Apesar de filas, comerciantes garantem que ninguém ficará sem peixe no almoço
Apesar da alta procura pela tradição religiosa, as peixarias reforçaram o estoque para dar conta da demanda
A movimentação intensa nas peixarias de Campo Grande nesta Sexta-feira Santa (3) confirmou a força da tradição de consumir peixe na data. Desde as primeiras horas da manhã, filas se formaram em diversos pontos da cidade. Apesar da grande procura, comerciantes garantem que o abastecimento foi planejado e que não vai faltar produto para os consumidores.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Peixarias de Campo Grande registraram filas desde a abertura nesta Sexta-feira Santa, com aumento de até 200% nas vendas em relação a dias normais. Comerciantes reforçaram estoques e equipes para atender a demanda, garantindo abastecimento sem reajuste de preços. Pacu, pintado e filé de tilápia foram os mais procurados. A tradição atrai tanto consumidores antigos quanto novos clientes, e o atendimento deve seguir até o início da tarde.
No Trevo Imbirussu, o proprietário da Peixaria MS, Luiz Carlos Barbosa, relata que o movimento superou as expectativas. Segundo ele, não foi necessário reajustar preços, mesmo com a alta demanda. “O movimento está ótimo e não precisamos alterar o preço de nenhum produto. Estamos vendendo bem e superando até as expectativas”, afirmou.
- Leia Também
- Com bacalhau uma fortuna, aprenda receita farta por menos de R$ 30,00
- Pirarucu que saltou de carro na Avenida Mato Grosso vira astro na Feira Central
De acordo com o comerciante, o aumento nas vendas chega a cerca de 200% em relação aos dias normais. Para dar conta, a equipe precisou ser ampliada significativamente. “Em dia comum trabalhamos com dois funcionários, mas tivemos que aumentar para dez durante esse período. De quinta para sexta viramos a noite trabalhando internamente”, contou.

A peixaria abriu às 6h e já tinha fila. O fluxo intenso vem sendo registrado desde terça-feira. “Está com fila desde a abertura, não para. A gente quase não dá conta de atender”, disse Luiz. Ainda assim, ele reforça que o estoque foi renovado e segue abastecido. “A câmara fria está cheia, então a clientela pode chegar tranquila que não vai faltar nada.”
Segundo o comerciante, entre os produtos mais procurados estão o pacu, o pintado e o filé de tilápia.

A procura reflete o hábito mantido por muitos consumidores. O eletricista Félix do Santos, de 73 anos, não abre mão da tradição. “Eu sempre compro, é uma tradição que já tenho. Vim cedinho para não ficar sem comer o peixe. Não gosto de enfrentar fila, mas ontem estava trabalhando e cheguei tarde. Hoje acordei cedo e vim garantir meu piau”, relatou.
Para outros, a data também é oportunidade de mudar o cardápio. A auxiliar de limpeza Emanuelle Morel, de 31 anos, decidiu preparar peixe pela primeira vez na Sexta-feira Santa.
“É a primeira vez que vou fazer peixe nessa época. Fui em mercado grande e não encontrei, então vim na peixaria mais perto de casa. Resolvi fazer algo diferente, porque todo ano é sempre a mesma coisa. Já imaginava que ia ter fila, por isso vim cedo. Mais tarde vai ficar gigantesca”, disse.
No Mercado Municipal, o cenário não foi diferente. O proprietário da Linares Pescados, Cleuber Gonçalves Linare, explica que a preparação para o período começa com antecedência e já faz parte da rotina do estabelecimento, que é um tradicional ponto de parada durante a data. “Estamos na nossa 50ª Semana Santa atendendo e sempre que chega na quarta, quinta e sexta a peixaria lota”, afirmou.
Segundo ele, o estoque e a equipe também foram reforçados para atender a demanda. “Estamos com estoque reforçado e número de funcionários maior. Até o meio-dia vamos atender todo mundo tranquilamente. Não conseguimos nem pegar encomenda nesse período, mas o consumidor pode vir direto que temos produto disponível.”
Cleuber destaca ainda que, mesmo com o crescimento populacional, a tradição segue firme. “A procura tem se mantido e até crescido. A gente vê pessoas mais antigas mantendo o costume e também gente nova aderindo.”
Entre os itens mais vendidos no local, o destaque é o tradicional pacu recheado, que oferece praticidade ao consumidor. “É o campeão de vendas. O pessoal quer algo fácil, é só descongelar e fazer na churrasqueira ou no forno”, explicou. Há ainda opções com preços variados, incluindo cortes de pacu a partir de R$ 30 e bacalhau a partir de R$ 69,90 o quilo.
Para muitos clientes, além da tradição religiosa, a data é também um momento de confraternização. O comerciante Josemar Maia, de 54 anos, aproveitou o dia de folga para garantir o almoço da família.
“É tradicional ter peixe na Sexta-feira Santa. A gente reúne amigos e família. Hoje o cardápio vai ser moqueca de pintado, camarão ao molho e peixinho frito. E sou eu que vou cozinhar”, contou.

Já o empresário Luciano Aprigi, de 50 anos, afirma que o consumo de peixe vai além da data específica.
“Sempre é tradição, não tem como deixar de ter peixe. Mas o consumo é bom não só hoje, como nos dias seguintes. Sempre tem peixe em casa, hoje vamos pegar um pouco a mais”, disse. Ele ainda destacou que o almoço será variado. “Vai ter de tudo um pouco, até carne para quem não gosta de peixe.”
Mesmo com as longas filas registradas desde a abertura dos estabelecimentos, o cenário é de tranquilidade para quem ainda pretende garantir o almoço típico da data. A expectativa dos comerciantes é de manter o atendimento até o início da tarde, com estoque suficiente para atender todos os clientes.






