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Artes

Após 50 viagens ao Pantanal, cineasta leva bioma incendiado ao streaming

Filme que mostra Pantanal sul-mato-grossense em chamas vai estrear no Globoplay

Por Thailla Torres | 05/11/2021 15:13
O filme “Jaguaretê-Avá: Pantanal em Chamas” estreia no dia 12 de novembro. (Foto: Reprodução Youtube)
O filme “Jaguaretê-Avá: Pantanal em Chamas” estreia no dia 12 de novembro. (Foto: Reprodução Youtube)

Em setembro de 2021, o documentarista de natureza Lawrence Wahba completou sua 50ª viagem ao Pantanal. Entre tantas idas à maior planície alagável do planeta, em março de 2020, estava por lá para produzir um documentário sobre o ciclo das águas, quando foi surpreendido pela instauração da pandemia de covid-19 no País. Sem poder deixar de imediato o local, acabou registrando os primeiros focos de fogo, que se tornariam os piores incêndios florestais na história do bioma.

O filme “Jaguaretê-Avá: Pantanal em Chamas”, exclusivo da Globoplay, com produção de Jefferson Pedace, está previsto para estrear no dia 12 de novembro,  data em que é celebrada o Dia do Pantanal.

Segundo o documentarista, o trabalho foi totalmente independente, como nunca havia feito, financiando as viagens do próprio bolso ou com apoio de ONGs e profissionais trabalhando voluntariamente. Mas essa era uma história que precisava ser contada.

Depois das filmagens, a Documenta Pantanal o ajudou a captar recursos com pessoas físicas e empresas para financiar a pós-produção, que conta com imagens feitas por voluntários, veterinários, brigadistas, pescadores, guias e cineastas independentes, totalizando 20 cinegrafistas amadores e profissionais.

"Apesar de ser construído a partir de um mosaico de imagens, um time de profissionais de primeira linha me ajudou a contar essa história, entre eles, o premiado produtor francês Emmanuel Priou, que venceu o Oscar por ‘A marcha dos Pinguins’ e nos prestou consultoria internacional. O documentário traz minha visão de dentro dos incêndios do Pantanal, daquele cenário de guerra. Mas também traz a força da corrente que se formou para ajudar o Pantanal e a contar essa história. O planeta está sendo destruído e não podemos ficar indiferentes a isso ", diz Lawrence.

No processo de produção, o cineasta passou dez semanas – ao longo de quatro expedições às regiões de Miranda, Serra do Amolar, Porto Jofre, Transpantaneira, Parque Nacional do Pantanal e Parque Estadual Encontro das Águas – com brigadistas, veterinários, voluntários e pesquisadores, registrando a luta pela vida e pela recuperação do bioma.

Com mais de 100 horas de material captado (pela equipe do documentarista e por terceiros), a produção consumiu 13 meses de trabalho desde a primeira até a última gravação.

Para chegar à edição final do filme, que tem duração de 1 hora e 14 minutos, o filme levou nove meses de pós-produção.

A trilha sonora assinada por Fabio Cardia conta com 39 músicas criadas para o filme, que abordam 20 diferentes temas. É uma trilha minimalista que utiliza instrumentos étnicos e regionais, como viola caipira, flauta baixo, berimbau e tambores, além de spots misturados com sintetizadores e samplers.

O filme - Além das cenas impactantes da destruição de fauna e flora gerada pelos incêndios, o filme registra a ação de quem estava no combate às chamas atuando no resgate e na recuperação de animais e traz entrevistas com especialistas em questões ambientais.

A narrativa faz uma analogia com o mito indígena do Jaguaretê-Ava, do povo guarani kaiowa, cujo significado é revelado no filme e traz referências a elementos do simbolismo do jaguar (onça-pintada) nas culturas originais das Américas do Sul e Central, considerado um animal sagrado que transita entre dois mundos e tem poderes espirituais.

“Jaguaretê-Avá: Pantanal em Chamas” mostra a resiliência do Pantanal a partir da onça-pintada. Ecologicamente, um bioma tem que estar totalmente equilibrado para sustentar seu predador de topo. Algumas onças, em particular como Amanaci, Ousado e Ague, afetadas pelos incêndios, têm suas histórias retratadas.

O filme pretende sensibilizar os espectadores e ser uma ferramenta de conscientização ambiental, promovendo debates sobre o problema dos incêndios florestais, indo muito além das telas.

Durante as filmagens, o cineasta ajudou a criar a Brigada Alto Pantanal, campanha que sustenta duas brigadas comunitárias e apoia dois centros de atendimento veterinário no Pantanal.

O filme já arrecadou R$ 150 mil em valores de licenciamento e lucros, soma que será repassada ao SOS Pantanal e à Brigada Alto Pantanal para que possam dar continuidade às ações de prevenção e combate ao fogo nas regiões em que atuam.

Aos 52 anos, Lawrence Wahba é documentarista de natureza, apresentador de TV, fotógrafo, mergulhador e autor.
Aos 52 anos, Lawrence Wahba é documentarista de natureza, apresentador de TV, fotógrafo, mergulhador e autor.

Sobre o cineasta - Lawrence Wahba, 52 anos, é documentarista de natureza, apresentador de TV, fotógrafo, mergulhador e autor. Vencedor do Emmy, seus documentários filmados em todos os continentes e todos os oceanos foram exibidos em 160 países, em canais como NatGeo, Smithsonian, Discovery e Arte, entre outros.

Para TV brasileira, já produziu mais de 600 matérias, apresentou programas no GNT, NatGeo e Discovery, além do quadro “Domingão Aventura”, no então programa liderado por Faustão na Rede Globo. Em 2017, lançou seu primeiro longa-metragem documental nos cinemas “Todas as Manhãs do Mundo”.

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