Morre em Campo Grande o escultor e músico Baldinir Bezerra
Além das esculturas, Baldinir também atuou na música e participou da cena cultural de MS desde os 1980
Morreu nesta quarta-feira (15), em Campo Grande, o artista plástico, escultor e músico Baldinir Bezerra da Silva. A causa da morte não foi divulgada. O velório e a cremação ocorreram na manhã de hoje.
RESUMO
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Servidor da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul), Baldinir construiu uma trajetória ligada às artes visuais, à música e à produção cultural. Entre as obras mais conhecidas está a escultura de Nossa Senhora de Belém, instalada na histórica Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, espaço que também abriga um painel de Cândido Portinari.
Filho de nordestinos, Baldinir chegou ainda jovem a Campo Grande. Foi na Capital que iniciou a caminhada artística, primeiro pela música. No início da década de 1990, venceu um concurso promovido pela então Secretaria Municipal de Saúde com uma composição própria.
Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi durante esse período que passou a se dedicar de forma mais intensa à escultura em cerâmica e recebeu o convite para produzir a imagem de Nossa Senhora de Belém para a Capela Mayrink.
Em entrevista ao Lado B, durante a pandemia, Baldinir contou que via naquele trabalho uma oportunidade de deixar uma marca na história do local. "Foram obras feitas especialmente para o local, tanto a minha quanto a dele. Então deixei um pouco de mim na história do Rio."
Anos depois, retornou a Campo Grande, onde seguiu atuando na cena cultural e como servidor da Fundação de Cultura. Na pandemia, reencontrou a escultura, linguagem artística que havia deixado em segundo plano por um período. Dessa fase surgiu a série "A Gota que Falta", produzida em cimento e inspirada no formato de gotas d'água.
Ao falar sobre a profissão, também reconhecia os desafios de viver da arte. "Trabalhar com escultura em Campo Grande é tão difícil como trabalhar com arte em qualquer lugar do Brasil."
Além das esculturas, Baldinir também teve obras públicas na cidade, como a homenagem ao cachorro Juninho, instalada em Campo Grande e que chegou a ser alvo de depredação e a gente chegou a contar sua história.
Nas redes sociais, artistas, amigos e representantes da cultura lamentaram a morte. O jornalista Bosco Martins lembrou da convivência com Baldinir desde os anos 1990 e destacou a contribuição do artista para a cultura sul-mato-grossense e o trabalho desenvolvido na Fundação de Cultura.
Abaixo um dos vídeos de Baldinir cantando uma de suas composições.
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