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Arquitetura

Da década de 30, igreja neo-românica preserva até hoje confessionário original

Por Naiane Mesquita | 06/07/2015 06:12
Igreja de Santo Afonso tem inspiração neo-românica e foi construída em 1934 (Foto: Marcelo Calazans)
Igreja de Santo Afonso tem inspiração neo-românica e foi construída em 1934 (Foto: Marcelo Calazans)

A cor cinza da construção combina perfeitamente com o céu de inverno em Bela Vista. A rosácea no alto da nave central reflete as nuvens escuras, prontas para a chuva. A Igreja de Santo Afonso repousa firme em meio às adversidades do tempo, como faz há mais de 80 anos.

Um patrimônio do município, o prédio religioso começou a ser construído em 1932, mas só foi finalizado nos dois anos seguintes pelo engenheiro Luiz Louzinha, sob as ordens dos padres redentoristas. Com inspiração neo-românica, mas elementos ecléticos, a igreja tem fundação de pedra e concreto com alvenaria. De longe, é uma das mais bonitas de Mato Grosso do Sul.

A pintura interna marcante só foi descoberta em 2004, após a tintura anterior começar a cair. (Foto: Marcelo Calazans)
A pintura interna marcante só foi descoberta em 2004, após a tintura anterior começar a cair. (Foto: Marcelo Calazans)
Confessionário original é de madeira e mantido pela instituição em bom estado de conservação. (Foto: Marcelo Calazans)
Confessionário original é de madeira e mantido pela instituição em bom estado de conservação. (Foto: Marcelo Calazans)

Na verdade, a igreja foi construída como um grande complexo. Onde atualmente é o Paço Municipal,funcionava a casa paroquial, um local para os padres repousarem. As freiras, segundo os relatos, ficavam em um andar quase subterrâneo da igreja transformado hoje em depósito.

Durante muitos anos, a paróquia foi entregue para os padres diocesanos que a tocaram até 2004. Nesse tempo, a pintura original foi deixada para trás e a igreja se tornou ao menos por dentro, comum.

Em 2008, os padres redentoristas retomaram a direção e promoveram a restauração na construção, que já dava os primeiros indícios de desgaste. “A parte interna foi pintada de amarelo, mas quando assumimos percebemos que a tinta estava caindo e começou a aparecer a pintura original”, afirma o atual padre da igreja, Hever Sanchez.

Paço municipal onde atualmente é a prefeitura já foi a casa paroquial da igreja. (Foto: Marcelo Calazans)
Paço municipal onde atualmente é a prefeitura já foi a casa paroquial da igreja. (Foto: Marcelo Calazans)
Via crúcis é mostrada por meio de quadrinhos nos pilares da igreja. (Foto: Marcelo Calazans)
Via crúcis é mostrada por meio de quadrinhos nos pilares da igreja. (Foto: Marcelo Calazans)

Com a ajuda de uma equipe de arquitetos e um computador, a pintura original foi recuperada. “Eles limpavam a pintura atual e o programa de computador reconstruiu como seria a parte interna. Então nós refizemos, na época era o padre Eduardo Palácio e tudo foi feito com recurso da paróquia, com a ajuda da comunidade”, explica Sanchez.

Por dentro, a igreja é colorida, com pequenos quadros que contam a via crúcis de Jesus Cristo e estátuas da Sagrada Família. Os confessionários dos anos 30 foram mantidos, parecem esperar a próxima pessoa a contar os pecados. Os sinos originais no alto da igreja são puxados por uma pequena corda. O estado de conservação bom torna o local especial em cada detalhe.

Padre Hever, que é paraguaio, relembra que os redentoristas foram os primeiros a chegar a região, disseminando o cristianismo em Bela Vista e Bella Vista do Paraguai.

“Nós temos gratidão e reconhecimento pela região e por isso resolvemos retomar as igrejas que construímos. Eu estou aqui há cinco anos. Os padres redentoristas foram os primeiros a passar pelo pantanal, estão envolvidos com a história de Mato Grosso do Sul e com o Paraguai”, acredita.

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