Perto da aposentadoria, Mônica descobriu talento pintando onças
Professora de farmacologia encontrou nova paixão longe dos laboratórios
Perto dos 60 anos e já de olho na aposentadoria, a professora universitária Mônica Kadri descobriu que ainda havia espaço para recomeços. Doutora em Farmacologia e acostumada à rotina acadêmica, foi longe dos laboratórios que ela encontrou na pintura de onças e outros animais do Pantanal uma nova paixão e também um novo ofício.
Natural de Campinas, Mônica se mudou para Mato Grosso do Sul para dar aulas na universidade. Mas foi só em 2023, ao passar mais tempo no distrito de Camisão, em Aquidauana, que a percepção do mundo ao redor começou a mudar. Em meio ao silêncio cortado pelas araras, o som do rio e os “causos” de onças, ela se viu envolvida pela natureza pantaneira. “É um lugar mágico”, resume.
Foi no quintal de casa que a professora viu a rotina se transformar. Sem formação artística e com experiência apenas em artesanato, Mônica se desafiou a pintar uma onça-pintada. “Foi em uma tela grande, logo de cara. Queria ver se eu levava jeito”, conta.

Mesmo sem técnica inicial, ela percebeu que tinha noção de proporção e composição. A partir disso, procurou orientação, fez workshops e, em pouco tempo, já dominava os pincéis e as tintas. Hoje, a casa em Camisão virou praticamente um ateliê, tomada por telas que retratam a fauna do Pantanal.
As onças-pintadas são as protagonistas das obras. “Elas têm uma presença muito forte, por si só já são uma pintura”, comenta. Além delas, araras, tuiuiús e outros animais também ganham vida nas pinturas, muitas vezes inspiradas em fotografias e na própria vivência na região.
E não é só inspiração distante. Mônica conta que já viu três onças de perto. “Presenciei uma mãe defendendo o filhote de um macho. É inesquecível e você entende o tamanho da sua pequenez diante da natureza”, relata.
A produção de uma tela em tamanho médio leva cerca de dois dias para ficar pronta. Cada uma custa a partir de R$ 600 e, mesmo sem pretensão inicial de venda, passa a despertar interesse de visitantes que até batem na porta da artista para conhecer o trabalho.
Em cerca de dois anos de dedicação, Mônica já participou de exposições em eventos como a Pantanal Tech, ações do Instituto Federal e até da COP 15, sempre em espaços ligados à biodiversidade e preservação ambiental.
Agora, com a aposentadoria se aproximando, Mônica planeja transformar a pintura em atividade principal. Além de uma nova fonte de renda, ela afirma que enxerga na arte uma forma de se manter ativa e motivada.
“Às vezes a gente tem um potencial adormecido e não percebe por causa da correria da vida. Aprender algo novo nessa fase é o que faz a gente se sentir viva”, finaliza.
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