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Economia

MS entra no “mapa” federal de grandes corredores logísticos planejados até 2050

Plano nacional cita gargalos no escoamento da produção e busca soluções em BRs, hidrovias e ferrovias

Por Jhefferson Gamarra | 12/08/2026 16:08
MS entra no “mapa” federal de grandes corredores logísticos planejados até 2050
Carreta de carga viva trafega pela BR-419, trecho recentemente requalificado pelo governo federal. (Foto: Juliano Almeida)

O PNL 2050 (Plano Nacional de Logística), lançado nesta quarta-feira (12) pelo Ministério dos Transportes, coloca Mato Grosso do Sul entre os estados diretamente afetados pelos principais gargalos de transporte identificados pelo governo federal e inclui uma série de estruturas do Estado no cenário de expansão da infraestrutura brasileira até 2050.

RESUMO

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O Plano Nacional de Logística 2050, lançado pelo Ministério dos Transportes, aponta Mato Grosso do Sul entre os estados com maiores gargalos no transporte de soja, milho, minério de ferro e celulose. O documento prevê investimentos em rodovias como a BR-163 e BR-267, na Hidrovia do Paraguai, nos portos de Corumbá e Porto Murtinho, na Malha Oeste e na Ferrovia Bioceânica de Capricórnio, que ligará Santos ao Porto de Antofagasta, no Chile.

O documento, que norteará investimentos em aprimoramento de corredores logísticos no país durante os próximos 24 anos, aponta dificuldades no escoamento de minério de ferro, soja, milho e celulose produzidos em Mato Grosso do Sul. Também identifica problemas no abastecimento de fertilizantes e projeta expansão da produção de milho e açúcar no Estado.

Na parte de investimentos, o plano inclui Mato Grosso do Sul em eixos rodoviários, ferroviários e aquaviários. Entre as estruturas citadas estão a BR-163, a BR-267, a Hidrovia do Paraguai, os complexos portuários de Corumbá e Porto Murtinho, a Malha Oeste, a Nova Ferroeste e o projeto para implantação da Ferrovia Bioceânica de Capricórnio, com saída por Corumbá, ligando o Porto de Santos até o Porto de Antofogasta, no Chile.

O plano é o primeiro instrumento estratégico do ciclo 2024-2027 do PIT (Planejamento Integrado de Transportes), instituído pelo Decreto nº 12.022/2024. O documento foi elaborado para orientar o planejamento de longo prazo do sistema nacional de transportes e reúne objetivos prioritários e uma seleção de infraestruturas consideradas estratégicas.

MS entra no “mapa” federal de grandes corredores logísticos planejados até 2050
Carreta hexatrem descarregando eucalipto em fábrica de Ribas do Rio Pardo. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Gargalos de MS - Um dos problemas destacados pelo plano é a dificuldade no escoamento da produção de minério de ferro de Mato Grosso do Sul. O Estado também aparece entre os locais com dificuldade para transportar soja e milho destinados à exportação.

A lista de problemas do PNL 2050 ainda inclui a dificuldade de escoamento da produção de celulose de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Segundo o documento, a definição dos problemas de exportação considerou o volume exportado, a importância de cada produto para a economia dos estados produtores e as contribuições obtidas nas consultas públicas e entrevistas com o setor privado.

O diagnóstico mostra, portanto, que o desafio logístico de Mato Grosso do Sul não está concentrado em uma única cadeia produtiva. O plano relaciona o Estado simultaneamente às dificuldades de transporte de produtos minerais e agropecuários e à expansão da indústria de celulose.

Além dos gargalos atuais, o governo federal também projeta mudanças na produção até 2050. O PNL considera como demanda emergente a expansão da produção de milho em Mato Grosso do Sul, juntamente com Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, para abastecimento do mercado doméstico. O documento também prevê a expansão da produção de açúcar em Goiás e Mato Grosso do Sul para exportação.

