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Arquitetura

Vivendo entre relíquias, Gilberto fez casa virar museu cheio de história

Em casa, o colecionador e vendedor tem relógios, livros, quadros e máquinas de escrever de 1895

Por Jéssica Fernandes | 17/05/2022 07:13
No museu, Gilberto segura uma garrucha de madeira. (Marcos Maluf)
No museu, Gilberto segura uma garrucha de madeira. (Marcos Maluf)

No Bairro Vila Carvalho, Gilberto Espíndola, de 65 anos, transformou a casa onde vive no museu nomeado “Algo Mais Antiguidade”. O lugar é um verdadeiro túnel do tempo que leva os visitantes para diferentes séculos e períodos históricos. Entre máquinas de escrever, retratos de família, livros portugueses, relógios e rádios, o colecionador e vendedor mantém o acervo que é carregado de história.

Em 2014, ele começou a trabalhar na venda das antiguidades na Praça Ary Coelho e outras feiras ao ar livre em Campo Grande. A maioria dos objetos foram adquiridos nas andanças que Gilberto fez em São Paulo e Rio de Janeiro anos antes. Em 2020, o colecionador mudou de endereço e conseguiu mais espaço para comportar os objetos.

O Lado B visitou o imóvel que é cheio de detalhes desde o chão até o teto. Na sala, Gilberto tem uma prateleira com carrinhos, pratos de porcelana, abajures, cofre de porquinho, ventiladores, estátuas, sendo que um item em particular chama a atenção. Mantido em uma moldura e com proteção de vidro, Gilberto tem um decreto de 1931 com a assinatura de Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra.

Documento tem assinatura de Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. (Foto: Marcos Maluf)
Documento tem assinatura de Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. (Foto: Marcos Maluf)

Na parede direita da sala, ele tem diversos retratos antigos que diz ter achado espalhados no chão das feiras que frequentou. Crianças, casais, um senhor vestindo terno e uma senhora usando gola alta compõem o cenário. Na estante, Gilberto tem um livro do 1º Centenário do Brasil, um livro do Museu do Louvre escrito em francês e outros dois sobre os museus do Nordeste e da Índia.

Além dos livros, o vendedor tem em outro cômodo, uma cristaleira onde guarda itens antigos de barbearia, como navalhas, tesouras, pentes, máquina de cortar manual e pincéis de barbear. No suporte acima, ficam os perfuradores de papel, apontadores, kit de chimarrão e canivetes de ferro. Já na outra cristaleira, é onde estão as compoteiras, bules, chaleiras, jarras banhados a prata datados de 1800, suporte de tinta nanquim e fósforos de época.

No meio da visita, Gilberto brinca que seria necessário passar o dia no lugar para ver todas peças. “Aqui, você só viu mil, mas ali tem mais mil”, diz. Apesar de estar cercado por objetos de diferentes finalidades, formatos e anos, Gilberto comenta que nem tudo está à venda. “As peças antigas e difíceis de serem encontradas, que são chamadas de relíquias, você não encontra nas lojas. Tem peças que não vou vender, porque quero que as pessoas conheçam”, afirma.

Na casa, Gilberto tem fotografias de pessoas desconhecidas. (Foto: Marcos Maluf)
Na casa, Gilberto tem fotografias de pessoas desconhecidas. (Foto: Marcos Maluf)

Devido ao trabalho, ele também aprendeu a fazer restaurações e consertos de qualquer tipo. Através do aplicativo Pinterest, Gilberto vê algumas inspirações de como organizar melhor os relicários. Nos fundos, ele tem uma oficina onde coloca em prática as coisas que viu na internet. “É interessante, porque tudo que pensamos, alguém já pensou antes”, fala ao apontar um quadro com chaves dentro.

Cada ambiente apresentado por Gilberto proporciona uma nova história ou curiosidade por trás dos objetos. Em um dos três quartos da casa, ele tem um cômodo de madeira restaurado por um amigo que faleceu tempos após fazer a restauração do material. No mesmo ambiente, o guarda-roupa de madeira é ocupado com mais retratos em preto e branco de famílias e crianças, quadros e recortes de jornais do período da Segunda Guerra Mundial.

Conforme o colecionador, as viagens costumam render bastante material para o acervo. “Eu volto de carro cheio e ainda tenho que mandar as coisas para o Correio, porque não cabe dentro do carro”, conta. Por ter posse de muitos itens do século retrasado, Gilberto relata que as pessoas fazem alguns comentários. “Tem gente que fala que carrega energia negativa, mas não acredito mesmo. Sou uma pessoa muito positiva e não me abalo com as coisas”, garante.

Manchete da década de 1941 do jornal O Globo. (Foto: Marcos Maluf)
Manchete da década de 1941 do jornal O Globo. (Foto: Marcos Maluf)

A cozinha do morador também é um show à parte, pois no local, estão eletrodomésticos que não são mais fabricados. Cafeteiras, liquidificadores, batedeiras, moedores e duas geladeiras integram a coleção. Além deles, Gilberto tem mais de cinco filtros de água diferentes, lampiões e louças de cobre e alumínio.

O vislumbre pelos itens vintages, segundo ele, ocorreu de forma natural e gradual. “Não é do nosso tempo, olhando comecei a gostar e ir juntando. Quando você vê, você tem um acervo em casa”, explica.

O último cômodo mostrado por Gilberto é um dos mais interessantes da casa. Nele, está o verdadeiro museu onde tudo tem valor, mas nada está à venda. Em destaque, estão as máquinas de escrever de 1895, 1920 a 1960, as máquinas fotográficas da marca Polaroid, Canon, um projetor Keystone da década de 1930 e uma câmera conhecida como “lambe-lambe”.

Máquina de escrever de 1895 é um dos itens mais antigos do lugar. (Foto: Marcos Maluf)
Máquina de escrever de 1895 é um dos itens mais antigos do lugar. (Foto: Marcos Maluf)

Para completar o museu, o colecionador também tem máquinas de calcular, caixa registradora, telefone de manivela em madeira entalhada da marca Teleart, telefone de baquelite da década de 1950 e uma linha de telefones coloridos da marca JK Ericsson da década de 1960. “Esses são os primeiros telefones instalados no Brasil”, destaca.

O museu tem mais uma coleção de relógios de parede de 1935, rádios, um televisor retrô da marca Philco, incontáveis rádios e duas garruchas talhadas em madeiras, além de uma coleção de bonecas de porcelana. Com tantos itens na casa, é difícil para Gilberto contabilizar todos os objetos que compõem o acervo. “É mais de 10 mil”, finaliza.

Quem quiser visitar o museu Algo Mais Antiguidades ou adquirir as demais peças do lugar que estão à venda, o contato do Gilberto é o (67) 98160-7175. É necessário entrar em contato com o colecionador para conhecer o espaço.

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