Pintado sendo pesado para venda em peixaria (Foto: Raíssa Rojas)

A movimentação intensa nas peixarias de Campo Grande nesta Sexta-feira Santa (3) confirmou a força da tradição de consumir peixe na data. Desde as primeiras horas da manhã, filas se formaram em diversos pontos da cidade. Apesar da grande procura, comerciantes garantem que o abastecimento foi planejado e que não vai faltar produto para os consumidores.

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Peixarias de Campo Grande registraram filas desde a abertura nesta Sexta-feira Santa, com aumento de até 200% nas vendas em relação a dias normais. Comerciantes reforçaram estoques e equipes para atender a demanda, garantindo abastecimento sem reajuste de preços. Pacu, pintado e filé de tilápia foram os mais procurados. A tradição atrai tanto consumidores antigos quanto novos clientes, e o atendimento deve seguir até o início da tarde.

No Trevo Imbirussu, o proprietário da Peixaria MS, Luiz Carlos Barbosa, relata que o movimento superou as expectativas. Segundo ele, não foi necessário reajustar preços, mesmo com a alta demanda. “O movimento está ótimo e não precisamos alterar o preço de nenhum produto. Estamos vendendo bem e superando até as expectativas”, afirmou.

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Movimento em peixaria no Trevo Imbirussu logo pela manhã (Foto: Raíssa Rojas)

De acordo com o comerciante, o aumento nas vendas chega a cerca de 200% em relação aos dias normais. Para dar conta, a equipe precisou ser ampliada significativamente. “Em dia comum trabalhamos com dois funcionários, mas tivemos que aumentar para dez durante esse período. De quinta para sexta viramos a noite trabalhando internamente”, contou.

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Proprietário da Peixaria MS, Luiz Carlos Barbosa, comemorou a alta procura por pescado (Foto: Raíssa Rojas)

A peixaria abriu às 6h e já tinha fila. O fluxo intenso vem sendo registrado desde terça-feira. “Está com fila desde a abertura, não para. A gente quase não dá conta de atender”, disse Luiz. Ainda assim, ele reforça que o estoque foi renovado e segue abastecido. “A câmara fria está cheia, então a clientela pode chegar tranquila que não vai faltar nada.”

Segundo o comerciante, entre os produtos mais procurados estão o pacu, o pintado e o filé de tilápia.

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Eletricista Félix do Santos, de 73 anos, encarou a fila cedinho para garantir o pescado (Foto: Raíssa Rojas)

A procura reflete o hábito mantido por muitos consumidores. O eletricista Félix do Santos, de 73 anos, não abre mão da tradição. “Eu sempre compro, é uma tradição que já tenho. Vim cedinho para não ficar sem comer o peixe. Não gosto de enfrentar fila, mas ontem estava trabalhando e cheguei tarde. Hoje acordei cedo e vim garantir meu piau”, relatou.

Para outros, a data também é oportunidade de mudar o cardápio. A auxiliar de limpeza Emanuelle Morel, de 31 anos, decidiu preparar peixe pela primeira vez na Sexta-feira Santa.

“É a primeira vez que vou fazer peixe nessa época. Fui em mercado grande e não encontrei, então vim na peixaria mais perto de casa. Resolvi fazer algo diferente, porque todo ano é sempre a mesma coisa. Já imaginava que ia ter fila, por isso vim cedo. Mais tarde vai ficar gigantesca”, disse.

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Consumidores na tradicional peixaria do Mercadão Municipal (Foto: Raíssa Rojas)

No Mercado Municipal, o cenário não foi diferente. O proprietário da Linares Pescados, Cleuber Gonçalves Linare, explica que a preparação para o período começa com antecedência e já faz parte da rotina do estabelecimento, que é um tradicional ponto de parada durante a data. “Estamos na nossa 50ª Semana Santa atendendo e sempre que chega na quarta, quinta e sexta a peixaria lota”, afirmou.

Segundo ele, o estoque e a equipe também foram reforçados para atender a demanda. “Estamos com estoque reforçado e número de funcionários maior. Até o meio-dia vamos atender todo mundo tranquilamente. Não conseguimos nem pegar encomenda nesse período, mas o consumidor pode vir direto que temos produto disponível.”

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Cleuber Linares, proprietário da peixaria do Mercadão Municipal (Foto: Raíssa Rojas)

Cleuber destaca ainda que, mesmo com o crescimento populacional, a tradição segue firme. “A procura tem se mantido e até crescido. A gente vê pessoas mais antigas mantendo o costume e também gente nova aderindo.”

Entre os itens mais vendidos no local, o destaque é o tradicional pacu recheado, que oferece praticidade ao consumidor. “É o campeão de vendas. O pessoal quer algo fácil, é só descongelar e fazer na churrasqueira ou no forno”, explicou. Há ainda opções com preços variados, incluindo cortes de pacu a partir de R$ 30 e bacalhau a partir de R$ 69,90 o quilo.

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Josemar aproveitou dia de folga para ir buscar o peixe para o almoço (Foto: Raíssa Rojas)

Para muitos clientes, além da tradição religiosa, a data é também um momento de confraternização. O comerciante Josemar Maia, de 54 anos, aproveitou o dia de folga para garantir o almoço da família.

“É tradicional ter peixe na Sexta-feira Santa. A gente reúne amigos e família. Hoje o cardápio vai ser moqueca de pintado, camarão ao molho e peixinho frito. E sou eu que vou cozinhar”, contou.

Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Empresário Luciano Aprigi foi até o mercadão para reforçar a quantidade de peixe para o almoço (Foto: Raíssa Rojas)

Já o empresário Luciano Aprigi, de 50 anos, afirma que o consumo de peixe vai além da data específica.

“Sempre é tradição, não tem como deixar de ter peixe. Mas o consumo é bom não só hoje, como nos dias seguintes. Sempre tem peixe em casa, hoje vamos pegar um pouco a mais”, disse. Ele ainda destacou que o almoço será variado. “Vai ter de tudo um pouco, até carne para quem não gosta de peixe.”

Mesmo com as longas filas registradas desde a abertura dos estabelecimentos, o cenário é de tranquilidade para quem ainda pretende garantir o almoço típico da data. A expectativa dos comerciantes é de manter o atendimento até o início da tarde, com estoque suficiente para atender todos os clientes.