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Arquitetura

Estrutura de peroba e telha francesa resistem há 50 anos em bar do Guanandi

Imóvel foi erguido por Argemiro Pereira Silva na década de 1970 e está no terceiro dono

Por Danielle Valentim | 21/01/2020 06:12
Estabelecimento não tem fachada, mas fica na esquina da Rua Parecis com Vitor Pace. (Foto: Henrique Kawaminami)
Estabelecimento não tem fachada, mas fica na esquina da Rua Parecis com Vitor Pace. (Foto: Henrique Kawaminami)

O primeiro boteco construído no Guanandi I, na esquina da Rua Parecis com Vitor Pace, se aproxima dos 50 anos, com a mesma estrutura e telhado. O imóvel foi erguido por Argemiro Pereira Filho, um dos primeiros moradores da região, na década de 1970, e mesmo em posse do terceiro dono ainda funciona como bar.

É fácil perceber o velho molde do bar, principalmente, ao entrar no espaço de 30 metros quadrados. As vigas antigas seguram as telhas francesinhas, modelo que já foi auge da construção.

Parede reforçada com alvenaria. (Foto: Henrique Kawaminami)
Parede reforçada com alvenaria. (Foto: Henrique Kawaminami)
Localização do bar: esquina das ruas Vitor Pace e Parecis. (Foto: Henrique Kawaminami)
Localização do bar: esquina das ruas Vitor Pace e Parecis. (Foto: Henrique Kawaminami)

A única coisa que mudou no imóvel foi a parte inferior da parede, cortada e reforçada com estrutura em cimento. “A parte de baixo foi apodrecendo com o passar dos anos e teve que ser reforçada. Quando chove forte, molha em algumas partes porque muitas vigas arrearam. O piso é o mesmo também, só recebeu o vermelhão”, explica o atual proprietário, Ciro Santana Teodoro, de 57 anos.

O dono anterior e responsável pela construção, chegou ao bairro vindo de uma fazenda em Corguinho. No passado, o espaço era usado para casa e bar. A área atrás do balcão separada por uma parede abrigava um quarto.

Depois de passar por Argemiro, o imóvel foi comprado por Valquírio e hoje está com seu irmão Ciro. “Estou à frente do comércio há mais de sete anos, desde que meu irmão faleceu. Ele trabalhou aqui por 30 anos”, frisa.

Vigas antigas seguram telhas francesinhas, que já foram auge da construção. (Foto: Henrique Kawaminami)
Vigas antigas seguram telhas francesinhas, que já foram auge da construção. (Foto: Henrique Kawaminami)
Mesa de sinuca e Jukebox ficam dentro do estabelecimento. (Foto: Henrique Kawaminami)
Mesa de sinuca e Jukebox ficam dentro do estabelecimento. (Foto: Henrique Kawaminami)

Ciro e seus 14 irmãos moravam na chácara do Pimenta, atrás do Bairro José Abrão. Como a escola da região só oferecia classes até a 5ª série, do Ensino Fundamental, o pai decidiu se mudar para a cidade. “Chegamos no bairro em 1979. Hoje cada irmão foi para um lado”, frisa Ciro.

As recordações não se limitam à estrutura. O balcão com vitrine embutida, lembra antigos armazéns, nostalgia pura. O bar também tem jukebox e uma mesa de sinuca.

As pingas mais vendidas também mudaram. Em princípio, Ciro revela que a mais vendida era a 3 Fazendas e Oncinha. O auge passou e entrou em cena a 51. Hoje, a queridinha é a Jamel. “De todos as destiladas, a única a resistir todos esses anos nas vendas é cachaça da marca Pitú”, garante.

Até as pingas mais vendidas também mudaram. (Foto: Henrique Kawaminami)
Até as pingas mais vendidas também mudaram. (Foto: Henrique Kawaminami)

Muitas pessoas chegaram, partiram e o bar acompanhou o desenvolvimento do bairro. “O pessoal comenta que é antigo. E eu acho legal. E como está conservado eu nem penso em mexer ou reformar. É uma tradição”, finaliza.

Tem uma pauta bacana para sugerir? Mande pelas redes sociais, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563. (chame agora mesmo)

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Balcão com vitrine embutida, lembra antigos armazéns, nostalgia pura. (Foto: Henrique Kawaminami)
Balcão com vitrine embutida, lembra antigos armazéns, nostalgia pura. (Foto: Henrique Kawaminami)
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