Realizado, pedreiro mostra Casa Barco que demorou 19 para construir
O Lado B mostrou a invenção em 2019 quando ainda estava no tijolo; veja como está a parte externa do "Titanic"

Sete anos depois, voltamos à ‘Casa Barco’, que Kelis Rodrigues da Silva demorou 19 anos para terminar. Na Vila, o lugar que antes era piada virou ponto turístico e um monumento à teimosia do pedreiro, que diz ter erguido tudo praticamente sozinho ao longo dos anos. O imóvel também ganhou o apelido de Titanic por quem passa no bairro. O Lado B descobriu a construção em 2019, quando ele ainda estava só nos tijolos, e falou com ele na época.
RESUMO
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O pedreiro Kelis Rodrigues da Silva concluiu, após 19 anos de trabalho, a construção de uma casa em formato de navio, que se tornou ponto turístico em Campo Grande. Conhecida como "Casa Barco" ou "Titanic", a edificação de 12 a 15 metros de altura foi erguida praticamente sem ajuda em um terreno triangular. O imóvel funciona como um pequeno prédio, com cinco residências no primeiro andar. No último pavimento, que seria equivalente à cabine do capitão, Kelis planeja construir um chalé para área de lazer. Embora ainda necessite de acabamentos internos, o proprietário considera a obra uma vitória pessoal, especialmente após enfrentar críticas e descrença da comunidade.
Hoje a obra ainda não está 100% terminada, mas Kelis considera uma vitória ter conseguido levar a ideia que muitos chamavam de maluca até o final. O navio funciona como uma espécie de prédio. No primeiro andar, ele tem cinco pequenas casas, com tamanhos de quartos, salas e cozinhas bem diferentes. Elas ficam dos dois lados do que seria o casco de um navio.

“Nem eu acredito que fiz isso sozinho. Fiz tudo assim e com a ajuda de vez em quando. O pessoal me chamou muito de louco, fiquei até bravo na época, mas eu não sou louco. As pessoas falavam absurdos. A casa virou ponto turístico e de referência, quando querem achar algo falam: você vai passar pela casa barco. Muitas pessoas me falam ‘você mora na casa barco’, várias mesmo”, diz,
Kelis explica que a coisa foi acontecendo devido ao formato do terreno. Ele começou sem uma coisa certa na cabeça e acabou virando o que virou.
“Não tinha como eu fazer uma casa quadrada ou retangular, aqui era um triângulo, por isso, ao olhar da esquina, as pessoas acham que é um barco. Gosto de quando falam casa barco. Fiz um império sozinho. Não peguei ajuda porque, se a pessoa se machucasse, eu teria que dar todo auxílio”. Ele estima que a altura total do barco seja de 12 a 15 metros.
O Capitão do Asfalto conta que, antes de tudo, era capataz em uma fazenda, em Amambai, e que chegou a gerenciar seis ao longo dos anos. A história com o trabalho começou ainda na infância, quando era permitido que crianças trabalhassem.
“Mexia com gerência de gado e tudo. Já fiz de tudo, até gradiação de trator. Desde pequeno faço muita coisa, com 9 anos vendia picolé na rua. Não tinha muita escolha não”.
Depois de alguns anos, ele investiu em imóveis, comprou um terreno e começou a construir. Mas, de fato, a parte de colocar a mão na massa só veio quando ele, em outro bairro, no Vespasiano Martins, resolveu fazer uma casa e os pedreiros continuavam enrolando-o.
“Meu tio e eu começamos a fazer uma casinha em que morei. Você não constrói um império fácil”.
Ele não permite que fotografemos o interior, diz que ainda não está pronto, mas vamos descrever um pouco. Apesar de já ter escondido os tijolos, assentado piso, pintado as paredes e tetos com uma primeira mão de tinta, de fato ainda falta muita coisa para ser feita na parte de dentro. Algumas escadas ainda estão no concreto e não têm corrimão, outras receberam a barra fixa na parede, mas ainda não têm acabamento.

O sonho de Kelis é terminar a obra, mas ele não tem pressa. Vai fazendo devagar cada cantinho do lugar. Outro fato curioso é que ele usou as pontas do barco para colocar caixas de água.
No último andar, o que seria a cabine do capitão, Kelis projeta fazer um chalé. Por lá, o piso já está assentado. O objetivo é que o espaço seja uma área de lazer a céu aberto mesmo.
Confira a galeria de imagens:
“Vai ter uma escada de ferro, mas ainda não está pronta. Acho que não vou cobrir, vai ficar desse jeito mesmo. Eu vim para essa casa em 2020. Um ano depois da primeira reportagem de vocês, morava nas outras casas que tenho no quintal”.











