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Editorial

Eleição para o Senado: Mato Grosso do Sul precisa de voz, não de figurantes

Eleitor deve avaliar experiência, trajetória e capacidade de articulação antes de entregar 8 anos de mandato

Por José Cândido | 22/09/2026 05:04
Eleição para o Senado: Mato Grosso do Sul precisa de voz, não de figurantes
Plenário do Senado Federal, onde os representantes dos estados participam de decisões que influenciam os rumos do País pelos próximos oito anos. (Foto divulgação)

No dia 4 de outubro, os eleitores de Mato Grosso do Sul terão uma responsabilidade maior do que em outras eleições: escolher dois senadores para representar o Estado. São mandatos de oito anos, com enorme influência sobre os rumos do País e consequências diretas para a população sul-mato-grossense. Por isso, não há espaço para voto por impulso, simpatia ou simples identificação partidária.

RESUMO

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Em 4 de outubro, eleitores de Mato Grosso do Sul escolherão dois senadores para mandatos de oito anos. O cargo exige representantes preparados para defender investimentos em infraestrutura, agronegócio e segurança pública. O eleitor deve avaliar trajetória, comportamento diante do dinheiro público e capacidade de articulação, evitando escolhas baseadas em simpatia ou identificação partidária, pois uma decisão equivocada não poderá ser corrigida na eleição seguinte.

O Senado não é lugar para aventuras. Também não pode ser tratado como prêmio de consolação para derrotados em outras disputas ou como abrigo confortável para políticos interessados apenas no prestígio e nos privilégios do cargo. Mato Grosso do Sul precisa eleger representantes preparados, experientes e capazes de defender o Estado onde as decisões realmente são tomadas.

O senador participa da elaboração das leis, fiscaliza o Governo Federal, vota o Orçamento da União, analisa indicações para o Supremo Tribunal Federal e outras instituições estratégicas, além de decidir sobre processos que podem afastar autoridades do topo da República. É uma cadeira com poder suficiente para interferir na economia, na segurança, na Justiça e na vida de milhões de brasileiros.

Para Mato Grosso do Sul, a escolha ganha importância ainda maior. O Estado precisa de voz firme em Brasília para cobrar investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, saúde, segurança pública e desenvolvimento da faixa de fronteira. Precisa de representantes capazes de transformar as potencialidades da Rota Bioceânica em resultados concretos, defender o agronegócio com responsabilidade e buscar recursos para os municípios.

Nada disso se consegue apenas com discursos inflamados, vídeos nas redes sociais ou promessas de campanha. O trabalho no Senado exige conhecimento dos caminhos políticos, capacidade de articulação, respeito institucional e disposição para construir acordos. Quem não conhece o funcionamento do Congresso corre o risco de passar oito anos fazendo barulho, mas produzindo pouco.

Experiência, porém, não deve ser confundida apenas com tempo de mandato. O eleitor precisa observar a trajetória completa de cada candidato. Deve avaliar o que já realizou, como se comportou diante do dinheiro público, quais interesses defendeu, com quem se aliou e se possui equilíbrio para ocupar um dos cargos mais importantes da República.

Também é indispensável verificar se o candidato conhece Mato Grosso do Sul além do período eleitoral. Já percorreu os municípios? Entende os problemas da fronteira? Conhece a realidade dos pequenos produtores, dos trabalhadores, das famílias que dependem do SUS e das cidades que sobrevivem com orçamentos apertados? Ou descobriu essas dificuldades apenas quando decidiu pedir votos?

Um senador não representa somente o partido, o grupo político ou os financiadores de sua campanha. Representa todo o Estado. Precisa ter independência para contrariar o governo quando necessário e maturidade para apoiá-lo quando a decisão beneficiar a população. Fidelidade cega não é virtude. O compromisso maior deve ser com Mato Grosso do Sul.

O voto para o Senado merece, portanto, atenção especial. O eleitor terá duas escolhas e precisa analisar cada uma delas com cuidado. É necessário comparar currículos, propostas, comportamento público e capacidade de entregar resultados. Popularidade pode ajudar a ganhar eleição, mas não substitui competência.

O mandato dura oito anos. Nesse período, governos começam e terminam, crises surgem e decisões históricas são tomadas. Uma escolha equivocada não poderá ser corrigida na eleição seguinte.

No dia 4 de outubro, o eleitor deve deixar de lado paixões momentâneas e avaliar quem realmente possui preparo, experiência, equilíbrio e coragem para representar o Estado. Mato Grosso do Sul não precisa de senadores que apenas ocupem cadeiras. Precisa de vozes respeitadas, influentes e presentes.

O Senado é poderoso demais para ser entregue a improvisos. Escolher com sabedoria não é apenas um direito. É uma responsabilidade com o futuro.