Há 30 anos via-sacra compara crucificação de Cristo com sofrimento de pacientes
Tradição começou após a descoberta do texto escrito pelo poeta Lino Villachá
Há 30 anos o Hospital São Julião é palco para a encenação da Via-sacra do Doente, que traça um paralelo entre os últimos instantes da vida de Jesus a caminho da crucificação e a trajetória dos doentes. A tradição começou após a descoberta do texto escrito pelo poeta Lino Villachá, que tinha hanseníase, ficou internado há mais de 40 anos no hospital e morreu em 1994. Este ano, 57 pessoas participaram da encenação , entre adultos e crianças.
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Há 30 anos, o Hospital São Julião realiza a Via-sacra do Doente, tradição inspirada em texto do poeta Lino Villachá, que teve hanseníase e ficou internado por mais de 40 anos na instituição. A peça traça um paralelo entre a trajetória de Jesus e a dos pacientes, e é encenada por voluntários e colaboradores desde 1996, quando as fantasias eram feitas de papelão e 80% dos figurantes eram pacientes do hospital.
O coordenador da peça e funcionário do Hospital, Bruno Madalena, conta que o texto só foi encontrado após a morte de Lino. Mesmo estando envolvido desde a primeira edição, a responsabilidade de manter a tradição viva faz com que ele continue organizando. "Sinto alegria, orgulho e um pouco velho, mas tem que continuar. O que me toca muito é a emoção nos colaboradores e no público", relata.
A primeira encenação aconteceu em 1996, na base do improviso. Ele lembra que, para os personagens ganharem vida, as fantasias eram feitas de papelão e pintadas à mão. "Naquela época, 80% dos figurantes eram pacientes do Hospital. Hoje a peça é encenada por colaboradores e voluntários", lembra. O percurso dos atores passa por 14 estações do hospital e sura menos de 1h. Em cada ponto de parada eles encenam parte da historia da crucificação.
Este é o caso da Delcira Coimbra da Silva Damasceno, voluntária que costura as fantasias desde 1996. "Nós que fazemos as peças de roupa e fantasia, idealizando tudo. No começo era bem simples, a gente não tinha preparação, trabalhava com o que tinha", conta. Segundo ela, para que tudo esteja pronto na Sexta-feira da Paixão, o trabalho começa em janeiro de cada ano, reformando as peças antigas e criando novas de acordo com o número de pessoas envolvidas.

O voluntário Alcebiades Alves de Oliveira assume o papel de Pôncio Pilatos há mais de 20 anos. Ele conta que esse foi um pedido da irmã Silva. Para ele, este é um momento de fé onde pode cumprir uma obrigação ecumênica. "É muito gratificante, é um momento de rezar e pedir perdão", disse.
Já Mariana Lopes da Silva, de 26 anos, vai acompanhar a Via-sacra do Doente pela primeira vez este ano, no dia do seu aniversário. "Estar aqui com Deus neste momento, nessa caminhada, é muito importante, eu participo nessa comunidade e senti um convite de viver algo mais profundo", afirma.
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