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Artes

Kim cruzou as ruas com barro pelo corpo para falar da natureza

Performance realizada nas ruas de Campo Grande foi maneira que artista encontrou de expressar sua preocupação com o a terra

Por Thailla Torres | 21/11/2020 07:50
Kimberly durante performance pelas ruas de Campo Grande.
Kimberly durante performance pelas ruas de Campo Grande.

Quase uma hora de passeio com o corpo coberto de barro vermelho e pés descalços. O trajeto numa das principais rotatórias de Campo Grande foi a primeira performance da artista visual Kimberly Matos no mês de setembro, período em que o Pantanal “abrigava” tristemente um fogo acelerado.

A intervenção descrita acima, que chamou atenção de muitos motoristas e pedestres na região da Gury Marques, fez nascer o vídeo arte abaixo, que agora está na internet levando poesia e reflexões sobre a terra e a natureza que grita “por socorro”.

“Esse projeto nasce da urgência, em meio a tantas queimadas, a natureza sendo destruído, o Cerrado sendo devastado, eu busco na arte um meio de expressar esse sentimento de lamento pela nossa terra”, explica Kimberly.

A ideia, segundo ela, não é impor, mas fazer um convite às pessoas através da poesia para a auto-observação. “Eu acredito que se as pessoas tivessem mais consciência de si como parte da totalidade que é a natureza, não iriam machucar tanto a terra, dariam mais valor para esse chão que pisam, daria mais amor para natureza que nos nutre, é nisso que eu acredito”, desabafa.

Por isso os vídeos artes que misturam performance e poesia fazem um resgate à ancestralidade, do olhar de volta para a natureza com amor e cuidado, diz. “Daí utilizo o videoarte porque acredito ser um meio de  democratizar a arte e ele chega em muitas pessoas em questão de minutos”.

O primeiro passo lembra Kimberly, foi sair às ruas com o corpo cheio de barro. A intervenção que foi filmada e fotografada com ajuda de amigos, mas não divulgada, ficaram na   gaveta até um momento de criação das poesias. “Na pandemia, com todas essas reflexões, eu decidi levar minhas poesias para fora de casa, então foi aí que eu aproveitei o que tinha da performance nos vídeo artes, com poéticas diferentes”.

O terceiro olho harmonizado com o barro pelo corpo também tem significado profundo. “É para o olhar da percepção do sensível, abrir o terceiro olho vem para avisar as pessoas sobre elas olharem para si, enxergarem o que sujeira de verdade, o que é o chão que elas pisam”.

Muita gente se assusta ou não entende, mas essa é a intenção diz a artista. “A ideia é assustar, causar esse impacto, tentar assistir várias vezes, entender que no meio disso tudo a nossa natureza está morrendo”, finaliza.

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