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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

05/07/2012 08:57

Final da Libertadores teve de tudo, até argentino corintiano

Nyelder Rodrigues
A casa é de argentino, mas a torcida foi pelo Corinthians. (Foto: Nyelder Rodrigues)A casa é de argentino, mas a torcida foi pelo Corinthians. (Foto: Nyelder Rodrigues)

Uma noite incomum de quarta-feira (4). Teve argentino torcendo pelo Corinthians, mesmo a final sendo contra o Boca Juniors, e torcedor recém convertido ao “corintianismo” chegando de viagem e indo direto para a casa dos amigos assistir ao segundo tempo. Além disso, teve chefe que por torcer por outro time, foi barrado na festa.

Os corintianos de Campo Grande se reuniram em peso, seja na segurança e conforto da casa de familiares e amigos, ou nos bares e avenidas da Capital, compartilhando a emoção do inédito título da Copa Libertadores da América com o primeiro que aparecesse pela frente.

Um dos que vibraram com o Corinthians foi o, pasmem, argentino Ramón Galeano, de 50 anos, casado há mais de 20 anos com a brasileira Leila Galeano. Torcedor fanático do River Plate, ele reuniu em casa, no bairro Buriti, a família para acompanhar a grande final. Mais do que a nacionalidade, a rivalidade entre os clubes falou mais alto nessa quarta.

No Brasil, ele adotou o Corinthians como time, e juntando isso à rivalidade River x Boca, não teve jeito. “Torcer pelo Boca? Nunca, jamais, ainda mais que meu irmão que mora na Argentina é torcedor do Boca”, exclamou Ramón. Em comum na família que mora no Brasil, é que todos são torcedores do River Plate. Porém, tanto Leila como a filha do casal, Jéssica, de 19 anos, são palmeirenses, e torceram pelo Boca Juniors.

Durante a semana, o clima na família foi de provocações pela rede social facebook. “Aproveitamos para tirar sarro até não querer mais. Sabe como é, são 102 anos...”, ironiza Leila, que diz não gostar do Boca Juniors, mas essa quarta-feira foi como Brasil e Argentina, e ela teve que torcer pelo clube argentino.

Já os filhos, Ramón Galeano Junior, de 24 anos, e Daniel Alberto Galeano, de 28, são corintianos e também torcedores do River. Daniel foi batizado com esse nome em homenagem ao ex-zagueiro da Seleção argentina e do River Plate, Daniel Alberto Passarela.

Perguntado sobre a paixão pelos clubes, Daniel diz que ela começou dentro de casa. “Eu fui educado assim. Além disso, o Corinthians foi o primeiro time que vi no estádio. O River eu cresci assistindo na TV junto com meu pai”, explica o torcedor.

No lado esquerdo do braço, Daniel mostra a tatuagem com a bandeira brasileira unida à argentina, além do brasão do River Plate. No outro braço, ele tatuou o brasão do Corinthians. “Os dois títulos tem gaviões como símbolo”, conta.

No braço de Daniel, o amor pelo Brasil e pela Argentina.No braço de Daniel, o amor pelo Brasil e pela Argentina.

Coração partido - Quando a reportagem perguntou sobre para quem eles torciam nos jogos entre River e Corinthians, aí a torcida se dividiu. “Meu coração fica dividido, tanto faz quem ganhar, eu fico triste. Já meu irmão é mais corintiano e chegou a chorar”, diz Daniel. Já Ramón revela que nesses casos não tem jeito e torce para o River Plate.

“Sempre que joga tem jogos entre brasileiros e argentinos fico dividido, mas contra o River eu sou River, não tem como. Mas contra o Boca, aí não tem como torcer a favor”, declara Ramón, que ainda diz que chorar mesmo, só pela Seleção Argentina.

“Quando a Argentina perde, os vizinhos ficam tudo em uma zoação comigo. Já chegaram até a entrar no meu quarto para tirar sarro, e minha comadre até colocou uma faixa escrito ‘não chore por mim Argentina’. Mas também quando a Argentina ganha, saiu aqui na rua e só dá todo mundo entrando correndo para não me ouvir tirando sarro”, conta o argentino Ramón.

