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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

28/09/2018 07:46

Amigas de infância, Evelyn e Diecy se casaram com o apoio dos pais

Juntas há três anos, elas vivem uma história de amor inspiradora para casais e famílias

Thailla Torres
Juntas há três anos, Evelyn e Diecy vivem uma história de amor inspiradora. (Foto: Marina Pacheco)Juntas há três anos, Evelyn e Diecy vivem uma história de amor inspiradora. (Foto: Marina Pacheco)

Juntas desde a infância, foi na adolescência que Evelyn e Diecy descobriram sentir algo diferente uma pela outra. Mas barradas pelos padrões, só em 2015 elas revelaram que o sentimento de amizade na verdade era amor. Da paixão avassaladora para um casamento surpreendente, o que não falta na história das duas são surpresas e lições sobre respeito quando o assunto é família.

“Diecy sempre fez parte da minha história. Na infância, morávamos em Rio Negro e nossos avós eram vizinhos. Lembro que a gente ficava se espiando pelo muro, porque ela tinha dois anos a mais do que eu”, começa a coordenadora de loja Evelyn Fernanda Santos Oliveira Matos, de 22 anos.

Foto de infância preferida do casal. (Foto: Marina Pacheco)Foto de infância preferida do casal. (Foto: Marina Pacheco)

Elas cresceram juntas. Nos álbuns de família estão fotografias dos momentos de brincadeira, de rio e de chuva. Mas o retrato preferido exibe as duas dançando, de óculos, e que hoje fica na parede da sala. “Pra mostrar a nossa sintonia desde a infância”, comenta.

Com o crescimento, as duas se afastaram e mudaram para Campo Grande, mas foram parar na mesma escola. No entanto, era difícil entender o que cada uma sentia. “Eu sabia que era algo diferente, desde pequena, mas eu não entendia o que aquilo significava, pensava que tinha que ser uma amizade”, descreve a auxiliar administrativa Diecy Rillary da Silva Matos, de 24 anos.

O tempo passou e em 2015 o Facebook encorajou Diecy a falar com a amiga. “Oi, lembra-se de mim?” narra Evelyn, que após ler a mensagem sentiu que as palavras mudariam sua vida para sempre. “Depois daquilo, lascou tudo. Porque eu nunca mais parei de pensar nela”, revela.

Na época Evelyn namorava outra pessoa e colocou um fim no relacionamento para viver sua história de amor com Diecy, que também estava disposta a pagar um preço alto pela liberdade, depois de revelar para toda família que estava apaixonada por uma mulher.

Aliança que passou a fazer parte da história no último dia 8 de agosto de 2018. (Foto: Marina Pacheco)Aliança que passou a fazer parte da história no último dia 8 de agosto de 2018. (Foto: Marina Pacheco)

“No começou eu fiquei receosa, não queria que ela se assumisse por mim e tinha medo do que os pais dela podiam fazer depois que soubessem de tudo. Mas ela se mostrou disposta, então a pedi em namoro por telefone, em dezembro daquele ano”, conta Evelyn.

A história tomou rumos diferentes e surpreendeu o casal, principalmente, quando Diecy contou para os pais, que são Testemunhas de Jeová e não esconderam a emoção. “Meu pai ficou chocado, talvez um pouco envergonhado, mas não me mandou embora de casa. Preferiu me acolher”, conta Diecy.

Ao contrário de muitas famílias que rejeitam a orientação sexual dos filhos, o pai de Diecy tornou-se um exemplo, mesmo com a rigidez. “Ao invés de me julgar, ele só queria saber se ela era uma mulher para casar. Porque na concepção dele, o primeiro namoro já era para casar e eu disse que sim”, diz.

Dali em diante as duas não esconderam o namoro da família, mas enfrentaram meses de regras impostas pelo pai de Diecy, como a que muitas mulheres viveram no século passado. “O preço alto foi eu só poder ficar 15 minutinhos no portão namorando. Isso durante meses”, conta Evelyn.

Mas ao perceber a resistência da nora, o pai passou a permitir as visitas dentro de casa e os encontros de namoro rendem risadas até hoje. “Ele tem um sofá de três lugares, eu sentava em uma ponta, ele no meio e a Diecy na outra, sem poder se encostar. Quando íamos para o quarto a porta tinha que ficar muito aberta. Foram meses de regras”.

Elas são fofas juntas e não cansou de falar do amor que sentem uma pela outra. (Foto: Marina Pacheco)Elas são fofas juntas e não cansou de falar do amor que sentem uma pela outra. (Foto: Marina Pacheco)

Na época Diecy fazia estágio na Santa Casa de Campo Grande, Evelyn saía todos os dias do trabalho para visitar escondido a namorada, mas nem sempre dava certo. “Eu saía às 16h e ficava até às 22h a espera dela na porta, mas quando o pai dela aparecia de surpresa, eu tinha que me esconder e depois ir embora de ônibus, após ter esperado tudo aquilo. Foi muito difícil”.

Porém, quando confiança tomou conta, o orgulho de Evelyn é falar que até cozinha com a sogra. “Hoje eles me respeitam e fico muito feliz com isso. Converso, cozinho e minha sogra até me chama de nora. Ninguém finge que não somos casadas”, comemora.

As duas compraram um apartamento, noivaram em julho de 2017 e oficializaram a união no civil no último dia 8 de agosto, na presença apenas de amigos, mas com a certeza da benção e apoio da família. “Tanto a minha mãe como os pais da Diecy, eles não foram obrigados a nos aceitar, na verdade eles buscaram entender o nosso amor e descobriram que o que a gente sente uma pela outra é verdade”, diz Evelyn.

Uma luta que, apesar dos momentos felizes, ainda não teve fim. “Temos que provar, todos os dias, que também somos uma família. E que família não precisa de padrão e sim de amor. Essa é única parte ruim da vida, o preconceito não acabou e as pessoas insistem em dizer que relacionamento LGBT é putaria. Mas a gente luta contra isso, porque mesmo novas, eu sei que tudo isso é verdadeiro”.

O lado bom da história é que nada tira o sorriso das duas mulheres que hoje estão felizes e realizadas. “A gente se sente segura uma do lado da outra, se defende, se cuida, sou a maior fã dela. Eu brinco que se ganhasse na loteria, talvez morresse comendo sushi, mas sei que tê-la comigo é melhor coisa do mundo”, declara Evelyn.

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Sou a maior fã dela, declara Evelyn sobre a esposa. (Foto: Marina Pacheco)"Sou a maior fã dela", declara Evelyn sobre a esposa. (Foto: Marina Pacheco)
A gente se completa, todos os dias, diz Diecy. (Foto: Marina Pacheco)"A gente se completa, todos os dias", diz Diecy. (Foto: Marina Pacheco)


Adoro sua sensibilidade ao escrever, Thailla. Parabéns pela matéria.
 
Débora Louise em 28/09/2018 08:29:49
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