Outro ponto diretamente relacionado ao Estado é o abastecimento de insumos. Mato Grosso do Sul e Paraná aparecem juntos como áreas com dificuldade no abastecimento de adubos e fertilizantes, problema analisado pelo plano entre os gargalos de transporte para abastecimento interno.

MS entra no “mapa” federal de grandes corredores logísticos planejados até 2050
Planejamento ligando rodovias de MS, SP, GO e MG (Imagem: Reprodução)

BR-163 e BR-267 entram no planejamento - Na infraestrutura rodoviária, Mato Grosso do Sul aparece no eixo R012, de ligação rodoviária de Goiás e Mato Grosso do Sul com São Paulo. O eixo reúne 14 intervenções estruturantes.

Dentro desse eixo, o PNL 2050 prevê a requalificação da BR-267/MS em dois trechos: entre Rio Brilhante e Porto Murtinho e entre Nova Alvorada do Sul e a divisa com São Paulo. As duas intervenções são classificadas como expansão. O eixo também contempla a requalificação de rodovias paulistas que fazem a ligação com Mato Grosso do Sul, além da SP-300 entre Três Lagoas e Araçatuba.

A BR-163 também aparece entre as infraestruturas estratégicas. O plano prevê a requalificação de trechos entre Dourados e a BR-487, entre a BR-487 e Cascavel, entre Campo Grande e Rondonópolis, além do trecho entre Campo Grande e Dourados.

A presença dessas rodovias no plano é relevante porque elas fazem parte de diferentes rotas de ligação de Mato Grosso do Sul com outras regiões produtoras e com os principais mercados e estruturas de transporte do país. O PNL, porém, trabalha em nível estratégico: a inclusão de uma infraestrutura não significa, por si só, que uma obra específica tenha orçamento, cronograma ou modelo de concessão definidos.

O próprio documento ressalta que não analisou projetos, contratos ou obras específicas. Foram consideradas necessidades amplas de implantação, expansão de capacidade e manutenção, enquanto o detalhamento dos empreendimentos será feito nos planos posteriores do Planejamento Integrado de Transportes.

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Malha ferroviária cortando Mato Grosso do Sul, interligando Malha Oeste, Malha Paulista e Ferrovia Bioceânica Capricórnio (Imagem: Reprodução)

Ferrovia aproxima MS de São Paulo e do Pacífico - Na malha ferroviária, o Estado aparece em um dos oito eixos prioritários do PNL 2050. O F007, chamado de “Corredor bioceânico via Mato Grosso do Sul”, reúne cinco intervenções estruturantes.

Entre elas está a implantação da Ferrovia Malha Oeste entre Corumbá e Mairinque (SP), classificada como implantação brownfield, com bitola ainda a definir no plano. Também está prevista uma conexão com a Malha Paulista, em trecho de bitola mista.

O mesmo eixo inclui a implantação da Ferrovia Bioceânica de Capricórnio, com saída em Corumbá e trecho internacional pela Bolívia e pelo Chile. A proposta é classificada como implantação greenfield, com bitola larga.

A Malha Oeste aparece novamente entre as alternativas ferroviárias do plano. Em outro conjunto de intervenções, o documento prevê a implantação do trecho Campo Grande–Ponta Porã, classificado como brownfield, além da Nova Ferroeste entre Maracaju e Cascavel, em implantação greenfield e bitola larga.

Com isso, o planejamento federal coloca no mesmo horizonte de longo prazo diferentes conexões ferroviárias de Mato Grosso do Sul: uma em direção ao interior de São Paulo, outra para a fronteira com o Paraguai e outra em direção ao Paraná.

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Projeto de hidrovia entre MS e MT, tratado como prioridade para os próximos anos (Imagem: Reprodução)

Hidrovia do Rio Paraguai também é prioridade - O transporte fluvial é outro componente importante do planejamento para Mato Grosso do Sul. O PNL 2050 estabelece quatro eixos aquaviários prioritários, entre eles a Hidrovia do Paraguai (MT-MS).

