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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

14/01/2019 08:31

Prédio na Afonso Pena foi construído para família e guarda memórias de Inah

O antes e o depois de um dos prédios erguidos na década de 60, em Campo Grande, revelam histórias de Inah Machado Metello.

Thailla Torres
Edfício Inah, ainda em construção, entre os anos de 1966 e 1970, na Avenida Afonso Pena. (Foto: Arquivo Pessoal/Família Metello)Edfício Inah, ainda em construção, entre os anos de 1966 e 1970, na Avenida Afonso Pena. (Foto: Arquivo Pessoal/Família Metello)
Hoje, a transformação da cidade é evidente com a presença de outros edifícios e movimento na principal avenida. (Foto: Marina Pacheco)Hoje, a transformação da cidade é evidente com a presença de outros edifícios e movimento na principal avenida. (Foto: Marina Pacheco)

Na fachada  o nome de uma mulher que marcou fases artísticas, literárias e de negócios em Mato Grosso do Sul. Acima, uma torre de 15 andares dos anos 60. O Edifício  Inah, na Avenida Afonso Pena, entre as ruas Pedro Celestino e Rui Barbosa tem história para contar. O prédio construído para ser um condomínio de amigos e familiares levou jornalistas e personalidades à inauguração. Hoje, as memórias sobrevivem da fachada à cobertura, onde ainda vive uma das primeiras moradoras.

O nome do edifício é uma homenagem à matriarca da família, a escritora, cronista, artista plástica e pecuarista Inah Machado Metello que viveu 70 anos e partiu em 1977. Formada na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e fundadora da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, foi no prédio da Afonso Pena que Inah deixava a porta sempre aberta para receber os amigos literatos. Dona do apartamento 201,  na cobertura, a artista Inah dizia que nele nada havia de pomposo, apenas recordações durante a vida como esposa de um militar, seu Adriano Metello Junior, com quem teve um filho e cinco netos.

Hoje, quem ainda vive no edifício é dona Yvone Metello, nora de Inah e esposa de Eduardo Machado Metello, que também já descansou. Com estado de saúde delicado, dona Yvone está vivendo sob supervisão médica, internada, por isso, não foi possível uma conversa. Mas quem fez questão de colocar as recordações à mesa foi um dos filhos e neto de Inah, o arquiteto e pecuarista Eduardo Machado Metello Junior, de 63 anos.

Fachada que leva o nome da escritora, artista plástica e pecurista Inah Machado Metello. (Foto: Kísie Ainoã)Fachada que leva o nome da escritora, artista plástica e pecurista Inah Machado Metello. (Foto: Kísie Ainoã)
À esquerda, dona Yvone e a filha Inah Luiza, durante a construção do Edifício Inah. (Foto: Arquivo Pessoal)À esquerda, dona Yvone e a filha Inah Luiza, durante a construção do Edifício Inah. (Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, apesar de maior parte dos apartamentos vendidos a terceiros, o Edifício Inah nunca deixou de figurar na memória da família. Eduardo lembra que sua inauguração foi um acontecimento em Campo Grande, talvez o primeiro de esquadrias de alumínio na cidade, projetado por Rubens Gil de Camillo. "Aquele já estava com a família há muitos anos, antes do prédio havia uma casa comercial. Foi quando meu pai juntou com alguns amigos e fez um condomínio para toda família viver. Naquela época, poucos prédios haviam na cidade".

O edifício começou a ser construído em 1966 e foi inaugurado em 1970, na presença do então prefeito Antônio Mendes Canale. Em uma das fotografias Eduardo aparece menino, ao lado do pai e do radialista Ramão Achucarro. "Foi um acontecimento na cidade, as pessoas queriam saber do prédio que estava na principal avenida da cidade, ainda com movimento tranquilo".

Entregues em 1970, são dois apartamentos por andar, com 240 m² cada. Na planta original e durante os primeiros anos de funcionamento do prédio as grades que hoje compõem a fachada não existiam. Outro detalhe ficava por conta da vista privilegiada da cidade. "Era incrível olhar a Campo Grande de cima. Minha avó adorava, assim como a minha mãe e meu pai. Sem dúvidas é um prédio que estará sempre marcado na história da família".

Eduardo Machado Metello Junior (neto) e Inah Machado Metello (avó), na fazenda da família. (Foto: Arquivo Pessoal)Eduardo Machado Metello Junior (neto) e Inah Machado Metello (avó), na fazenda da família. (Foto: Arquivo Pessoal)
Edfício Inah visto do alto. (Foto: Aquivo Pessoal)Edfício Inah visto do alto. (Foto: Aquivo Pessoal)

Na palavras de Eduardo, um carinho e um sorriso singelo ao lembrar de Inah. "Ela era muito especial. Pra nossa família porque era muito querida e pra cidade toda porque era uma mulher muito inteligente, simpática e patriota. Tinha um amor por Campo Grande como ninguém", lembra.

Inah participou ativamente da campanha pela divisão do estado. Em sua crônicas, registrou a felicidade pela chegada de uma cidade universitária, comemorou a academia dos netos e, sempre repleta de paixão pelo Estado, torcia para a implantação de um parque industrial na região. "À minha Campo Grande só falta a indústria para se tornar não só a maior mas a melhor, a mais rica, a mais progressista", menciona Inah em sua crônica Calouros.

"De tão apaixonada pelo Estado, encontramos nas coisas dela uma bandeira pequena. À mim ela pediu que quando fosse enterrada eu colocasse a bandeira do Brasil e assim pude fazer", narra o neto.

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Edifício de 15 andares na Afonso Pena. Edifício de 15 andares na Afonso Pena.


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