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Economia

Projetos de habitação popular disparam e problema agora é encontrar mão de obra

Dono de construtora percebe aumento de 125% na demanda por construções de casas populares

Por Izabela Cavalcanti | 23/04/2024 12:07
Casas sendo construídas no Bairro José Tavares para ex-moradores do Mandela (Foto: Marcos Maluf)
Casas sendo construídas no Bairro José Tavares para ex-moradores do Mandela (Foto: Marcos Maluf)

A demanda por projetos de habitação popular em Mato Grosso do Sul tem seguido tendência de aumento nos últimos anos. No entanto, o cenário esbarra na dura necessidade de mão de obra no Estado, um velho problema.

Exemplo disso é o engenheiro civil Gustavo Souza Castro, de 39 anos, que também é responsável por uma empresa de construção civil na Capital. Em 2020, ele estava com quatro projetos deste tipo, e neste ano passou para nove, ou seja, alta de 125%.

“A demanda com habitação popular é constante. São vários fatores que aceleram esta demanda. A oferta de trabalho na região, o constante crescimento, valorização dos aluguéis, a quantidade de áreas de invasões e de risco, a vinda de grandes projetos industriais e o fomento ao turismo, a demanda por moradia também cresce exponencialmente”, disse.

Além disso, Gustavo também cita que o retorno do “Minha Casa, Minha Vida” e subsídios oferecidos pelo Governo do Estado também incentivam a procura por imóveis.

Os projetos estão sendo atendidos por ele em Mundo Novo, Ivinhema, Bonito, Jardim, Aquidauana, Terenos, Ponta Porã e Sidrolândia. Em breve, irá começar também em Paranaíba, Inocência e Aral Moreira.

Em Campo Grande, bairros como Jardim Antártica, Paulo Coelho Machado, Jardim Nashiville e José Tavares vão ganhar novas moradias. São empreendimentos com 45 m² de área construída, com sala, cozinha, um banheiro, dois quartos e espaço para ampliação.

“O Governo do Estado em parcerias com o Governo Federal e municípios, e com as famílias que estão aptas a ter financiamentos conseguem com tempo ir atendendo as demandas. Temos projetos que se iniciaram em 2020 e ainda estão em desenvolvimento”, pontuou.

Algumas das propostas que Gustavo atende inclui o Credhabita, lote urbanizado, e programa de locação social. Além disso, a construção da habitação sustentável, no Paulo Coelho Machado, é o maior projeto em desenvolvimento por ele.

Terreno na Avenida dos Cafezais está recebendo terraplanagem para começar a construção do projeto da Prefeitura, que prevê habitação sustentável (Foto: Marcos Maluf)
Terreno na Avenida dos Cafezais está recebendo terraplanagem para começar a construção do projeto da Prefeitura, que prevê habitação sustentável (Foto: Marcos Maluf)

“Estamos em andamento com projetos para o 1° empreendimento de habitação de interesse social sustentável a nível Brasil. Projeto inovador, ganhador de prêmio, com características de apelo sustentável”, completou.

Segundo o presidente da Acomasul (Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul), Diego Canzi, o Credhabita tem ajudado a impulsionar o setor. “O Minha Casa, Minha Vida, que é o projeto federal, tem o problema do subsídio. As pessoas não tem o recurso para dar entrada e o programa do Estado auxilia muito o setor da construção e ajudou consideravelmente a impulsionar o setor”.

No entanto, em contrapartida, ele acredita que o setor não viveu um bom momento no primeiro trimestre de 2024, com exceção para unidades pontuais que impulsionaram o setor, como no caso da Suzano, fábrica de celulose, que gerou uma demanda atípica.

Mão de obra – Para Gustavo, responsável por essas construções, com a alta demanda, a necessidade de funcionários também aumenta, mas encontrar gente para trabalhar tem sido o desafio.

“Número de funcionários, entre próprios e terceiros, a demanda é crescente em torno de 80%. Está sendo um ‘dificultor’ para cumprir os cronogramas, muitas das vezes sendo necessária a extensão do previsto inicialmente”, afirmou.

Na visão do titular da Acomasul, esse também é um problema constante. “A questão de mão de obra qualificada é um problema eterno. Azulejista, encanador, calheiro, eletricista, está difícil de achar. É uma mão de obra escassa. Abre curso na escola de construção do Sistema S, não tem procura, a adesão é muito baixa, o pessoal não se interessa”, destacou Canzi.

Trabalhador rebocando parede para instalar porta de ferro em casa popular no José Tavares (Foto: Marcos Maluf)
Trabalhador rebocando parede para instalar porta de ferro em casa popular no José Tavares (Foto: Marcos Maluf)

Projetos - Alguns projetos de habitação disponíveis no Estado são: Bônus Moradia, lançado em junho de 2023 e que, até o momento, está atendendo 1,5 mil famílias com subsídios que variam de R$ 6 mil a R$ 25 mil.

Outro programa habitacional lançado pelo Governo do Estado em 2016 é o "Financiado e Subsidiado", viabilizado por meio de subsídio federal, estadual e a participação dos municípios por meio da doação de lotes.

Já o "Programa Minha Casa Minha Vida Cidades Emendas", do Governo Federal, que está sendo regulamentado pelo Governo do Estado para entrar em vigor em Mato Grosso do Sul ainda este ano, contará com o benefício de R$ 30 milhões recebidos pelo Estado por meio de emenda parlamentar.

Em Campo Grande, existe o Credhabita, que concede crédito a famílias de baixa renda para construções ou reformas de casas de até 70 metros quadrados, que não tenham sido financiadas. O programa é para famílias que tenham renda líquida de até cinco salários mínimos.

Também está em construção residencial sustentável, na região do Bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande.

Campo Grande foi a segunda cidade selecionada no concurso nacional de arquitetura “Habitação de Interesse Sustentável”. O objetivo do documento é estabelecer condições para a destinação de terreno público, de acordo com o chamamento público para a construção das unidades.

O projeto prevê a construção de cerca de 164 unidades habitacionais com fachada ativa em frente à Avenida dos Cafezais e disponibilidade de locação para estabelecimentos comerciais, praças, jardins e pátios interno e externo de uso comum, drenantes, horta comunitária, bicicletário, pisos em concregrama e uso de tecnologias para ampliar a eficiência energética do local, além de sistema para captação de água das chuvas para reuso.

Gustavo mostra projeto de casas no Bairro José Tavares, em Campo Grande (Foto: Alex Machado)
Gustavo mostra projeto de casas no Bairro José Tavares, em Campo Grande (Foto: Alex Machado)

Em dezembro, a Prefeitura de Campo Grande publicou no Diário Oficial a construção de 150 casas em quatro bairros para ex-moradores da favela do Mandela.

O custo será de R$ 15 milhões para construção no bairro José Tavares, com 44 lotes; 32 no Talismã; e 74 no Iguatemi I e II. Gustavo é responsável por todas essas.

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