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Artes

K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental

Projeto em Campo Grande reúne mais de 20 apresentações e mostra que o palco é para todos

Por Amanda Ferreira | 24/08/2026 08:27
K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental
Evento contou com apresentações de grupos, solistas e trios alem de cantores (Foto: Amanda Ferreira)

No palco, passos ensaiados muitas vezes no quarto ganharam luz, plateia e aplausos. Crianças e adolescentes que encontraram no K-pop ocuparam o Teatro Aracy Balabanian, neste domingo (23), para mostrar que a música coreana também pode virar amizade, confiança e até um jeito de atravessar momentos difíceis. Foi nesse clima que o Showcase Workpop, da escola Kpoplace MS, reuniu 21 apresentações e lotou o espaço com entrada gratuita.

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O Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande, recebeu no último domingo o Showcase Workpop, evento promovido pela escola de dança Kpoplace MS, com 21 apresentações gratuitas de K-pop, dança contemporânea e hip-hop. O projeto, que chegou à 5ª edição, reuniu crianças, adolescentes e adultos e destacou histórias de superação, como a da jovem Fernanda Muniz, 16 anos, que encontrou na dança coreana um caminho para cuidar da saúde mental.

No palco, o K-pop dividiu espaço com a dança contemporânea e o hip-hop. Mas quem mais se destacou foram as crianças e os adolescentes, que mostraram, em cada coreografia, como a dança e a música coreanas podem ocupar um lugar de afeto, expressão e transformação em suas vidas, como no caso de Fernanda Muniz, de 16 anos.

K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental
Fernanda Muniz encontrou no K-POP um motivo para melhorar sua saúde mental e condicionamento físico (Foto: Paulo Francis)

Foi na dança que ela encontrou uma forma de voltar a se conectar com algo que fazia parte dela desde criança. Moradora de Campo Grande, ela começou a participar do projeto da Kpoplace MS no segundo semestre de 2025, depois de descobrir que havia vagas para aulas de dança. “Naquele momento eu despertei minha criança, porque fazia muito tempo que eu não fazia. Eu dançava desde criança, então foi como retomar o lugar que eu já tinha antes”, contou.

Fernanda conheceu o K-pop ainda mais de perto em um período em que enfrentava dificuldades emocionais e conta que a dança passou a fazer parte da sua rotina. Antes, ela queria ficar em casa e se isolar; depois, passou a ter um compromisso semanal e encontrou no movimento uma maneira de cuidar também do corpo. “Quando eu descobri o K-pop, comecei a ver as coreografias. Foi como se eu tivesse despertado algo em mim”, relatou. Entre os grupos que mais gosta estão Stray Kids e ILLIT, além de estar conhecendo o fandom do NewJeans.

K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental
Apresentação do grupo contou com coreografia sincronizada e ensaios que duraram cerca de um mês (Foto: Amanda Ferreira)

No Showcase Workpop, Fernanda subiu ao palco em uma apresentação em grupo ao som de “Zombie W”, mostrando que, para ela, a dança vai muito além de aprender coreografias. É também uma forma de expressão e de pertencimento. Para a apresentação, ela e os colegas prepararam uma música de um grupo mais antigo que voltou recentemente e que, segundo ela, promete conquistar o público. “Eu não tenho palavras para descrever o tanto que eu quero levar isso para a minha vida”, afirmou.

Uma mistura de todas as danças - Aos 31 anos, Yara Liz é organizadora e produtora do Kpoplace MS, o projeto que chegou à 5ª edição em Campo Grande. Criado como uma iniciativa de formação, o evento reúne aulas, workshops e, desde o ano passado, também o Showcase.

K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental
Yara conta que K-poplace MS possui projetos para todas as idades, inclusive para pesssoas 30+ e para gestantes (Foto: Paulo Francis)

Para ela, o crescimento do K-pop na Capital acompanha também uma procura maior por formação e aperfeiçoamento. Yara, que também encontrou na dança uma forma de atravessar um período difícil da própria vida, diz que é especial perceber que outras pessoas encontram no K-pop esse mesmo espaço de acolhimento.

“Eu conheci o K-pop e comecei a dançar e estudar para me salvar da depressão também. Então, ver que o K-pop ainda permeia outras pessoas e consegue salvar a vida de outras pessoas, para mim, é uma realização. A gente já promoveu um projeto 30+, com pessoas com mais de 30 anos, inclusive grávidas e mães, que participaram mostrando seu amor pelo K-pop.”, afirmou.

O Showcase reuniu 20 apresentações e trouxe novidades para além dos covers. Entre elas, a estreia do projeto Funkei, com a divulgação do trabalho de artistas de São Paulo, além da participação de um artista local que se apresentou pela primeira vez em um teatro.

Para Yara, essa mistura representa justamente a força do K-pop, que absorve referências de diferentes estilos de dança e consegue transformá-las em uma linguagem acessível. “O K-pop bebe de todas as fontes, tanto do contemporâneo quanto das danças clássicas, urbanas, afros e até da dança de salão”, explicou.

K-pop abraça da gravidez à infância e vira até aliado na saúde mental
Ariel Lucas durante fez a apresentação do evento e também fez um espetáculo de hip-hop para o público (Foto: Amanda Ferreira)

Ariel Lucas Caetano Prado, conhecido artisticamente como Ariel Lucas, participou do Showcase em dose dupla: como apresentador e artista. Ele descobriu o projeto por meio de uma amiga e aproveitou as inscrições gratuitas para levar seu solo ao palco do Teatro Aracy Balabanian. “É uma oportunidade de mostrar sua arte e seu talento de uma forma mais profissional”, contou.

Nos workshops, Ariel aprendeu novas técnicas que pretende levar para sua trajetória artística e, futuramente, também para as aulas de dança que planeja ministrar. Para ele, iniciativas como essa ajudam crianças e jovens a desenvolverem sua própria linguagem e enxergarem a dança como um caminho artístico e saudável. “Elas conseguem produzir a sua própria linguagem de dança, se aprimorar e se fazer artistas dentro da cena”.

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