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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

26/05/2015 09:51

Um palmeirense de Mato Grosso do Sul “perdido” no vestiário do Corinthians

Paulo Nonato de Souza
Aquele foi um dia do Santos, campeão com gol de Serginho Chulapa (Foto: Arquivo)Aquele foi um dia do Santos, campeão com gol de Serginho Chulapa (Foto: Arquivo)

São Paulo, 2 de dezembro de 1984. Final do Campeonato Paulista entre Santos e Corinthians com o Morumbi transbordando emoções em preto e branco. Eram mais de 100 mil pessoas nas arquibancadas do estádio, reflexo de toda a badalação em torno do confronto ao longo da semana.

Estava chegando a São Paulo para trabalhar na Rádio Record e mesmo sem ter sido escalado para atuar na cobertura da partida nem nutrir qualquer sentimento por nenhuma das duas equipes, fui ao Morumbi. Afinal, decisão é decisão. É sempre diferente. Além disso, do lado do Santos tinha o lendário treinador Carlos Castilho, ex-Operário de Campo Grande, e o volante Dema, ex-Comercial, e do lado do Corinthians estavam em campo o meia-direita Arthurzinho e o atacante Lima, dois ex-jogadores do Operário.

Alguns minutos antes de o árbitro José de Assis Aragão encerrar o jogo com o Santos campeão (1 a 0), gol de Serginho Chulapa, peguei o elevador do estádio e desci na intenção de chegar até a porta do vestiário do Corinthians para cumprimentar os amigos ex-operarianos.

Ao chegar no túnel de acesso ao gramado dou de cara com Lima, logo atrás vem Wladimir, Biro-Biro, Dunga e Edson Boaro, e acabei entrando no vestiário do Corinthians junto com eles. Lá dentro, o clima era de funeral, tristeza geral e nem poderia ser diferente. Muita gente chorando e eu querendo cair fora, mas achava que não seria gentil da minha parte se saísse. Nada a ver, poderia ter saído e ninguém se daria conta.

Fiquei, mas deveria ter saído. Isso porque o pior ainda estava por vir. O pior para mim, claro, foi quando o lateral-esquerdo Wladimir, logo depois de fazer um discurso emocionado, entre lágrimas e soluços, pediu que todos dessem as mãos para cantar o hino do Corinthians. Pensei: “Tô ferrado. Não posso cometer essa traição com o meu Verdão”. Considerei que deveria ficar de boca fechada durante o hino, mas a minha consciência dizia que isso seria a confirmação da presença de um intruso. Então, eu cantei o hino e de mãos dadas com os jogadores do rival. Quem me conhece sabe da minha eterna paixão pelo Palmeiras, mas tem coisas que, as vezes, fazemos por uma questão de educação. Confesso que até hoje esse fantasma atormenta a minha cabeça.



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