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Comportamento

Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família

O produtor rural e ex-vereador de Bandeirantes morreu aos 87 anos

Por Natália Olliver | 16/03/2026 06:53
Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família
Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família (Foto: Arquivo pessoal)

Neste final de semana, família e amigos de Nivaldo Vieira da Rocha se despediram do homem que, para muitos, era um exemplo de pessoa e alegria. Aos 87 anos, a depressão e a diabetes levaram o produtor rural e ex-vereador de Bandeirantes, mas o legado de esperança e humanidade fica. Quem conta a história dele é o filho, Edson Rocha.

RESUMO

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Nivaldo Vieira da Rocha, produtor rural e ex-vereador de Bandeirantes, faleceu aos 87 anos após enfrentar depressão e diabetes. Sua trajetória foi marcada pela liderança no campo e atuação política, tendo exercido quatro mandatos como vereador e presidido a Câmara Municipal duas vezes. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, Nivaldo foi um dos maiores produtores de leite de Mato Grosso do Sul. Conhecido por sua generosidade, ajudava a todos sem distinção e incentivava a educação dos filhos de funcionários em sua Fazenda Corguinho. Sua saúde deteriorou após a perda de duas filhas e um neto em momentos distintos.

Ele explica que o quadro da doença psicológica se agravou depois de perdas profundas na família e que o pai nunca se recuperou totalmente do baque provocado pela morte de uma filha e de um neto. Os dois faleceram em um acidente na BR-163, em 2024. A filha era quem cuidava dele e da fazenda onde viviam, e a perda acabou marcando o início do enfraquecimento da saúde.

"Na vida, meu pai passou por dois grandes baques, que foram a perda de duas filhas e ainda de um neto. Em 1983, ele perdeu uma filha de 15 anos para a leucemia e ficou muito abalado e era muito ligado a ela. Depois, em 2024, veio o acidente com minha irmã mais velha e meu sobrinho".

Edson relembra que tudo foi um baque para a família toda, "porque a perda por acidente não é uma coisa preparada como uma doença. Então foi um trauma. Foi quando a saúde dele começou a debilitar. E veio trazendo o quadro de depressão e até os outros probleminhas de saúde que ele tinha, e ele foi enfraquecendo bastante".

Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família
Nivaldo era apegado a todos os filhos, amigos e parentes (Foto: Arquivo pessoal)

Conhecido pela liderança no campo e pela presença ativa na comunidade, Nivaldo construiu uma trajetória marcada por trabalho, generosidade e envolvimento com a vida pública. Ele viveu praticamente toda a vida em Bandeirantes, município fundado por seus avós paternos, e fez da Fazenda Corguinho o centro de sua história.

No auge da vida, manteve uma fazenda movimentada, com muitos funcionários e parcerias para o plantio. Mais do que relações de trabalho, o ambiente criado por ele aproximava pessoas. Segundo o filho, Nivaldo era um homem simples, humilde e sempre disposto a ajudar. A solidariedade era uma marca constante. Se alguém precisava, ele atendia, independentemente da hora ou das condições do tempo.

"Ajudava a todos sem distinção. Muito trabalhador e líder nato. Um homem que gostava da lida no campo, agregava parceiros de várias regiões e essas pessoas criavam vínculos com a família e a região da Fazenda Congonhas onde viveu a vida toda"

A atuação dele também se destacou na política local. Nivaldo foi vereador por quatro mandatos em Bandeirantes e presidiu a Câmara Municipal em duas ocasiões. Ele também esteve em outros cargos públicos no meio rural. No campo, teve papel importante na produção de leite e chegou a ser, por um período, o segundo maior produtor do estado de Mato Grosso do Sul.

Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família
Nivaldo e a esposa, no casamento deles (Foto: Arquivo pessoal)

A fé também ocupava espaço central na vida dele. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, participava ativamente das festas e cavalgadas do santuário da santa em Bandeirantes. Era festeiro, organizador e doador dos eventos, contribuía com gado, alimentos e apoio para manter as tradições da comunidade.

Edson conta que na fazenda, o cuidado com as pessoas também incluía as crianças. Filhos de funcionários e vizinhos encontravam ali incentivo para estudar. Enquanto Nivaldo ajudava as famílias, a esposa ensinava muitas dessas crianças a ler e escrever. "Ele era um homem pacífico, sempre que havia uma decisão difícil era lembrado como mediador.

Ele tinha um prazer enorme em ajudar e a gente acompanhava, porque era uma dedicação tão grande, ele queria ver todo mundo feliz, queria ver tudo funcionando, então ele se enfiava em tudo."

Na memória de Edson, o que fica do pai é a alegria, a paixão pela vida, pelo campo e pelas pessoas. "Ele gostava das festas de laço, das celebrações da igreja e do movimento da comunidade. Para a família e para quem conviveu com ele, permanece a lembrança de alguém que tinha prazer em ajudar e em ver todos ao redor bem".

Depressão e diabete levaram Nivaldo, mas alegria dele é herança da família
Na memória de Edson, o que fica do pai a alegre, a paixão pela vida, pelo campo e pelas pessoas (Foto: Arquivo pessoal)


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