Símbolo da história da Capital, casarão se deteriora a espera de restauração
Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco foi construída em 1935 e é tombada pelo Iphan
Quem passa em frente à Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, na Avenida Calógeras, vê sinais evidentes de que um pedaço da história de Campo Grande está, pouco a pouco, se desfazendo. O portão de madeira está comprometido, algumas partes quebradas, outras prestes a cair. A fita zebrada indica perigo de queda.
RESUMO
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A Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco, na Avenida Calógeras, em Campo Grande, apresenta sinais de deterioração, com portão danificado, rachaduras nas paredes e mato crescendo ao redor. Construída em 1935 e tombada como patrimônio histórico municipal e estadual, a edificação passou por revitalização em 2007. A Prefeitura informou que um projeto de restauração foi elaborado, mas aguarda aprovação do Iphan.
Logo na entrada, a fonte que antes compunha o charme do local está completamente seca. As paredes exibem rachaduras visíveis, enquanto a pintura desgastada denuncia a ação do tempo sem manutenção adequada.
Nas escadas frontais, uma placa da Agetran (Agência Municipal de Trânsito) está colocada, indicando que é proibido subir por ali. Ao redor, a grama começa a crescer.
A casa carrega grande relevância histórica e por muitos momentos foi espaço para realização de eventos da Prefeitura Municipal, como reuniões durante a pandemia da covid-19 e lançamentos de projetos. Por muito tempo, foi um dos únicos imóveis bem cuidado, com pintura renovada.
Está diretamente ligada à memória da Esplanada Ferroviária e foi construída em 1935 pelo engenheiro da Estrada de Ferro NOB (Noroeste do Brasil), Aurélio Ibiapina.

Apesar disso, a casa leva o nome de Carlos Miguel Mônaco, que foi um engenheiro importante na história ferroviária local. Ao longo dos anos, o imóvel ganhou novas funções, abrigando o Memorial dos Prefeitos e servindo como gabinete para o chefe do Executivo municipal.
Tombada como patrimônio histórico e cultural tanto no município quanto no Estado, a edificação passou por um processo de revitalização em 2007. Na época, pinturas originais foram resgatadas, preservando características autênticas como o piso e o teto.
Sua arquitetura também chama atenção: o telhado frontal mais pontiagudo revela influência europeia, diferenciando a construção do restante das moradias da região.
Restauração emperrada
Segundo o secretário de Cultura, Valdir Gomes, a restauração está em fase de projeto. “Não pode mexer se não tiver projeto. Não é só trocar madeira, tem que restaurar”, explicou. Ele também afirma que o espaço não está fechado.
Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que o projeto de revitalização já foi elaborado. No entanto, por se tratar de um bem tombado, ainda existem trâmites burocráticos em análise junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
O Iphan informou que a Casa Engenheiro Carlos Miguel Mônaco não é tombada individualmente. O imóvel integra o conjunto protegido do Complexo Ferroviário Histórico e Urbanístico da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que abrange, ao todo, 135 bens.
"Destaca-se que o imóvel também possui proteção nas esferas estadual e municipal, sendo sua gestão e conservação de responsabilidade do Município de Campo Grande", disse em nota.
No ano passado, foi realizada vistoria fiscalizatória conjunta pelo Iphan, em parceria com órgãos municipais, incluindo a Secretaria de Cultura, o Corpo de Bombeiros, a Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) e o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo). Na ocasião, foram identificadas necessidades de manutenção voltadas à adequada conservação da edificação.
"Ressalta-se que este Instituto aguarda o envio das propostas de intervenção pela Prefeitura Municipal de Campo Grande para análise", completou.
* Matéria atualizada no dia 10/04, às 11h21, para acrescentar nota do Iphan

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