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Editorial

Antes que o fogo volte: prevenir é obrigação, destruir deve ser crime sem perdão

Com a estiagem, qualquer descuido pode provocar incêndios de grandes proporções

Por José Cândido | 01/08/2026 07:00
Antes que o fogo volte: prevenir é obrigação, destruir deve ser crime sem perdão
A seca transforma o Cerrado e o Pantanal em áreas de alto risco. Prevenir queimadas é um dever coletivo; provocar incêndios é crime contra a natureza, a economia e a vida.

Agosto marca o início do período mais crítico da estiagem em Mato Grosso do Sul. A umidade do ar despenca, a vegetação perde água, o vento se intensifica e qualquer fagulha é suficiente para transformar um pequeno foco em um incêndio de grandes proporções. É a época em que a prevenção deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ser uma necessidade coletiva.

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Agosto marca o início do período mais crítico de estiagem em Mato Grosso do Sul, elevando o risco de incêndios. Após os devastadores incêndios no Pantanal em 2024, especialistas alertam para a necessidade de prevenção coletiva, que inclui evitar queimadas e denunciar focos de incêndio. O poder público deve intensificar campanhas educativas e garantir punição rigorosa aos incendiários, já que a impunidade estimula novos crimes ambientais.

O alerta é ainda mais urgente porque a memória está viva. Em 2024, o Pantanal sofreu uma das maiores tragédias ambientais de sua história recente. Milhares de hectares foram consumidos pelas chamas. A paisagem transformou-se em cinzas. Animais morreram queimados ou sem condições de fugir do fogo. Espécies ameaçadas perderam habitat, produtores rurais acumularam prejuízos e o mundo assistiu, perplexo, ao avanço das queimadas sobre um dos biomas mais ricos do planeta.

A natureza leva décadas para se recuperar. O fogo, porém, destrói tudo em poucas horas.

É justamente por isso que agosto precisa ser encarado como um mês de responsabilidade compartilhada. A população tem papel decisivo nessa tarefa. Queimar folhas secas, lixo doméstico ou restos de poda no quintal pode parecer um ato sem importância, mas basta uma rajada de vento para que o fogo atravesse cercas, alcance terrenos baldios, matas e propriedades rurais. O mesmo vale para queimadas destinadas à limpeza de pequenas áreas, uma prática que continua sendo uma das principais causas de incêndios durante a seca.

A prevenção começa com atitudes simples, mas indispensáveis. Evitar qualquer tipo de queima, manter terrenos limpos, descartar corretamente resíduos e comunicar imediatamente os órgãos competentes ao identificar um foco de incêndio são medidas que podem impedir tragédias ambientais e humanas.

Mas não basta transferir toda a responsabilidade ao cidadão. O poder público também precisa fazer sua parte. Campanhas educativas devem ser intensificadas antes do agravamento da estiagem. Equipes de combate precisam estar treinadas, equipamentos revisados, aeronaves e viaturas prontas para resposta rápida. O monitoramento das áreas de maior risco deve ser permanente, especialmente em regiões próximas ao Pantanal e ao Cerrado.

Há, entretanto, um ponto que não pode continuar sendo tratado com complacência: a punição aos incendiários.

Incêndios provocados de forma criminosa não podem ser vistos como simples infrações ambientais. Eles representam ataques ao patrimônio natural, colocam vidas em risco, destroem propriedades, comprometem a saúde pública com a fumaça e geram prejuízos milionários para toda a sociedade. Quem provoca fogo intencionalmente precisa ser identificado, investigado e responsabilizado com rigor, tanto na esfera criminal quanto na reparação dos danos ambientais.

A impunidade funciona como combustível. Quando os responsáveis não são encontrados ou não sofrem consequências proporcionais aos danos causados, a sensação de que "nada acontece" estimula novos crimes. Combater essa percepção é tão importante quanto apagar as chamas.

O Pantanal não pode voltar a viver o pesadelo de 2024. Tampouco o Cerrado, que abriga uma biodiversidade extraordinária e desempenha papel essencial na conservação dos recursos hídricos e do equilíbrio climático.

Agosto chega trazendo o desafio da seca. Que venha também acompanhado de consciência, fiscalização eficiente e tolerância zero contra quem transforma o fogo em instrumento de destruição. Quando a prevenção falha, todos perdem. Quando a responsabilidade é compartilhada e a lei é aplicada com firmeza, quem ganha é a natureza, a economia e, sobretudo, a vida.