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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

05/05/2019 08:44

Amor às plantas segura moradora em uma das casas mais antigas do Centro

A vontade da moradora é reformar o local para continuar cultivando suas flores e ter um ambiente melhor

Alana Portela
O imóvel comprado em 2005, com a intenção de ser desmanchado e reconstruído, foi tombado como patrimônio histórico. (Foto: Kísie Ainoã)O imóvel comprado em 2005, com a intenção de ser desmanchado e reconstruído, foi tombado como patrimônio histórico. (Foto: Kísie Ainoã)

O amor pelas plantas é o que prende e faz a casa antiga de madeira de Madalena, 65, ficar mais alegre no centro de Campo Grande. O imóvel comprado em 2005, com a intenção de ser desmanchado e reconstruído, foi tombado como patrimônio histórico da Capital e não pode ser modificado. A vontade da moradora teve que ser deixada de lado, porém, o gosto pela natureza é o que não a permite sair do local.

“Aqui é uma casa comum, feita de madeira forte porque nem cupim pega. O imóvel deve ter uns 70 anos. É muita bagunça, umidade e temos medo da dengue. Tiro as águas, as folhas, sempre estou cuidando. Não posso derrubar, como queria, só reformar. Contudo, tenho que manter nesse padrão que não vejo beleza”, afirma Madalena. No entanto, o que “salva” a sua estadia é o espaço do quintal. “Gosto muito de plantas, morei em um sítio. Estava em apartamento, lá não dá para ter”, disse.

Quem passar pela região logo vai notar uma casinha em um terreno mais elevado, ao lado da Orla Ferroviária. De vista, as flores de cor rosa caídas sobre o muro da residência chamam atenção. Se aproximando mais do local, percebe-se ainda os galhos das árvores de laranja, bananeira e até coqueiro, tudo e muito mais compondo a paisagem da moradora.

Para ela, essa é a forma mais agradável de permanecer no local e ter o contato com a natureza. “Gosto das plantas, é uma maneira de ficar em contato com o meio ambiente e lembrar do passado, quando morava no sítio. Era muito bom”, afirma.

“Aqui é uma casa comum, feita de madeira forte porque nem cupim pega”, afirma a dona. (Foto: Kísie Ainoã)“Aqui é uma casa comum, feita de madeira forte porque nem cupim pega”, afirma a dona. (Foto: Kísie Ainoã)

Madalena conta que é apaixonada pelas plantas. “Pego as mudas por onde passo. Já tenho um monte e vou plantar, inclusive tem Paina”, diz a moradora se referindo à árvore paineira-do-cerrado, que alcança até 10 metros de altura e tem o tronco com casca acinzentada. Outro desejo é fixar o pé de castanha do Pará.

“Tem muita gente pedindo, mas não quero dar. É uma árvore alta. Meu irmão tem uma chácara e está pedindo. A minha é pequena, geralmente a semente dessa espécie é difícil de nascer, porém essa nasceu”, relata. “Tenho também caqui, maça, manjericão, alecrim e muitas outras espécies. Ainda vou comprar uns dois ou três lotes juntos para plantar minhas coisas”, conta.

A ideia de embelezar o ambiente com plantas também serve para enfeitar as laterais da Orla Ferroviária. “Plantei muito ali. Ficam bonitas, mas o pessoal quebra. No entanto, continuo plantando. Cuido das flores e elas melhoram o ambiente”.

A proprietária tem um encantador pelas plantas e isso torna o passado da casa ainda mais interessante. (Foto: Kísie Ainoã)A proprietária tem um encantador pelas plantas e isso torna o passado da casa ainda mais interessante. (Foto: Kísie Ainoã)

 

 

Desejo - Madalena conta que resolveu comprar a casa por conta da localização, de estar próximo do centro da Capital. A aquisição foi em 2005, no entanto, precisou mudar-se em 2010 por causa das invasões que ocorriam no local. A ideia do começo não deu certo, os planos precisaram ser mudados e ela revela os desejos que gostaria de realizar no local.

“Quando adquiri era tudo podre, mandei reforçar porque não pode tirar. É uma casa simples, dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Há um tempo pensei em abrir um espaço gastronômico, por conta do filho que é chef de cozinha”, diz.

Durante a conversa, a moradora até faz gestos mostrando como gostaria que ficasse o local. Se aproximando do portão da casa, ela aponta com a mão, insinuando que naquele espaço seria a entrada do almejado restaurante.

“Pensei até em aproveitar a estrutura da casa, reformar sem mudar o que é. Ficaria legal”, fala. Outra vontade de Madalena é construir uma varanda. “Já pedi para fazer, mas não posso. A varanda é boa por conta da chuva, assim a água não entra na casa. Já pensei em vender, porém mudei de ideia. Isso não me dá prejuízo, é isenta de IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]”.

Andando pra lá e pra cá, ela recorda que tinha a vontade de ter uma casa de madeira no centro. “Há muito tempo, passava em frente a uma casinha dessa mesma forma e dizia que ia ter uma igual. Essa é igual, mas não é o que sempre quis”, disse.

Na fachada, além do verde que traz vida à casa apagada, o gatinho no muro é figura ilustre. (Foto: Kísie Ainoã)Na fachada, além do verde que traz vida à casa apagada, o gatinho no muro é figura ilustre. (Foto: Kísie Ainoã)

 

 

Outra ideia da moradora com relação à reforma do local é retirar a metade do muro de concreto. “Pensei em colocar um vidro reforçado, para as pessoas olharem as plantas. Mas, a verdade é que os vândalos quebram. Tinha plantado uma flor na calçada, estava linda, porém de tanto urinarem nela, morreu”, conta.

Na esquina onde mora Madalena, tem um trilho onde o trem passava. “Eles faziam manobras ali. Tem vários ferros”, lembra. Na rua Calógeras, a moradora lembra de outra casa antiga, mas que foi reformada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

“Arrumaram ali há uns cinco anos, mas disseram que não tinham dinheiro para arrumar a minha casa. Gostaria que arrumassem. Quer uma casa bonitinha? Então, vamos dar uma mãozinha. Aí, eu só preservo”.

Invasão - Madalena recorda que se mudou para o local porque muitas pessoas invadiam a sua propriedade. “Não podem ver nada fechado que invadem. Certa vez, um senhor me questionou, dizendo que o mandaram vir aqui porque estava vazio. Veio com a mala e a família. Isso aconteceu várias vezes. Até já roubaram tudo que eu tinha, micro-ondas, roupas, calçados, era difícil. Hoje tem a guarda municipal que ajuda, não fica mais andarilho”.

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