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Comportamento

Amor tem de sobra, reclamações também: vamos falar de maternidade?

Por Paula Maciulevicius Brasil | 10/11/2019 07:15
Um dos poucos minutos sem filhos, em que fora da redação, consegui pensar em pautas sobre maternidade e tomar uma Stout. O lenço umedecido na bolsa não me deixa esquecer: sou mãe.
Um dos poucos minutos sem filhos, em que fora da redação, consegui pensar em pautas sobre maternidade e tomar uma Stout. O lenço umedecido na bolsa não me deixa esquecer: sou mãe.

Tudo o que eu achava que poderia saber sobre maternidade, aquilo aprendido nos cursos que a gente faz durante a gestação, foi por água abaixo assim que me tornei mãe. Às vezes brinco que se tivesse dormido teria aproveitado melhor meu tempo. É claro que a teoria ajuda, mas a prática aperfeiçoa - ou te liquida de vez.

Tem uma semana que voltei ao Lado B, hoje, como jornalista, com quase 30 anos e mãe de dois. Se pudesse voltar no tempo, teria colocado a maternidade em pauta por aqui mais vezes. Mas a real, não aquela da mãe plena e da vida perfeita.

Falar sobre ser mãe não é novidade nenhuma e quase todas as mães com quem convivo no mundo virtual passaram a escrever sobre. É uma necessidade que a gente tem, sendo jornalista ou não, de por pra fora o que nos suga por dentro. A maternidade, muitas vezes, é solitária e nada solidária. 

Acredito que ainda esteja em tempo para fazer isso: falar de mãe, para mães e sobre mães. Agora vivendo este lado, igual a inúmeras outras que se dividem entre ser mãe e profissional, mãe e mulher, mãe e amiga, mãe e tudo mais que a gente é. E aqui peço ajuda. Nunca soube escrever coisas da minha cabeça. Reproduzo o que ouço, seja dito em palavras, lágrimas ou risos.

Eu me arrisco a escrever sobre maternidade, assim como ouso redigir sobre vários outros temas durante a semana. Essa "coluna" pode ser útil ou completamente inútil. Cheia de clichês, textos carregados de lugares comuns ou só mesmo desabafos de quem conseguiu sobreviver à última semana e se prepara para a que já chegou. Domingo será dia de falar sobre maternidade e também ouvir.  

Depois de meses em casa, voltei a trabalhar com o coração dividido. Ficar só com o bebê dói, sair para trabalhar, também. Nasce uma mãe, nasce uma culpa. E ela te acompanha por onde você for. Se eu amo o que eu faço? Sim. Se eu faço como antes de ser mãe? Não. Meus olhos às vezes me sabotam e deixam passar pautas que eu via com facilidade. Me faltam palavras, porque meu vocabulário se resume a repetir as palavras que meu filho de 1 ano e 7 meses está aprendendo. Minhas inspirações vem da poesia musicada pelo Palavra Cantada e o Mundo Bita, mas eu também aprendo, como a ter a paciência do Urso no desenho "Masha e o Urso". Ao mesmo tempo, a maternidade me trouxe perspectiva sobre assuntos que, antes, poderiam ser ignorados ou não tratados com a visão de mãe, assim como a sensibilidade que vem com ela me possibilita ainda mais empatia e humanidade.

O que eu quero dizer é que tem muito para se falar, reclamar e amar na maternidade. E eu quero fazer isso com todo mundo que, de alguma forma, vive esse mundo dedicado à criação de uma criança: mães, pais, avôs, avós, tios, tias, babás e quaisquer pessoas que componham essa enorme aldeia. Me mande um e-mail, me conte sua história, reclame comigo. Eu estou quase sempre online. (paulamaciulevicius@news.com.br). E que seja leve o nosso maternar.

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