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Campo Grande, Domingo, 16 de Dezembro de 2018

24/11/2018 11:47

No hipismo de MS, “salto” é rumo às competições internacionais

Final de semana marca a 10ª Etapa do Ranking estadual de salto 2018, e define os campeões do ano

Izabela Sanchez
Cavaleiro compete em prova da categoria escola na 10ª Etapa do Ranking Estadual de Salto (Foto: Henrique Kawaminami) Cavaleiro compete em prova da categoria escola na 10ª Etapa do Ranking Estadual de Salto (Foto: Henrique Kawaminami)

É uma relação de parceria e um não pode estar longe do outro nessa vida dedicada às competições. O hipismo em Mato Grosso do Sul se fortalece cada vez mais na rotina de crianças e jovens. Neste final de semana, o Sítio Manege da Figueira, em Campo Grande, sedia a 10ª Etapa do Ranking Estadual de Salto, que define os campeões de 2018.

Na competição, os saltos variam da altura de 40 centímetros, para as crianças, até 1 metro e 30 centímetros, para adultos. Na competição deste final de semana, 92 pessoas entre crianças, jovens e adultos se inscreveram. O maior sonho ali é saltar em disputas internacionais.

Mato Grosso do Sul melhora, a cada ano, a posição que ocupa no hipismo. Desde 2013, amazonas e cavaleiros representam o Estado no campeonato sul-americano, um dos mais almejados pelos competidores. Na manhã deste sábado (24), as crianças e jovens competem na categoria escola. Os saltos dessa categoria variam entre 40 centímetros e 90.

Quem explica é o organizador do evento, Geraldo Pereira. Conforme relatou, ganha quem fizer o melhor tempo com menos faltas. Enquanto comentava o evento, uma chuva fina caía e aumentava o desafio dos competidores. “A chuva é um agravante, não temos como controlar”, comentou Geraldo.

Geraldo Pereira, organizador do evento (Foto: Henrique Kawaminami)Geraldo Pereira, organizador do evento (Foto: Henrique Kawaminami)

“O nosso hipismo vem em uma crescente. Esse ano não pedimos projetos [junto ao governo]. Desde 2013 temos atletas convocados para representar o Brasil no sul-americano”, conta. Geraldo explica que no cenário nacional, Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Paraná são os que mais se destacam.

Para o presidente da FSMH (Federação Sul-Mato-Grossense de Hipismo), Arnaldo Medeiros, o Estado está no caminho para alcançar o destaque nacional. “O hipismo está crescendo. As entidades assumiram as provas, o que faz com que a própria entidade se fortaleça, dá visibilidade. O ano passado organizamos praticamente tudo”, explica.

Este ano, a 10ª etapa distribuiu R$ 16.500 em prêmios para os competidores. A cerimônia de entrega ocorre no domingo, quando acaba a competição.

Um sonho em família – As famílias são essenciais durante a vida do competidor, em especial para as crianças. Atuam como uma rede de proteção, incentivo. Enquanto acompanham os filhos, pais e mães, observam as crianças aprendendo a lidar com a frustração, disciplina e responsabilidade.

Geraldo alcançou o sonho de todas as famílias: viu a filha chegar ao campeonato sul-americano. “É o sonho de todo mundo. É demais. Ela saltou na Argentina”, contou, orgulhoso.

Quem também acompanha a filha, hoje com 19 anos, desde os 9 anos, é o empresário José Thomaz Filho, 56. José afirma ser difícil encontrar palavras para definir a “beleza” da relação que se constrói entre o cavaleiro ou amazona e o cavalo.

Os irmãos competidores Luiza e Arthur (Foto: Henrique Kawaminami)Os irmãos competidores Luiza e Arthur (Foto: Henrique Kawaminami)

“É espetacular, o esporte é maravilhoso, é um esporte muito seletivo, requer muita técnica, muito treinamento. Essa interação da amazona e cavalo, cavaleiro e cavalo, um não pode se sobressaltar mais do que o outro. É bonito demais, entender um pouco de como são feitas as provas, competições, é um negócio apaixonante”, conta.

Este ano, em razão do vestibular, a filha de José não vai competir, mas o empresário não deixa de comparecer ao evento. “Chega uma hora que a gente tem que ficar até freando, porque fica tão envolvido que você quer ir pra fora, participar de competição nacional. Essa interação com o cavalo é sensacional, não consigo descrever em palavras”, afirma.

A advogada Andreia Gasparini, 46, levou os filhos de 9, 12 e 19, além da sobrinha de 16, todos competidores da categoria escola. “É uma delícia, um prazer, um vício, mas ao mesmo tempo tem uma expectativa, um medo. É um sofrimento junto, uma alegria junto. O esporte ensina a lidar com a dificuldade. O ambiente é muito saudável”, relata.

A advogada Andreia Gasparini (Foto: Henrique Kawaminami)A advogada Andreia Gasparini (Foto: Henrique Kawaminami)

A filha de Andreia, Jady Naleto, 19, monta desde os 10 anos. Ela define como “uma emoção” participar do esporte. “Tem que ter muita organização para colocar a cabeça no lugar”. “Quem não sonha?”, brincou, sobre participar das competições internacionais. Jady se preparava, durante a manhã, para competir a prova dos 90 centímetros.

Raul Lopes Carvalho, administrador, e a veterinária Ana Paula Saldanha Carvalho formam um grupo unido em torno do esporte. A família toda se envolve e a rotina é marcada pelas viagens Brasil afora. Os três filhos, de 11, 10 e 6 anos competem na categoria escola durante a competição da 10ª Etapa.

“É muito gratificante eles estarem no esporte. A gente tem uma sorte muito grande”, comenta Ana Paula. “É um esporte que ensina muito pra eles. Desde pequenos aprendem as dificuldades. Serve tanto para o esporte quando para a vida. Precisa de muita concentração, disciplina”, emenda Raul.

“Nossa vida social é o hipismo”, brinca. Para os pais, o preparo de uma vida é para o salto internacional. “Procuramos viajar bastante. Fomos para umas 6 ou 7 competições. Esse ano até fizemos um investimento em um caminhão todo decorado”, conta o pai.

Os pais Ana Paula Saldanha Carvalho e Raul Lopes Carvalho (Foto: Henrique Kawaminami)Os pais Ana Paula Saldanha Carvalho e Raul Lopes Carvalho (Foto: Henrique Kawaminami)

Arthur Saldanha Carvalho tem apenas 10 anos e o sonho de chegar às olimpíadas. Ele monta desde os 4 anos. “É uma coisa que me incentivou, assistia as provas e gostava dos animais. Eu deixo de brincar, falto à aula, só para poder saltar no hipismo”, diz.

A irmão, Luiza Saldanha Carvalho, 11, sonha chegar à competição Amazonas Top. “É muito bom porque não penso em nada além dos cavalos. Não estou aqui só para ganhar”, conclui.



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