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Educação e Tecnologia

Celular vai voltar à sala de aula, mas só para uso de Inteligência Artificial

Governo diz que professores vão orientar o uso do Gemini e promete capacitação

Por Kamila Alcântara e Fernanda Palheta | 01/06/2026 17:44
Celular vai voltar à sala de aula, mas só para uso de Inteligência Artificial
Comunicado em escola estadual sobre a proibição de celulares na sala de aula (Foto: Arquivo)

O celular, que hoje tem uso restrito nas escolas, poderá virar uma das portas de entrada da inteligência artificial na rede estadual de Mato Grosso do Sul. A diferença, segundo o governo, é que o Gemini, ferramenta de IA do Google, não será liberado para uso livre dos alunos, mas aplicado em atividades planejadas pelos professores.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O governo de Mato Grosso do Sul firmou parceria com o Google para introduzir o Gemini, ferramenta de inteligência artificial, nas escolas públicas estaduais. A IA será usada de forma orientada pelos professores, não livremente pelos alunos, e o celular poderá ser utilizado nesse contexto. O Estado abrirá vagas para capacitar docentes. O Google garantiu que os dados dos alunos são protegidos conforme a legislação brasileira.

A explicação foi dada nesta segunda-feira (1º), durante evento na Governadoria, em Campo Grande, que oficializou a parceria entre o Governo do Estado e o Google. Além do “endereço digital” para propriedades rurais, a cooperação também prevê o uso de inteligência artificial nas escolas públicas estaduais.

Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), a IA já está presente na rotina dos estudantes, mesmo sem uma política formal de uso. Ele afirmou que costuma perguntar, em inaugurações de escolas, quantos alunos usam inteligência artificial. A resposta, segundo ele, fica entre 30% e 40%. “O fato é que já está nas escolas de um jeito ou de outro. E agora a gente vai universalizar isso com direcionamento”, afirmou Riedel.

O governador disse que o Estado abrirá vagas para capacitação de professores da rede estadual. A formação, segundo ele, será necessária porque a tecnologia é nova e as mudanças na educação e no mercado de trabalho têm ocorrido cada vez mais rápido.

“Estamos abrindo vaga para capacitação de professores da rede estadual de ensino, porque é uma novidade e capacitação é permanente na vida da gente, para todo mundo, nas transformações que estão aí cada vez mais rápidas”, disse.

Celular vai voltar à sala de aula, mas só para uso de Inteligência Artificial
Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (Foto: Maya Severino)

O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, afirmou que a conectividade já é uma realidade nas escolas e que o desafio agora será transformar o acesso à inteligência artificial em ferramenta de aprendizagem, não em uso solto e sem controle.

“É importante lembrar que a conectividade hoje é real nas escolas e o acesso à ferramenta vai ser disponibilizado. A grande preocupação nossa agora é como trabalhar esse acesso”, afirmou.

Daher disse que o primeiro passo da SED (Secretaria de Estado de Educação) será preparar os professores. Segundo ele, a IA pode ser usada em diferentes disciplinas, como matemática e geografia, mas precisa estar ligada ao planejamento pedagógico.

“O uso da IA é amplo e multidisciplinar. É uma ferramenta recente. Muitos de nós, professores, não passamos pela formação do uso desses instrumentos na nossa formação inicial”, afirmou.

A pergunta mais prática, porém, é como conciliar a ferramenta com a restrição ao celular em sala de aula. O secretário disse que o aparelho não está proibido, mas tem uso controlado. Por isso, poderá ser usado quando fizer parte de uma atividade orientada. “O celular tem uso restrito, mas não proibido. Nós vamos utilizar o celular como ferramenta através do uso do Gemini, de maneira orientada”, disse Daher.

Segundo ele, o uso da inteligência artificial deverá depender do planejamento do professor. Ou seja, a ferramenta só deve entrar na aula quando tiver finalidade definida. “O professor planeja a utilização e vai se utilizar de acordo com o que deseja trabalhar”, afirmou.

Celular vai voltar à sala de aula, mas só para uso de Inteligência Artificial
Secretário Estadual de Educação, Hélio Daher (Foto: Osmar Veiga)

Na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), o presidente Gerson Claro (PP) defendeu que a escola não pode ignorar as novas tecnologias. Professor de História, ele comparou o cenário atual com o período em que dava aula usando quadro e giz.

“Eu tive a oportunidade de estar 12 anos em sala de aula. O quadro negro, que às vezes era verde, o giz para dar aula de história, falar da Pérsia, da China ou da Europa, tinha que ir lá e desenhar a botinha, desenhar o rio Tigre e o Eufrates, fazer o mapinha do Brasil e explicar isso com gizinho no quadro”, lembrou.

Para Gerson, resistir à tecnologia seria prejudicar os estudantes. “A gente querer viver no passado não é nem atraso, eu diria que é um pecado com a nossa juventude e com o nosso futuro”, disse.

Newton Neto, diretor-geral de Parcerias para América Latina e Canadá do Google, afirmou que os produtos da empresa seguem a legislação brasileira, incluindo regras de proteção de dados e normas voltadas ao ambiente digital de crianças e adolescentes.

Segundo ele, no caso de professores e estudantes, o uso ocorre dentro de uma instância criada para a instituição, sem troca direta de dados entre o que é produzido pela comunidade escolar e o Google.

Celular vai voltar à sala de aula, mas só para uso de Inteligência Artificial
Newton Neto, diretor-geral de Parcerias para América Latina e Canadá do Google (Foto: Maya Severino)

“Todos os produtos do Google respeitam a legislação local relacionada à proteção de dados, ao ECA digital e etc. No caso do uso por professores, alunos e comunidade acadêmica, isso é feito dentro da própria instância que é criada para a instituição. Não há uma troca de dados entre o que os alunos estão usando e o Google”, afirmou.

Newton também citou uma parceria com a USP (Universidade de São Paulo) voltada ao desenvolvimento responsável da inteligência artificial. “Existe uma preocupação muito grande no desenvolvimento de inteligência artificial de forma responsável, cumprindo todas as legislações que estão em vigor no país”, termina.

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