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Economia

Pressão do mercado externo aumenta plantio de soja convencional em MS

Embrapa Agropecuária Oeste avalia que soja convencional vai ganhar espaço entre lavouras transgênicas na safra 2018/2019

Por Helio de Freitas, de Dourados | 04/05/2018 16:40
Lavoura de soja na região de Dourados na safra colhida neste ano (Foto: Helio de Freitas)
Lavoura de soja na região de Dourados na safra colhida neste ano (Foto: Helio de Freitas)

De olho nas exportações, produtores rurais de Mato Grosso do Sul devem usar mais semente de soja convencional que as variedades transgênicas na safra 2018/2019. A avaliação é da Embrapa Agropecuária Oeste, com sede em Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

Segundo a empresa de pesquisa, variedades produtivas sem necessidade de pagamento da taxa tecnológica, bonificação paga aos sojicultores e benefícios fitossanitários para as lavouras são fatores que contribuem para a ampliação do cultivo de soja convencional.

O plantio de semente não transgênica tem se mostrado um bom negócio, segundo pesquisadores da Embrapa, porque a exportação do grão convencional atende a exigências de alguns mercados específicos.

Atualmente, empresas que vendem soja adotam como estratégia para aumentar a oferta do produto o pagamento de bonificação aos produtores para plantio da semente convencional.

“Além da bonificação, os produtores de soja convencional não precisam desembolsar a taxa tecnológica (royalties), que deve ser paga à empresa que dispõe a tecnologia”, avalia a Embrapa.

Além disso, a oferta de novas variedades de soja convencional, desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento Genético da Embrapa, contribui diretamente para o aumento das áreas cultivadas com semente não transgênica.

Opções ao transgênico - “As cultivares BRS 284 e BRS 511, por exemplo, além de serem precoces, apresentam excelente comportamento nas semeaduras antecipadas, a partir do fim do vazio sanitário, o que pode facilitar o manejo da produção de soja convencional”, afirma a Embrapa em nota divulgada hoje (4).

Recém-lançada, a BRS 511 possui resistência genética à ferrugem da soja. Apesar de não dispensar o controle químico, essa cultivar representa importante ferramenta para manejar de forma adequada a principal doença da soja. As pesquisas mostraram também que a variedade produziu 70 sacas por hectare, considerada de elevado potencial produtivo.

Já a BRS 284, desenvolvida em 2009, também tem ciclo precoce e alta produtividade. “Na safra 2017/2018, plantamos uma área de 1.150 hectares com a cultivar BRS 284 e obtivemos uma produtividade média de 84 sacas por hectare”, informou o engenheiro agrônomo da Sementes Jotabasso em Ponta Porã, Edmar Lopes Dantas.

Controle de pragas – Para o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, o cultivo de soja convencional é uma importante estratégia para melhorar o sistema de produção, principalmente nas questões fitossanitárias.“Os herbicidas seletivos, utilizados anos atrás, apresentam boa eficiência no controle de plantas daninhas que estão se tornando problemáticas”.

O produtor rural Guaracy Boschilha Filho, que cultiva soja convencional há 15 anos em Amambai, obteve produtividade de 58 sacas/ha com a cultivar BRS 511. Já com a BRS 284, a produtividade foi 10% menor. “Em função do manejo, tenho menos problemas em relação à buva e ao capim amargoso”.