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Artes

O que mudou quando Érica Espíndola decidiu aprender baixo aos 38

Cantora fala sobre recomeços e coragem de começar algo novo em qualquer idade

Por Thailla Torres | 24/05/2026 10:05
O que mudou quando Érica Espíndola decidiu aprender baixo aos 38
Depois de anos carregando a vontade de tocar algum instrumento, Erica deu o primeiro passo.

Tem gente que desiste de aprender algo novo porque acha que “já passou da idade”. No Lado B, uma enquete feita neste sábado mostrou exatamente isso: 61% das pessoas disseram que já deixaram de fazer alguma coisa por acreditarem que era tarde demais. Outros 39% responderam que não.

A cantora sul-mato-grossense Érica Espíndola resolveu ir na direção contrária dessa ideia. Depois de mais de uma década cantando profissionalmente, ela decidiu começar do zero em um novo instrumento. Aos 38 anos, entrou para as aulas de contrabaixo. Hoje, aos 39, fala da experiência com o brilho de quem descobriu uma nova paixão.

“Comecei aos 38, hoje tenho 39 e sigo fazendo e vou estudando e pronto”, resume.

A ideia surgiu depois de anos carregando a vontade de tocar algum instrumento. Primeiro pensou em bateria. Mas o baixo apareceu no caminho quase por acaso, e ficou.

“Baixo era um instrumento que falava: ‘Cara, depois da bateria, eu acho que o baixo, ele era o que mais me chamava atenção’. E foi amor à primeira vista, assim. Eu me apaixonei”, conta.

O que mudou quando Érica Espíndola decidiu aprender baixo aos 38
Mesmo com anos de experiência como cantora, subir ao palco segurando um instrumento trouxe um frio na barriga completamente diferente, diz a cantora.

“Só começa”

Para Érica, aprender algo novo depois dos 30 ou dos 40 passa também por questionar uma ideia que muita gente ainda carrega: a de que existe idade certa para começar.

Ela cita até estudos sobre neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de continuar aprendendo ao longo da vida. “A neurociência já provou que isso é uma grande mentira. O nosso cérebro tem uma habilidade fantástica, que é a tal da neuroplasticidade”, afirma.

Segundo ela, o mais importante é não deixar o medo travar experiências que ainda fazem sentido. “Eu diria para essa pessoa que ela não passou da idade. Na verdade, se ela está com essa vontade hoje, é porque a idade para ela fazer isso é agora”, diz.

E completa: “Só começa, vai. Não queira chegar lá no seu último dia de vida arrependido das coisas que você não fez.”

Vulnerabilidade no palco

Mesmo com anos de experiência como cantora, subir ao palco segurando um instrumento trouxe um frio na barriga completamente diferente.

“Se eu tô só cantando, eu sou carismática, eu me conecto com as pessoas. Mas peguei o baixo… esquece. Eu vou fazer o que eu preciso fazer sem enfeite”, brinca.

Ela conta que ainda vive um momento mais introspectivo quando toca e canta ao mesmo tempo, mas enxerga isso como parte natural do processo. “Eu fico bem vulnerável e eu quero que as pessoas saibam que eu tô vulnerável sim, que tá tudo bem ser vulnerável.”

A artista também percebeu que estudar baixo mudou sua relação com a música e até com a composição. “Eu tô me sentindo mais corajosa para compor”, revela.

Hoje, ela diz que passou a ouvir músicas de outra forma, prestando atenção em detalhes que antes passavam despercebidos. “Tinha música que eu não dava moral, aí por causa de uma linha de baixo incrível virou minha música favorita.”

“Quero ver Campo Grande expandir”

Em um cenário onde muitos artistas deixam Mato Grosso do Sul em busca de oportunidades maiores, Érica escolheu permanecer em Campo Grande. E fala disso com orgulho. “Eu amo Campo Grande”, afirma.

Ela acredita que existe uma cena forte de rock, blues e jazz na cidade e que ainda há muito espaço para crescimento. “Eu sonho em ver Campo Grande expandir como um lugar possível, não para um ou outro artista, mas para quem quiser.”

A cantora também fala sobre o preconceito que artistas locais ainda enfrentam e diz que a cidade está começando a fortalecer mais sua autoestima cultural. “Enquanto brasileiro sofre da síndrome do vira-lata, o campo-grandense sofre da síndrome do cocô do vira-lata”, dispara, aos risos.

Para ela, a chegada de grandes shows e festivais à Capital pode ajudar a mudar esse cenário.

O que mudou quando Érica Espíndola decidiu aprender baixo aos 38
Erica na temporada de shows da School of Rock CG. (Foto: Arquivo Pesoal)

Recomeçar também é liberdade

Ao longo da conversa, Érica fala várias vezes sobre prazer, diversão e liberdade. Aprender baixo, segundo ela, acabou se tornando muito mais do que uma nova habilidade.

“Aprender baixo é um ato de liberdade.”

Ela diz que a experiência despertou novamente sua “criança interior” e trouxe um novo frescor para a vida.  “Quero dar a mão para ela e falar: ‘Vem, vamos fazer tudo que a gente não fez’.”

No fim, a mensagem que deixa é simples e talvez necessária para muita gente. “Começa, recomeça, testa. Não gostou, para, faz outra coisa. Mas faça. Se divirta, sinta prazer”, finaliza a cantora.

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