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Campo Grande, Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

04/01/2019 08:48

Aos 88 anos, Adair coloriu paredes para tornar "ranchinho" mais acolhedor

Próxima ao Centro, esse foi o jeitinho que ela encontrou de tornar a residência, de aproximadamente 60 anos de história, mais alegre

Thailla Torres
Simpática, dona Adair recebe as visitas em sua varandinha colorida. (Foto: Marina Pacheco)Simpática, dona Adair recebe as visitas em sua varandinha colorida. (Foto: Marina Pacheco)

Do portão pintado de vermelho a varanda com estrutura em amarelo claro, as cores são indispensáveis na casa e na vida da aposentada Adair Maria Silva, de 88 anos, que há décadas mora na Vila Glória. Pertinho do Centro, ela conseguiu com a pintura e árvores pelo quintal transformar uma casa antiga em um "ranchinho" que ela se emociona só de falar.

No interior da casa tudo é muito apertadinho, por isso, fica difícil fazer uma imagem mais panorâmica que mostre toda a natureza do quintal. Mas só com a experiência de passar pelo portão vermelho gradeado depois de quase 30 minutos de desconfiança da senhorinha e ser recebida com a simpatia da varanda colorida, é quase impossível deixar sua história de lado, por mais simples que ela acredita ser.

Detalhe da varanda amarela ao fundo. (Foto: Marina Pacheco)Detalhe da varanda amarela ao fundo. (Foto: Marina Pacheco)

A casa guarda memórias do tempo que a região era uma fazenda a poucos quilômetros da Afonso Pena. “Não tinha nada por aqui, exceto muitas árvores, algumas casinhas da época, em um enorme mandiocal”.

Adair diz que seu pai plantava na região e chegou a cultivar também cana-de–açúcar. Mas o tempo já levou datas embora, por isso, sente dificuldade de lembrar o ano de construção da residência. “Só lembro que eu tinha mais de 23 anos quando meus pais vieram morar aqui. Eu morava em uma residência ao lado, que nem existe mais”.

A casa, em sua estrutura, está do jeitinho que os pais deixaram. Sem dinheiro para reformas, o imóvel mantém apenas dois quartos, uma sala e uma cozinha pequena. O banheiro continua do lado de fora, assim como um quartinho que virou depósito. O restante do terreno apertadinho fica completo com as plantas, árvores e até uma mini horta. Todo o verde aparente reflete a vida que há em Adair. “Se minhas plantinhas estão boas é porque eu estou bem, gosto de cuidá-las. Quando eu tô me sentindo mal, acordo e converso com elas”.

Pelo quintal há pés de goiaba, romã e amora. Havia uma parreira de uva, mas que teve o pergolado transformado em área de serviço pela moradora. “Estava com pouco espaço”, justifica.

Árvore de Natal feita no Jardim. (Foto: Marina Pacheco)Árvore de Natal feita no Jardim. (Foto: Marina Pacheco)
Cãozinho, maior companheiro de dona Adair. (Foto: Marina Pacheco)Cãozinho, maior companheiro de dona Adair. (Foto: Marina Pacheco)

Mas o fato de morar em uma casinha tão antiga não trouxe nenhum empecilho ao desejo de criar uma decoração mais colorida. Adair trouxe um clima mais divertido a casa colocando duas cores na cozinha, um amarelo claro na varanda e até um teto azul piscina na lavanderia. “Eu gosto de tudo colorido. Antes era aquela cor de madeira, parecia casa velha, então mandei pintar”.

Apesar das cores, ainda faltava alguma coisa, então Adair usou chita para colocar cortinas como portas dentro de casa. Do lado de dentro, especialmente, na cozinha, tudo é muito organizado. Com panelas e talheres pendurados e um móvel de madeira antiga bem conservado, a casa fica com jeitinho de vó.

A inspiração de dona Adair não é do tipo que extrapola o universo da arquitetura e da decoração, mas é rica pelos detalhes e a simplicidade de que as cores têm um grande poder de transformação. Isso ela mesma assume. “Fica muito mais alegre, né? Uma casa sem cor é uma casa sem vida”. O mesmo ela diz sobre os animais e as plantas pelo quintal. “Não vivo sem eles”.

Realmente, a casa traz um pouquinho do clima de rancho para o meio da cidade, não só pelas árvores, mas pelo quintal fresco e pela simplicidade de quem tem até duas galinhas de estimação. “São meus xodós, estão comigo há anos”.

A grande conquista de Adair é abrir a porta de casa, todas as manhãs e se reconhecer no imóvel. “Eu penso todos os dias em um lugar melhor, em uma casa mais confortável, mas eu amo tanto meu ranchinho que só de pensar em sair eu choro”.

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Lavanderia ganhou vermelho e azul do lado de fora. (Foto: Marina Pacheco)Lavanderia ganhou vermelho e azul do lado de fora. (Foto: Marina Pacheco)
Detalhes da cozinha em duas cores e o colorido da chita na porta. (Foto: Marina Pacheco)Detalhes da cozinha em duas cores e o colorido da chita na porta. (Foto: Marina Pacheco)
Portão vermelho. (Foto: Marina Pacheco)Portão vermelho. (Foto: Marina Pacheco)
O quintal é tão apertadinho que fica difícil fazer uma foto mais panorâmica. (Foto: Marina Pacheco)O quintal é tão apertadinho que fica difícil fazer uma foto mais panorâmica. (Foto: Marina Pacheco)
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