O eixo A002 prevê intervenções tanto na infraestrutura hidroviária quanto nos terminais. Para a Hidrovia do Rio Paraguai, estão previstas uma melhoria na parte navegável e a consolidação do trecho entre Corumbá e Barra de Bugres, no Mato Grosso.

Nos portos sul-mato-grossenses, o plano prevê a expansão do Complexo Portuário de Corumbá, com aumento de capacidade para movimentação de granéis sólidos minerais e implantação de capacidade para granéis sólidos agrícolas e cargas gerais conteinerizadas ou não conteinerizadas.

Para Porto Murtinho, o PNL 2050 também prevê expansão do complexo portuário, com aumento de capacidade para granéis sólidos agrícolas e implantação de estruturas para cargas gerais, granéis líquidos e outros granéis sólidos minerais.

A combinação de rodovia, ferrovia e hidrovia faz parte da lógica de intermodalidade defendida pelo plano. A proposta é que os investimentos não sejam analisados de forma isolada, mas como partes de rotas capazes de conectar regiões produtoras, mercados consumidores e portos.

Corredor bioceânico ganha dimensão ferroviária - A inclusão do corredor bioceânico entre os eixos ferroviários é um dos pontos de maior alcance para Mato Grosso do Sul. O plano relaciona a estrutura diretamente a Corumbá e prevê uma conexão internacional com a Bolívia e o Chile, além da ligação ferroviária até Mairinque e conexão com a Malha Paulista.

O documento também prevê a expansão da infraestrutura portuária de Santos dentro desse eixo, incluindo aumento de capacidade para diferentes tipos de carga, como produtos agrícolas, minerais, líquidos e cargas gerais.

Na prática, o desenho apresentado pelo PNL integra estruturas de Mato Grosso do Sul a rotas que alcançam São Paulo e, no sentido internacional, Bolívia e Chile. O plano não define, contudo, como cada empreendimento será concedido ou executado.

O documento explica que o PNL 2050 apenas identifica as infraestruturas com funcionalidade logística estratégica. A definição sobre realização por obra pública, concessão ou autorização para a iniciativa privada ficará a cargo dos planos posteriores do PIT.

MS entra no “mapa” federal de grandes corredores logísticos planejados até 2050
Ministro dos Transportes, George Santoro, durante visita a Mato Grosso do Sul em 31 de julho deste ano para inaugurar obras em rodovias federais (Foto: Juliano Almeida)

O que muda até 2050 - O PNL 2050 deixa claro que não é uma carteira de obras com cronograma de execução. O documento funciona como planejamento estratégico para orientar decisões futuras. Ao todo, foram estabelecidos 112 objetivos prioritários de atuação e, no cenário-meta, 31 eixos de transporte, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais. Há ainda 11 eixos mantidos em um banco de projetos para estudos futuros.

Para chegar a esse resultado, o governo informa que realizou seis consultas públicas, 20 encontros técnicos regionais, três workshops com sociedade civil e órgãos de controle e pesquisas qualitativas com as 27 unidades da Federação e 95 entidades representativas do setor privado.

O plano também prioriza a manutenção dos corredores de transporte. São considerados corredores de exportação aqueles que concentram o escoamento de produtos como minério de ferro, soja, milho e celulose; corredores de consumo interno, os responsáveis pelo abastecimento do mercado nacional; e corredores de integração territorial, aqueles considerados estratégicos para conectar cidades e regiões, inclusive áreas de fronteira.

Para Mato Grosso do Sul, o resultado é um planejamento que reconhece gargalos atuais e antecipa o crescimento de cadeias produtivas, ao mesmo tempo em que coloca no horizonte de longo prazo investimentos em rodovias, ferrovias, portos e hidrovia.

O Estado aparece, assim, em diferentes frentes do PNL 2050: como origem de cargas que precisam de melhores rotas para chegar aos mercados, como destino de insumos agrícolas, como corredor de passagem para outras regiões e como ponto estratégico de conexão ferroviária e hidroviária com o restante do país e com países sul-americanos.