Cadê o chefe? - Outro encontro de corintianos aconteceu na casa do policial militar Franco Alan Amorim, de 37 anos. No local, vários colegas de trabalho acompanhavam a partida, todos corintianos. Houve outros colegas que também tentaram ir, mas apenas corintianos entravam, não sendo aberta exceção nem para o chefe.

“Aqui só entra corintiano. Nem o chefe, que é vascaíno, pôde entrar. Avisamos a todos que queriam assistir que não eram para vir”, afirma Franco. Já Paulo Renato Ribeiro, de 24 anos, também policial militar, explica a superstição. “Se não é corintiano traz azar. Então, podia até pagar a festa que não entrava”.

Enquanto a reportagem esteve na casa de Franco, o Corinthians fez os dois gols que deram a vitória. Sobre o sentimento após aqueles gols que praticamente confirmavam o título, Franco comparou ao Brasileirão de 1990. “Sinto a mesma coisa agora que senti quando era um guri, em 1990, vendo o primeiro título brasileiro do Corinthians”.

A partida foi exibida em um telão, com data show e caixa amplificadora de som, equipamento pertencente a Paulo. Ele conta que os amigos se reúnem há quase um ano e meio em jogos decisivos do Corinthians. “O bom é que aqui, com os amigos e família, torcemos pela busca desse título inédito”.

Na hora do gol, comemoração dos corintianos reunidos na casa do amigo Franco.Na hora do gol, comemoração dos corintianos reunidos na casa do amigo Franco.

Sem queimar a carne - Mais preocupado em não queimar a carne e acompanhando apenas os principais lances, estava Geraldo Menezes, policial militar de 54 anos que colaborou com os amigos como churrasqueiro do encontro. Mesmo com 1 a 0 no placar, ele era cauteloso. “O jogo está bom, mas é melhor esperar o final”, argumentou. Entretanto, jogou tudo por água abaixo ao esquecer a carne e a cautela para comemorar o segundo gol do Corinthians.

Convertido e amuleto - Ele não torcia por time nenhum, mas por influência da mulher, fanática pelo Corinthians, acabou entrando para a turma de corintianos. Esse é Almir Pereira, procurador autárquico do Estado, segundo o próprio, “mais um convertido ao corintianismo”.

Ele estava em uma audiência na cidade mato-grossense de Lucas do Rio Verde, e veio para Campo Grande o mais rápido possível. Ele saiu de carro de Lucas do Rio Verde às 15h, chegando em Cuiabá às 19h30, embarcando para Campo Grande às 21h, chegando à Capital às 22h.

Almir antecipou a vinda para Campo Grande somente para acompanhar o segundo tempo do jogo com os amigos e com a mulher. “Vim apreensivo, torcendo muito. Ficava olhando de cidadezinha em cidadezinha para ver se enxergava fogos de artifício”, comenta.

Convertido e, o melhor, um amuleto corintiano. Por coincidência ou não, o primeiro gol corintiano saiu segundos após Almir ligar para a esposa avisando sobre a chegada ao Aeroporto Internacional. Já o segundo saiu logo após ele chegar à casa de Franco. Um amuleto e tanto.

Promessa é dívida - Antes do final do jogo, em tom de brincadeira, Franco prometeu que caso o Corinthians conquistasse o título, não haveria trabalho nesta quinta-feira, além de que todos os corintianos do setor onde ele trabalha receberiam gratificação de 30%. "Vai se chamar gratificação Libertadores".

Mas como tudo não passou de uma brincadeira de um torcedor feliz com o time do coração, os colegas de trabalho vão comemorar apenas o título da Copa Libertadores da América. O expediente continua normal, sem gratificações salariais.

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Tanto o sorriso quanto as lágrimas de alegria e felicidade estampadas no rosto de cada brasileiro corintiano, justificaram e recompensaram ontem nossa torcida, mesmo sendo nós "anti corintianos". Vitória para o "Timão". Vitória para seus apaixonados e fanáticos torcedores e vitória pra o futebol brasileiro. Que chorem os argentinos e não o meu povo.
 
Fernando Silva em 05/07/2012 01:49:21
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